A FAO, agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para Alimentação e Agricultura, alerta que a demanda por comida aumentará em 70% até 2050. Isso porque, em 40 anos, a humanidade vai ter ultrapassado os 9 bilhões de habitantes, 2 bilhões a mais do que atualmente. Alimentar uma população que, hoje, está em torno de sete bilhões e meio não é tarefa fácil. No futuro, isso deve se complicar ainda mais. Então, como será a comida no futuro?
“Você chega em casa cansado, tira do congelador um pacote de almôndegas desenvolvidas em laboratório. Digita na impressora 3D o cardápio que vai acompanhar: uma pizza feita de ingredientes em pó. E separa na geladeira dois tomates roxos para fazer uma salada, salpicada com um produto que tem gosto de ovo, mas na verdade é feito de gergelim. Bom apetite, este vai ser o jantar dos anos 2050”, brinca o jornalista Tiago Cordeiro, em matéria publicada pela Veja.
Na verdade, não é uma brincadeira. É a realidade! Algumas empresas começaram a pensar em alternativas para o problema: opções vão desde carne “falsa”, feita em laboratório, passando pelo consumo de insetos e até de compostos para substituir refeições.
Em 2013, em Londres, no Reino Unido, foi feita a primeira degustação de carne cultivada em laboratório. O médico Mark Post, especialista em tecidos e pesquisador da Universidade de Maastricht, na Holanda, liderou o desenvolvimento da técnica que estava sendo estudada desde 2004. Foi necessário primeiro pegar uma amostra de carne das costas de uma vaca com células tronco, num processo parecido com a coleta de sangue.
A Impossible Foods elaborou um hambúrguer de carne apenas com proteína vegetal. Foram anos para ter cor, aparência, textura, cheiro e, obviamente, o gosto de um de verdade. A empresa chegou a uma composição de proteína de batata, óleo de coco e aveia, além do heme, uma substância que ajuda a catalisar o sabor dos itens e deixar a “carne” mais suculenta. Por enquanto, só é possível provar a “carne” em alguns restaurantes de chefs renomados nos Estados Unidos. Já a Beyond Meat, outra empresa do ramo, levou anos até lançar hambúrgueres, carne moída e pedaços de “frango” feitos de proteína da ervilha.
Além dessas opções, a FAO aposta que os insetos, esses “apetitosos” bichinhos crocantes de seis patas, são o futuro. Os motivos alegados são bons: insetos são ricos em proteínas, têm pouca gordura e boas doses de cálcio e ferro. Também são fáceis de criar e se reproduzem com facilidade. Parece estranho, mas em muitos países, eles já fazem parte da dieta há séculos: os japoneses comem vespas, os tailandeses gostam de grilos, os africanos cozinham larvas e os chineses vendem espetinhos de gafanhotos nas ruas.
O arquiteto canadense Jakub Dzamba, da Universidade McGill, tem seu próprio projeto de fazenda, que produz em larga escala, 24 horas por dia, não só insetos, como também algas e outros microorganismos comestíveis. A Fazenda do Terceiro Milênio, como ele chama a iniciativa, vai usar parte dos dejetos produzidos pelas cidades para criar animais comestíveis.
Uma equipe de pesquisadores americanos e israelenses já produziu tomates com aroma de limão. Israel, também, é um polo de desenvolvimento: os fazendeiros de lá já criaram pimentões com três vezes mais vitaminas, cenouras que se parecem batatas e bananas geneticamente modificadas com mais potássio. Na Inglaterra, pesquisadores do Centro John Innes desenvolveram tomates roxos, geneticamente modificados para ter o dobro de antioxidantes e ajudar na prevenção de câncer. Em outra frente, nanopartículas aplicadas em sementes podem acusar se o alimento está contaminado por bactérias e matá-las. Quando em contato com a língua, também serão capazes de bloquear ou reforçar sabores.
Por sua vez, a Nasa está investindo US$ 125 mil no projeto do engenheiro mecânico e especialista em impressão 3D Anjan Contractor, que está desenvolvendo uma impressora capaz de sintetizar alimentos e formas de transformar carboidratos, proteínas e nutrientes em pós, que poderão ser misturados de acordo com o gosto do cliente. Para a Nasa, seria extremamente útil para imprimir alimentos personalizados para astronautas em longas viagens espaciais.
Como pode ver, vários alimentos que prometem compor o prato do futuro estão em desenvolvimento ou em fase experimental. Você está pronto para degustar essas iguarias?
















