Quando a raiva é suicida

Neto Poeta traz uma reflexão sobre o atual momento em que vivemos e, baseado em uma pesquisa realizada por uma Faculdade de Medicina, mostra como a raiva e o ódio podem ser nocivos ao coração

Em tempos de ódio, amar é um ato revolucionário, mas amar a si mesmo é um ato ainda maior que lhe garante a vida. É comum acessarmos as redes sociais e depararmos com as famosas trocas de palavras ofensivas, principalmente em ano eleitoral, quando os ânimos ficam mais acirrados.

Algumas pessoas não sabem lidar com opiniões divergentes e acabam encontrando no ódio a sua saída. No entanto, cometem um grave erro, pois esse sentimento é autodestrutivo. Discordar da opinião alheia é natural, mas ofender a pessoa que pensa diferente de você só demonstra o grau de selvageria ao qual ainda estamos submetidos.

Em seu livro Inteligência Emocional – a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente, de Daniel Goleman, há um capítulo exclusivo que aborda esse assunto, chamado ‘quando a raiva é suicida’.

Um estudo sobre a raiva em cardiopatas, na Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, avaliou os pacientes que tinham sofrido um ataque cardíaco. O estudo queria identificar se a raiva teria, de alguma forma, causado um impacto sobre as funções do coração.

O resultado, segundo o autor, foi impressionante: à medida que essas pessoas iam narrando os fatos que as aborreceram, a eficácia do bombeamento do coração caía 5%. Alguns pacientes, narra Daniel, tiveram uma queda de eficiência de 7% ou mais – uma faixa que os cardiologistas consideram como um sinal de uma perigosa queda no fluxo do sangue para o próprio coração.

Se o sentimento da raiva já é nocivo ao coração, imagine o do ódio, que é um pouco pior, levando em consideração que ele é o acúmulo de raiva, rancor e outros sentimentos que causam danos seríssimos ao coração.

Não que a raiva, sozinha, desencadeia tudo isso. Mas em alguém que já carrega uma pré-disposição, por exemplo, a raiva pode ser um elemento impulsionador de uma doença.

O estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford ainda concluiu que aqueles que eram mais suscetíveis à raiva, tinham mais probabilidade de morrer de parada cardíaca do que os de temperamento mais estável.

Por isso volto à frase do início do texto: se amar em tempos de ódio é um ato revolucionário, amar a si mesmo se torna mais grandioso, pois lhe garante uma vida saudável. Se da mesma forma em que a raiva e o ódio trazem desajustes ao coração, o amor é o antídoto eficaz para preencher e blindar seus sentimentos.

Por Neto, que além de Poeta, é também arte-educador. Criou a Oficina de Ritmos Alternativos Pedagógicos, ensinando crianças e jovens com as ferramentas da cultura e da educação popular.

Artigo anteriorOferta de vagas para o Natal é 30% maior que em 2017
Próximo artigoO Youtube é má influência para as crianças?