Exército recupera 17 das 21 armas roubadas de Arsenal de Guerra em Barueri

Nove delas foram localizadas em um lamaçal em São Roque, no último sábado.

Vinte e uma armas de guerra – sendo 13 metralhadoras calibre .50 capazes de abater aeronaves e 8 calibre 7,62 – foram furtadas do Arsenal de Guerra do Exército, localizado em Barueri. Suspeita-se que o furto tenha ocorrido entre os dias 5 e 8 de setembro, mas só foi descoberto mais de um mês depois, no dia 10 de outubro, durante uma inspeção no quartel.

Até domingo (22/10), 17 das metralhadoras foram recuperadas. Oito delas foram encontradas na comunidade Gardênia Azul, na zona oeste do Rio de Janeiro, em 19 de outubro. E as outras nove foram localizadas em um lamaçal em São Roque, no dia 21. Ainda estão desaparecidas quatro metralhadoras calibre .50.

“Estamos colaborando com as autoridades de segurança pública, que têm nosso apoio. Estamos trabalhando em conjunto e esperamos encontrar essas quatro armas em breve”, declarou o general Maurício Vieira Gama, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sudeste, em entrevista coletiva.

Pelo menos 20 militares estão enfrentando processos disciplinares devido ao furto ocorrido. Dentre eles, sete são suspeitos de envolvimento direto no desvio das armas, conforme relatado pelo Comando Militar do Sudeste. Aproximadamente 40 outros militares ainda estão impedidos de deixar o quartel, pois ainda precisam prestar depoimentos sobre o incidente.

“Temos vários militares no quartel que, por negligência, não cumpriram suas funções de gerenciamento, controle e fiscalização do material. Esses indivíduos estão sendo submetidos a julgamento administrativo e podem ser detidos”, esclareceu Gama.

Os processos disciplinares encontram-se na fase de defesa dos militares, que incluem oficiais de várias patentes, sargentos, cabos e soldados. Após essa etapa, eles serão julgados e poderão receber punições disciplinares de até 30 dias de prisão. Além disso, os envolvidos enfrentarão processos criminais na Justiça Militar. Até 21 de outubro, 160 militares estavam confinados no Arsenal de Guerra de Barueri devido ao desaparecimento das armas, embora no início das investigações esse número tenha ultrapassado 400. A maioria da tropa já foi liberada.

De acordo com o general, o controle dos armamentos, que estavam no local para manutenção, é eficiente, mas militares podem ter participado do incidente. Ele afirmou: “Se não houvesse envolvimento de nosso pessoal, um incidente como esse jamais ocorreria. Estamos investigando a esfera administrativa para identificar quem falhou em suas responsabilidades. Ações e omissões serão punidas”.

Devido ao desaparecimento das armas, o tenente-coronel Rivelino Barata de Sousa Batista, diretor do Arsenal de Guerra, foi exonerado pelo Exército e será transferido para outro quartel. Em seu lugar, o coronel Mário Victor Vargas Júnior foi nomeado para dirigir o arsenal de Barueri.

O roubo das 21 armas é o maior na história recente do Exército brasileiro, segundo o Instituto Sou da Paz. Até então, o maior registro era o roubo de sete fuzis de um batalhão em Caçapava, no interior de São Paulo, em 2009. As armas foram rapidamente recuperadas e os suspeitos, incluindo um militar, foram presos.

Por Juliana Martins Machado, com informações de agências de notícias

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