Pedalando, pedalando
“Sempre amei pedalar e fazer caminhadas e, por isso, já conheci quase todos os bairros próximos do Centro de Cotia. Trabalho em Itapevi e, muitas vezes, vou de bicicleta, em vez de pegar ônibus ou ir de carro”, relatou Joyce de Jesus, 44 anos, moradora do Jardim Ísis, em Cotia. Ela conta que já está acostumada a pedalar pela Estrada da Roselândia e vê muitas pessoas caminhando por lá – e também há os que preferem fazer o percurso a cavalo. Mas considera que o caminho é perigoso, uma vez que não tem ciclovia ou pista preferencial. “Também é uma jornada mais cansativa que o normal, porque preciso acordar uma hora mais cedo, arrumar uma mochila com água, toalha, uniforme e outras coisas. Mas, mesmo assim, vale a pena praticar meu esporte favorito e aproveitar mais tempo do meu dia. No Dia Mundial sem Carro fiz questão de ir de bicicleta e foi um dia maravilhoso”, finaliza.
Dia de Pauta
“Que bom seria se todos os dias fossem sem carro.” Essa frase é minha mesmo, a repórter Sonia Marques que vos escreve e que odeia dirigir. Mas para quem tem uma rotina como a minha, impossível não ter carro. Ainda mais em Cotia, sem metrô e trem e com um transporte coletivo ainda muito deficiente, que não chega a todos os bairros. Ainda assim, sempre que posso, o carro fica na garagem. Como moro no Parque São George, um bairro de fácil acesso e muitas opções de ônibus, não foi difícil fazer um ou vários dias sem carro. Entre as vantagens de uma repórter andar a pé, está não só encontrar pessoas pelas ruas, mas pautas também, como a péssima qualidade dos pontos de ônibus ou os constantes congestionamentos da rodovia. Isso sem mencionar as lotações que ora ficam paradas nos pontos eternamente, ora transitam em alta velocidade. Mas como nem só de pauta vive uma jornalista, aproveito as caminhadas para clicar as flores que encontro pelo caminho e atualizar o meu álbum no Facebook, além, é claro, de cenas do cotidiano.
As aventuras de Nakagawa
Outro que topou nosso desafio foi Marcus Nakagawa, professor de graduação e MBA da ESPM, idealizador da Associação Brasileira dos Profissionais do Desenvolvimento Sustentável (Abraps) e autor do livro 101 Ideias Sustentáveis. Ele mora na Granja Viana, mas sua vida profissional está focada na cidade de São Paulo. Já chegou a ficar sem carro por um ano e meio e, por isso, já tem certa experiência. “Aprendi muito e este dia especial que a Revista Circuito me proporcionou novamente me fez lembrar os vários pontos bons e os ruins desta locomoção coletiva e mais sustentável.” Ônibus, metrô, bicicleta e muita sola de sapato foram os meios utilizados pelo professor.
“O dia que escolhi foi 13 de setembro, que começava com uma reunião no prédio em frente ao Shopping Eldorado. O trajeto, de 1,5 km, iniciou saindo de casa a pé até chegar ao ponto de ônibus. O dia estava ensolarado e bonito para apreciar a paisagem”, recorda. O primeiro desafio foi a Raposo Tavares: uma hora e meia para chegar ao metrô Butantã. “Realmente, se estivesse de carro, ia pegar um atalho ou outro caminho para chegar mais rápido. Contudo, o tempo que fiquei no ônibus foi muito agradável para atualizar as minhas redes sociais, responder a uns e-mails urgentes e ver as atividades do dia. Aliás, uma primeira dica: se você tem um fone de ouvido bluetooth deixe-o carregado, o que não foi o meu caso”, adverte.
O próximo passo seria pegar o trem e chegar ao Shopping Eldorado, na Avenida Rebouças. “A estação em direção à zona sul de São Paulo estava lotada, as pessoas estavam fazendo fila na escada para descer. Resolvi ir de bicicleta, mas como a mais próxima estava muito longe, o melhor foi, mesmo, ir a pé”, relata.
Seu próximo compromisso era no Hotel Unique. “Desci na Avenida Paulista e caminhei até a Brigadeiro. Após o evento, saí em direção à OCA do Parque do Ibirapuera. Coloquei no Google e vi que era perto. Este perto quer dizer 2,5 km, que caminhei rapidamente para chegar a tempo. Contudo, sem sucesso. No entanto, nesta caminhada consegui ver o pôr do sol refletir no lago do Ibirapuera, coisas nas quais quando estamos dentro do carro não prestamos atenção ou não estamos nem aí.”

Mas sua maior aventura ainda estaria por vir: o caminho até a faculdade de bicicleta. A bike mais próxima, aquelas amarelinhas do Banco Itaú, estava a cerca de 15 minutos de caminhada. “Peguei a bike destemido e fui andando primeiramente por uma ciclovia e depois na rua mesmo. Fui radiante e muito feliz por estar dirigindo a bike, sentindo-me o cara mais sustentável do mundo”, brinca. Mas a felicidade do professor, cujos alunos o aguardavam, duraria pouco tempo. Ele já estava na porta da ESPM quando começou a confusão para encontrar o local onde deveria devolver a bike. Depois de muitas idas e vindas, suado e com a mochila nas costas, Marcos, enfim, conseguiu devolver a bike próximo ao Hospital do Coração. “Pluguei ela lá e fui andando mais uns 5 quarteirões até a estação do metrô Paraíso, para deixar de ser besta e não prestar atenção no mapinha de locais”, dá risada. No metrô, baldeação até o Metrô Vila Mariana. Lá desceu a ladeira para voltar à ESPM e ficou com “com o pé latejando de tanto andar”.
A saga de Nakagawa começou a chegar ao fim às 23 horas. Foram duas baldeações até chegar à Estação Butantã do Metrô e, finalmente, ônibus para Cotia. “Ufa, foi realmente um desafio e nunca mais esquecerei. E fica a dica: use sapatos confortáveis e tenha muita bateria no seu celular”, ensina.


















