Viver e Trabalhar na Granja Viana

A Granja Viana vive um momento de otimismo, impulsionado pela expectativa de duplicação da Raposo e pelos projetos do Metrô. Curiosamente, os dados mais recentes sobre o perfil econômico do morador vêm do estudo EIA/RIMA da futura Linha 22-Marrom: que aponta renda familiar média de aproximadamente R$ 12,2 mil e crescimento anual da renda per capita de 9,2%. Mas os números ilustram só parte da história. Quem atua no mercado imobiliário local enxerga, no dia a dia, características que se consolidam e se renovam ao mesmo tempo.

“A maior parte dos compradores vem de fora. São pessoas que moram em apartamentos em São Paulo, ou em casas menores em Alphaville, e resolvem por um “upgrade”, uma casa maior aqui, onde os preços são bem melhores”, conta Ricardo Silva, da Portal Raposo Imóveis. Mas ele também destaca um fenômeno que ganha força: a segunda geração. “Hoje já recebemos filhos de clientes do passado, que cresceram na Granja e agora buscam casas mais modernas aqui mesmo.”

Gilson Tangerino, da One Consultoria Imobiliária, com mais de 30 anos de atuação, confirma: “A Granja ressurgiu no médio e alto padrão. É um movimento que se iniciou na pandemia e não parou mais.” Para ele, a redescoberta dos grandes quintais, áreas gourmet com churrasqueira e ruas tranquilas e arborizadas em condomínios criou uma demanda que se consolidou.

O perfil etário é bem distribuído segundo eles: cerca de 50% dos compradores estão na faixa dos 30 anos, atraídos por condomínios no estilo Villagio e os outros 50% têm 40 anos ou mais, em busca de terrenos amplos e casas no estilo granjeiro, com mais de 1.000 m², para viver em família com conforto.

“Quem compra na Granja é um público mais diferenciado, que tem patrimônio, é bem-informado e sabe que imóvel é sempre uma proteção financeira.”
Ricardo Silva, Portal Raposo Imóveis

“A Granja é uma das regiões mais competitivas em termos de preço, no alto padrão, de São Paulo, e a única justificativa para isso é a dificuldade de acesso. Melhorando a mobilidade, melhora tudo.”
Gilson Tangerino, One Consultoria Imobiliária

Trabalhar Perto de Casa

Se o mercado residencial vive um bom momento, o de salas comerciais também impressiona. Ana Luiza Schimidt, proprietária do Felix Office e do Felix Boulevard, na José Felix de Oliveira, administra cerca de 80 salas desde 1998 — e está sempre com ocupação total.

Seus locatários são majoritariamente profissionais liberais entre 40 e 50 anos, mas quem está chegando agora é mais jovem, na faixa dos 30. A diversidade chama atenção: psicólogos, psiquiatras, advogados, médicos, arquitetos, nutricionistas, podólogos e até manicure.

“As pessoas que vêm morar na Granja inicialmente trabalham em outros locais, mas logo resolvem trazer o trabalho pra cá”, explica Ana. Ela também apostou no coworking por hora — três salas com alta demanda, especialmente entre psicólogos em início de carreira. A rotatividade é baixíssima: há locatários com a família Schimidt há 19 anos. “Os meus melhores corretores são os meus locatários”, brinca Ana.

“Os clientes vão crescendo com a gente. Os novos locatários de salas fixas são justamente as pessoas que vieram do coworking.”
Ana Luiza Schimidt, Félix Offices e Félix Boulevard

Por Mônica Krausz

 

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