Eduardo Quintino com seu livro Caminho

O fotógrafo e documentarista granjeiro Eduardo Quintino lança no dia 2 de dezembro, no Instituto Cervantes seu livro Caminho, um trabalho autoral que une fotografia, relato e espiritualidade em torno da experiência de peregrinar pelo Caminho de Santiago de Compostela. Produzido de forma independente, o livro será lançado também na Granja Viana, no dia 13 de dezembro, em sua própria residência, em um evento que reunirá exposição fotográfica e exibição do documentário sobre o mesmo tema. Na entrevista abaixo ele fala de suas vivências na trilha e o significado dessa jornada que se tornou, ao mesmo tempo, artística e transformadora.

Como você descreveria seu livro Caminho?

É um livro de fotografias autoral com 60 imagens e 15 histórias do Caminho de Santiago, na rota francesa. Mais do que um registro documental, é uma reflexão visual sobre a caminhada como experiência humana e espiritual.

Qual foi o conceito que guiou a seleção das imagens?

A escolha foi guiada pela sensação que cada imagem transmite, e não por critérios estéticos. A narrativa se divide em três partes: primeiro, imagens mais densas e introspectivas; depois, registros que remetem à espiritualidade e à transformação; e, por fim, fotos mais abertas e alegres, simbolizando a comunhão e o florescimento interior.

O que você quis transmitir com esse trabalho?

Quis convidar o leitor a caminhar — seja no Caminho de Santiago ou em qualquer outro percurso — e mergulhar em si mesmo, permitindo uma transformação pessoal na forma de ver o mundo.

Como surgiu a ideia de transformar a peregrinação em livro?

A ideia nasceu após a primeira viagem, quando percebi a riqueza do tema. Voltei para o Caminho em uma segunda viagem, dessa vez dormindo em albergues com minha companheira da época, a Claudia Oliva, para captar o cotidiano dos peregrinos e complementar o material.

Quais momentos mais te marcaram durante a jornada?

Ver o amanhecer nas trilhas foi uma das experiências mais intensas — uma sensação profunda de pertencimento. Também guardo a lembrança do peregrino de Taiwan, Chun-Shen Sam Chen, que, aos 78 anos, caminhava com uma positividade contagiante.

Que aprendizados o Caminho trouxe?

Aprendi sobre o valor do silêncio, sobre não julgar a si nem aos outros e sobre a importância de ajudar sem esperar retorno. O Caminho me ensinou que a peregrinação é uma metáfora viva da vida.

Como sua trajetória influenciou o projeto?

Venho do audiovisual, mais ligado a vídeo e televisão do que à fotografia. Sempre me interessei mais pelas pessoas do que pelos equipamentos. Em Caminho, busquei imagens menos óbvias, que revelassem o invisível por trás das cenas.

Como definiria o estilo fotográfico do livro?

Na primeira viagem, o olhar era mais documental e deslumbrado. Na segunda, busquei algo mais sensorial, inspirado por fotógrafos como André Penteado e pela ideia de “fotografia como escuta”.

Há uma filosofia por trás do seu modo de fotografar?

Acredito que a fotografia preserva o que sentimos, mais do que o que vemos. Fotografar é um ato de presença e de escuta — é perceber que cada instante guarda algo maior.

O que o Caminho representa para você hoje?

É um antídoto ao ritmo das grandes cidades. Uma forma de reconexão com a natureza e com a essência humana. O silêncio é parte fundamental dessa experiência.

Qual mensagem você espera que o leitor leve do livro?

Espero que as pessoas se inspirem a deixar o cotidiano, caminhar e refletir sobre suas próprias jornadas. Caminho é uma celebração da liberdade — do movimento físico e interior.

Quanto tempo levou o projeto?

Foram cerca de dez anos entre a primeira viagem, em 2015, e o lançamento. O olhar sobre o material mudou muito nesse período: saí de um enfoque documental para algo mais sensorial e poético.

Quem colaborou no livro?

Tive a parceria de fotógrafos como Iatã Cannabrava, André Penteado e Maíra Erlich, além da direção de arte de Ciro Girard e da produção gráfica de Heloisa Vasconcellos. Os textos, escritos em português, espanhol e inglês, contaram com a revisão e tradução de diversos colaboradores no Brasil e no exterior.

Lançamento:

* O livro Caminho será lançado em São Paulo, no Instituto Cervantes (Av. Paulista, 2439), no dia 2 de dezembro, Das 16 às 21h.
* No dia 08/12, às 19h, também no Instituto Cervantes, haverá exibição do documentário Caminho de Santiago

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