
A abertura do 19º Café Ambiental teve um sabor especial para a Revista Circuito. Convidada pelo organizador Mauro Daffre, sua diretora e fundadora Gabriela Napolitano apresentou a trajetória de 26 anos da publicação, que vai muito além do jornalismo mensal que chega às residências da região.
“Em 2007 nós percebemos que só fazer jornalismo não era suficiente. Nós precisávamos empreender no bem”, relembrou Gabriela. Foi assim que nasceu o Selo Cidadão, que por 18 edições reconheceu empresas comprometidas com sustentabilidade e voluntariado.
Ela também destacou ações da Revista Circuito como o grande mutirão que atendeu a cerca de 800 mulheres de baixa renda no SESI de Cotia e a iniciativa que fez de Cotia a primeira cidade do Brasil a proibir canudos plásticos por meio de um projeto de lei elaborado na Redação da Revista, encampado pela Câmara Municipal e aprovado por unanimidade. “Pra mim foi a constatação de que a gente estava no caminho certo. Que tudo o que realizávamos aqui fazia sentido em outros lugares”, destacou, referindo-se também ao aporte de 5 mil dólares recebido da Google durante a Pandemia.

Outro depoimento que emocionou a plateia foi do vice-presidente da AISAM (Associação das Indústrias de São Roque, Araçariguama, Alumínio e Mairinque e diretor de Infraestrutura da FIESP, Élvio Luiz Lorieri, que abriu sua fala com uma frase do imperador Marco Aurélio: “O obstáculo não impede o caminho. Ele se torna o caminho.” E propôs ao público um exercício simples, mas poderoso: prestar mais atenção às notícias positivas do país do que às manchetes maiores que costumam destacar o negativo.
“Nós somos bombardeados por informações negativas. As negativas vêm sempre em letra maior, com mais destaque, mas eu prefiro as pequenas”, provocou. Entre os exemplos que selecionou: a construção civil gerou quase 155 mil empregos no ano e a produção de petróleo no país que não para de bater recordes.

Leodir Ribeiro, presidente da Associação do Roteiro do Vinho de São Roque, que já foi capa da Revista Circuito, também estava presente e contou uma história que começa em 1632, ano do primeiro registro de vinho na região e chega aos dias atuais com 53 empresas associadas, mais de 2.400 colaboradores e 1,5 milhão de visitantes por ano.
Proprietário da vinícola Alma Galiza, a 1.000 metros de altitude, Leodir revelou que o destino turístico passa por um reposicionamento: “Não queremos mais a São Roque do bate e volta. O projeto agora é a São Roque para visitar em dias.
Anfitrião do evento, o diretor do Senai Ricardo Lerner, Alexssandro Reginato, aproveitou para reforçar a campanha de coleta de eletrônicos em parceria com a Green Eletron. “Aquele computador velho, celular, torradeira, fone de ouvido, pilhas e baterias que você acumula em casa porque não sabe onde descartar, traga aqui para o Senai até o dia 31 de agosto para ter a destinação correta”, convidou.

Ainda na abertura do encontro, Carlos Del Nero, diretor titular do Ciesp Cotia, lembrou que o Café Ambiental é o único evento social da entidade aberto à comunidade. “A prosperidade vem da produtividade. E a locomotiva da produtividade é a indústria. Defender a indústria é lutar pelo futuro do Brasil”, afirmou, destacando que todo o trabalho do Ciesp é voluntário e sem recursos públicos.
Fatores Humanos na Produtividade
Coube a Helena Gagine, mentora, montanhista, aviadora e autora do livro Os Fatores Humanos na Produtividade Organizacional (indicado ao Prêmio Jabuti Acadêmico) conduzir a primeira palestra da manhã. Com mais de 30 anos de experiência em remuneração estratégica, Helena que hoje vive em Cotia, compartilhou sua trajetória da periferia de São Paulo às grandes corporações.

O ponto alto foi o relato de sua imersão em uma câmara fria a -17°C, em Itapevi: Após corrigir problemas de alimentação, liderança e condições de trabalho, o turnover da empresa para qual estava trabalhando caiu pela metade, sem mexer nos salários, que eram apontados como o problema principal inicialmente.
Helena encerrou com uma reflexão que resume o espírito do encontro: “Quando você faz bem para o mundo por meio da sua profissão, você descobre a sua missão e tem uma vida significativa.”
Uniformes como ferramenta de inclusão
Mônica Mota, fundadora da Chic Mom, mostrou como a moda corporativa pode e deve ser inclusiva. “Desde que as mulheres começaram a trabalhar nas indústrias, elas usam uniformes que não foram feitos para elas”, comento.

Hoje à frente da Chic Group, Mônica desenvolve peças adaptadas para gestantes, lactantes, cadeirantes, pessoas obesas e quem usa sonda. Uma calça apresentada no evento reunia elástico na cintura, velcro para mobilidade reduzida e um bolso oculto para saco coletor de urina. “Quando eu coloco uma funcionalidade simples na peça, eu dou autonomia e dignidade”, resumiu. Sua frase “A inclusão começa na moda”, também escrita em braile em uma camiseta, sintetizou o propósito da marca e da vida profissional de sua fundadora.
Gestão operacional, logística reversa e eletromobilidade

O encontro ainda abordou temas como o Desafio Global da Gestão Operacional em Infraestrutura e Indústria e como otimizar os recursos, por Hilcer Caldi, Diretora da SEYSES Brasil; a importância da logística reversa para o meio ambiente, por Paulo Petroni, presidente do Instituto Rever e diretor de Meio Ambiente da FIESP e destacou um case da Fundação Toyota, realizado em Fortaleza, por Guilherme Hannud, da Cicloway Mobilidade Elétrica, um empresário de Cotia. Seu projeto experimental de inclusão social rendeu 62 milhões em mídia espontânea para a Toyota e ofereceu transporte gratuito por veículos elétricos para pessoas com deficiência, idosos e população de baixa renda.
O propósito que conecta
Ao final do Café Ambiental, ficou evidente o fio condutor que uniu todas as falas: o propósito. Seja na indústria, no jornalismo, na moda inclusiva, no vinho ou na mobilidade urbana, cada expositor demonstrou que ações transformadoras nascem de um profundo senso de significado.
Mauro Daffre, idealizador do Café Ambiental, fez questão de reforçar o valor do encontro presencial: “Já me propuseram fazer este evento online, mas eu me neguei. Aqui vocês têm relacionamentos humanos fora das telas. Agradeço a plateia por esta oportunidade de encontros.”
O 20º Café Ambiental do GS Ciesp-Cotia já tem data marcada: 7 de outubro de 2026.
Por Mônica Krausz












