Jovens são os mais afetados pela esclerose múltipla

Diagnosticada principalmente a partir dos 20 anos, a doença já atinge cerca de dois milhões de pessoas no mundo, segundo a Federação Internacional de Esclerose Múltipla

A partir dos 20 anos de idade a vida ganha novos desafios, e se abre para novas descobertas. Os jovens passam por uma fase de transição, em que entram na faculdade, conquistam seu primeiro emprego e fazem planos para formar uma família. Justamente nessa etapa tão atribulada, esses objetivos correm o risco de serem interrompidos por uma doença que já acomete mais de 2 milhões (Federação Internacional de Esclerose Múltipla) de pessoas no mundo: a esclerose múltipla (EM).

Sem cura e de causa desconhecida, a EM é uma das mais comuns em adultos jovens no mundo. De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, 35 mil brasileiros são afetados pela doença. Apesar dessa incidência, muitos ainda a desconhecem, pois seus primeiros sinais são apresentados de forma muito sutil e transitória, dificultando o diagnóstico precoce. Idade, gênero, histórico familiar e outras doenças autoimunes são fatores que aumentam o risco de desenvolvimento da doença.

Os sintomas mais comuns, que são a perda de equilíbrio e coordenação motora, distúrbios da sensibilidade (formigamento/dormência pelo corpo), perda de força muscular (paralisias) e de visão, visão dupla, fadiga, incontinência ou retenção urinária podem ser as primeiras manifestações da EM, e ocorrem de forma isolada ou em conjunto, ou seja, com “múltiplas” manifestações de ataque ao Sistema Nervoso Central.

Para minimizar o impacto da esclerose, o melhor caminho é a informação que leve à detecção precoce, e essa nova geração tem um papel fundamental no processo de disseminação e conscientização, pois a informação é algo que os jovens têm acesso diariamente.

“Uma geração que vive conectada, precisa saber que a esclerose múltipla atinge pessoas de todas as idades, mas especialmente, os indivíduos entre 20 e 40 anos, que estão no auge da vida reprodutiva. Seus sintomas são imprevisíveis e nem sempre são levados a sério, por isso, a importância em atentar para qualquer um desses sinais”, informa a professora Soniza Alves-Leon, chefe do Centro de Referência em Esclerose Múltipla do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ e pesquisadora CNPq sobre o tema.

Considerada uma doença crônica autoimune, rara e que costuma ser diagnosticada tardiamente, a EM compromete o sistema nervoso central e prejudica a neurotransmissão, provocando dificuldades motoras e sensitivas que impactam diretamente na qualidade de vida dessas pessoas.

“A intensidade e o intervalo entre os surtos variam de acordo com o estágio em que o paciente se encontra, e pode deixar sequelas, dependendo da gravidade. O ideal é sempre buscar um neurologista para que possa avaliar o caso e recomendar o tratamento necessário”, completa Soniza.

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