18º encontro do Café Ambiental do GS Sustentabilidade do Ciesp Cotia celebrou 3 anos

Realizado no auditório do Senai Cotia, reuniu representantes do poder público, empresas e sociedade civil, em discussões de relevância sobre moeda social, educação ambiental, NR-1 e sustentabilidade na reforma tributária.

Secretária Raquel Lascane, do Verde e Meio Ambiente, dá as boas vindas aos participantes,

O 18º Café Ambiental do GS Sustentabilidade do Ciesp Cotia celebrou três anos de atuação reunindo, no auditório do Senai de Cotia, lideranças empresariais, representantes do poder público e integrantes da sociedade civil em uma manhã de debates, conexões e troca de experiências sobre sustentabilidade, ESG, inclusão e desenvolvimento local. Com mediação de Mauro Daffre, fundador do grupo e coordenador de Comunicação do GS, o encontro reafirmou a vocação do Café Ambiental como espaço de articulação de ideias e construção de parcerias em favor da região.

Carlos Del Nero

Na abertura, Carlos Del Nero, diretor titular do Ciesp Cotia, deu as boas-vindas em nome da entidade e destacou o papel do Ciesp na defesa da indústria e no diálogo com o poder público. Ele também elogiou a persistência de Mauro Daffre à frente da iniciativa.

Fernanda Manzoe, vice-presidente da ONG Irradiando Conhecimento, que trabalha com pessoas em situação de vulnerabilidade social, principalmente indígenas e que já apresentou o seu trabalho em edições anteriores do Café Ambiental, veio pedir apoio e reforçar o convite para a Virada Cultural Indígena, que acontecerá em Novembro, em São Paulo.

A secretária do Verde, Meio Ambiente e Agropecuária de Cotia, Raquel Lascane, ressaltou a importância do Café Ambiental como um espaço acolhedor e produtivo para falar de sustentabilidade.

Mauro Daffre com Ângela Maluf.

Já Ângela Maluf, cofundadora do GS Ciesp Cotia e do Café Ambiental, fez uma fala emocionada sobre o valor dos encontros promovidos pelo evento. Ao lembrar conversas, reencontros e conexões estabelecidas no local em uma manhã, destacou que o principal legado da iniciativa é reunir pessoas dispostas a fortalecer umas às outras em torno de causas comunitárias e ressaltou a iniciativa de Del Nero, que está revertendo a renda integral de seu livro para a ampliação de leitos para crianças atendidas pelo SUS, no Hospital de Câncer Infantil, GPACI – Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil, de Sorocaba.

Um dos pontos altos da manhã foi a palestra de Sonaidy Lacerda, gerente de Sustentabilidade da Spirax Sarco Américas e coordenadora de Planejamento do Café Ambiental, com o tema “Moeda Social: uma proposta para Cotia”.

Sonaidy Lacerda

Ao contar sua trajetória, Sonaidy explicou que, ao iniciar o mestrado em Sustentabilidade na Fundação Getúlio Vargas, buscava um tema que unisse relevância prática e realização pessoal. Depois de considerar o mercado de carbono, decidiu mergulhar no estudo das moedas sociais, assunto que, segundo ela, lhe despertou entusiasmo genuíno e abriu novas possibilidades de reflexão sobre desenvolvimento territorial.

Em sua apresentação, explicou que a moeda social é um instrumento criado pela própria comunidade para estimular a economia local, fortalecer redes de cooperação e promover inclusão econômica e bancária. “Elas coexistem com o real, a moeda oficial do país, mas têm circulação restrita ao território, favorecendo o comércio local e evitando que os recursos gerados na cidade sejam gastos em outros municípios”, explicou.

Sonaidy chamou atenção para esse fenômeno, conhecido como vazamento econômico, bastante presente em cidades como Cotia, onde parte do consumo acaba migrando para municípios vizinhos, principalmente para a Capital. Nesse contexto, a moeda social surgiria como ferramenta capaz de manter a riqueza circulando localmente, fortalecendo pequenos negócios e ampliando oportunidades.

Exemplos brasileiros inspiram a proposta

Para demonstrar a viabilidade do modelo, a palestrante apresentou experiências já consolidadas no Brasil. O principal exemplo foi o do Banco Palmas, de Fortaleza, referência internacional em finanças solidárias e desenvolvimento comunitário. Criado em uma região vulnerável, o projeto implantou uma moeda local e linhas de microcrédito, estimulando produção, consumo interno e geração de renda dentro do próprio território.Também foram citadas iniciativas como a Mumbuca, de Maricá, no Rio de Janeiro; a Arariboia, em Niterói; a Aratu, em Indiaroba, Sergipe; além de experiências ligadas à reciclagem e à sustentabilidade em cidades como Igarapé-Açu, no Pará, e Santiago, no Rio Grande do Sul. Segundo Sonaidy, a implantação de uma moeda social pode contar com recursos do poder público, da iniciativa privada, do comércio local e da própria comunidade. Mas, quando há apoio institucional do município, a iniciativa ganha mais força e capilaridade.

Akoty: uma semente para o futuro

Em tom propositivo, Sonaidy apresentou ao público uma ideia inicial para Cotia: a criação da moeda social “Akoty”. A proposta foi lançada como um exercício para o futuro e uma possibilidade concreta de inclusão e fortalecimento econômico. Entre as aplicações sugeridas estão a troca por recicláveis, o incentivo a hortas comunitárias, a remuneração por mutirões de limpeza urbana e de rios, ações de educação ambiental, iniciativas de energia renovável e até estímulo ao ecoturismo local. Ela também esboçou um caminho para viabilizar o projeto, envolvendo a criação de uma lei municipal, a realização de chamamento público para a gestão do programa, o engajamento do comércio e a mobilização da comunidade.

Diversidade de temas

Nayhara Cardoso

A programação do 18º Café Ambiental também trouxe outros assuntos de relevância.
Rômulo Contijo, CEO da MASSQ TV Podcast, participou com a apresentação “Brotou no Café Ambiental – Parcerias que Viraram Ação! Um ser humano extraordinário. Você é protagonista da sua vida?”, refletindo sobre protagonismo pessoal, conexões e iniciativas que nascem do relacionamento entre os participantes.

Nayhara Cardoso, sócia-diretora da RGL Advogados, falou sobre “O eixo invisível que vai mudar a estrutura de negócios nos próximos anos”, abordando a Reforma Tributária e transformações que devem impactar empresas e modelos de gestão.

João Campos

João Campos, engenheiro de Segurança do Trabalho e CEO da SST Engenharia, apresentou a palestra “NR-01 e os Riscos Psicossociais: o custo para as empresas do não atendimento à norma”, tratando dos efeitos do descumprimento das exigências relacionadas à saúde mental e aos riscos psicossociais no ambiente corporativo.

Marcos Vinicius

Encerrando o evento, Marcus Vinicius Silveira, idealizador do Projeto Semeando, educador ambiental e coordenador do Centro de Educação para Sustentabilidade de Carapicuíba, falou sobre “Conexões que Transformam”, mostrando como empresas podem gerar impacto positivo na região por meio de projetos sociais locais de educação ambiental.

O encontro realizado no auditório do Senai de Cotia mostrou, mais uma vez, que a força do projeto está justamente em conectar diferentes setores em torno de soluções concretas para a cidade e para a região.

Por Mônica Krausz

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