Na terça-feira da semana passada (16), diversas obras de arte, em sua maioria indígenas, que estavam em exposição na Mostra M’Bai de Artes Plásticas, no Centro Cultural Mestre Assis, em Embu das Artes, amanheceram vandalizadas. Não há pistas, até o momento, sobre autoria do ataque.
Nesta segunda-feira (22), uma comissão de artistas se reuniu com representantes da Prefeitura de Embu para tratar do problema. Ficou acordado, segundo o documento protocolado que a Circuito teve acesso, que o poder público deverá reativar a exposição e ainda ressarcir as obras danificadas, já que os trabalhos estavam sob a guarda do município.
Os organizadores do evento acreditam que há a possibilidade de o ataque ter sido motivado por racismo. O argumento é baseado no alvo do crime: maioria obras indígenas.
“Agrava a seriedade do ataque a sensível possibilidade de que tenha sido motivado por racismo, um horrível crime de ódio, pois a exposição busca inaugurar um processo de maior visibilização da arte indígena, e os danos foram quase em sua totalidade dirigidos às obras desses povos originários”, diz trecho de publicação da curadora da mostra, Margarith Foga, na página da exposição, no Facebook.
Além da possibilidade de poder ser um crime de racismo, Margarith não descarta o descontentamento por parte de algumas pessoas com o momento político atual. “Tudo isso pode ter motivado essa ação criminosa que atingiu o coração da classe artística da nossa cidade.”
Por sua vez, de acordo com Margarith, a Secretaria de Cultura de Embu das Artes, alegando serem provas criminais, retirou as obras do espaço sem comunicar os artistas. A maioria, segundo ela, quer as obras expostas como ‘arte-protesto/ativista’, mas não houve retorno do processo administrativo com pedido de urgência, até o momento.
A reportagem da Circuito procurou a Prefeitura de Embu das Artes para buscar mais esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria, às 9h desta terça-feira (23).
Uma das obras que foram danificadas foi o ‘M’Boy’, da artista Camila Gallo, que desabafou: “Não bastasse as facadas da vida, minha obra foi atacada, esfaqueada no rosto e no peito. Como dói toda essa manifestação de repúdio à arte e à cultura indígena, em memória ao meu avô materno, um Tapuia que amava a todos. Lamentável e terrível”, escreveu em sua rede social.
A terceira edição da Mostra M´Bai de Artes Plásticas teve início no último dia 5. A exposição estava marcada para terminar nesta sexta-feira (26).
Este ano, a Mostra homenageia o Ano Internacional de Línguas Indígenas, que foi criado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para contribuir na conscientização da necessidade de se preservar, revitalizar e promover as línguas indígenas no mundo.
A curadoria trouxe como convidados professores de línguas indígenas, uma família Guarani e a Presidente do Conselho Estadual dos Povos Indígenas. A maioria dos artistas inscritos na mostra são indígenas de seis etnias diferentes, dos quais três moram em Aldeias.
OUTROS CASOS
Outras obras de arte foram vandalizadas em Embu das Artes nas últimas semanas. Uma delas foi a escultura Serafina Nordestina, da artista plástica Helaine Malca. A obra, que estava exposta na Praça das Artes, foi encontrada quebrada no chão por alguns moradores. A Prefeitura de Embu intensificou a vigilância, após o ocorrido.
No início de julho, a obra Tributo aos Orixás, que continha várias miniaturas, foi parcialmente roubada. Autor do trabalho, o artista Marcos Roberto o retirou para reparos. A comissão da exposição emitiu uma nota oficial, dizendo que se sentiram ‘violentados com esta agressão’. “Pedimos a todos que dividam conosco e com o policiamento a responsabilidade de cuidar da praça, das esculturas e da limpeza”, manifestou.
Por José Rossi Neto

Artigo anteriorFestival de Carros e Motos reúne milhares de pessoas no Recinto de Eventos de Cotia
Próximo artigoCotia confirma um caso de sarampo