Juan Alba: charme dentro e fora da televisão

Juan Alba começou a trabalhar cedo como modelo. Aos 16 anos, assinou um contrato com a renomada Ford Models e ganhou o mundo. Cerca de 15 anos depois, resolveu se despedir das passarelas e investir na televisão. Tornou-se apresentador e, no início dos anos 2000, ficou conhecido pelo grande púbico ao interpretar Josué, em Terra Nostra, e formar par romântico com Ângela Vieira na trama de Benedito Ruy Barbosa. Tomou gosto pela dramaturgia e passou, então, a fazer cada vez mais filmes, novelas e séries, além de peças de teatro. Lá se vão 21 anos de carreira como ator, mesmo tempo de trajetória da Revista Circuito. E há outra coincidência entre nós: o amor pela Granja Viana. Um grande amigo, o fotógrafo Bruno Cals, mora aqui e, com frequência, Juan vem ao bairro visita-lo. Curte o ar puro da região, a calmaria e, sobretudo, a gastronomia local. É um amante de vinhos e criou um canal no YouTube para desmistificar o assunto. Durante a pandemia, realizou diversas lives com sua banda de jazz. Sim, multifacetas de uma só pessoa. Moreno, alto e com ar de galã, Juan está com 55 anos e em paz com as cobranças estéticas e artísticas. Em entrevista à nossa equipe, afirmou que não trocaria sua idade de hoje pelos 20 anos, relembra seu primeiro papel na TV e adianta novos projetos. Com 2021, veio a esperança em substituir o Gugu, no reality musical Canta Comigo. Por enquanto, ainda é um plano, mas se depender desse obstinado virará realidade.

Você acaba de viver, em Amor sem igual, um personagem dificílimo pela complexidade, um homem machista e preconceituoso que renega a própria filha. Como foi dar vida a um personagem cheio de nuances?
Como você já falou, extremamente complexo. Tive ajuda da Suzana Abranches que é uma coach da Record e que me ajudou também em Jezabel. Enfim, nós procuramos nos ater o máximo possível ao que o texto dizia e trazer de certa forma uma ironia, fazer com que ele risse dele mesmo, para não se tornar um personagem chato. Então, a partir daí, a gente foi construindo e o público abraçou e curtiu bastante o Ramiro, apesar das maldades que ele fazia.

Algo interessante chama a atenção: apesar da característica, seu personagem na novela teve uma repercussão maravilhosa, tipo Meu Malvado Favorito.
Acredito que foi essa ironia, essa capacidade que o Ramiro tinha de rir de si mesmo, que ajudou a repercutir. E claro, contracenar com o Tiago, com a Barbara, meus colegas de cena, isso contribuiu bastante. A troca de energia sempre foi muito bacana e acaba ajudando na construção dos personagens. Fico muito feliz em ter tido esse elogio de Meu Malvado Favorito.

Como você avalia a importância de a novela trazer esse tipo de debate para a telinha?
O tipo Ramiro existe, tem muito aí, mais do que a gente imagina. Machista, um cara manipulador, controlador, rouba um rim, abandona a filha, enfim, são temas importantes para que haja uma discussão em relação a isso.

Assim como a Revista Circuito, você está completando 21 anos de carreira. Como começou?
Na verdade, eu comecei na TV como apresentador e, só no ano 2000, passei a trabalhar como ator. Foram momentos completamente inesperados para mim com o sucesso do Josué, em Terra Nostra, realmente eu não esperava que o personagem fosse ter aquela repercussão. Olho para atrás hoje, desses 21 anos e fico muito feliz com as minhas realizações, com as conquistas.

Tem algum arrependimento?
Não me arrependo de nada. Não tenho nenhum tipo de frustração. Sou uma pessoa que sempre costuma ouvir a voz que vem do coração, sou uma pessoa ponderada.

Qual papel foi mais marcante?
Todos os papeis deixam marcas, todos fazem parte de um processo de crescimento, de amadurecimento, mas eu diria que o primeiro foi muito importante, pois me projetou para o grande público. Em termos de complexidade, o Ramiro foi extremamente importante também, exigiu muito de mim e graças a Deus eu estou bem feliz com o que vi durante a novela, estou bem feliz com o trabalho. Todos são muito importantes, mas eu citaria o primeiro e o Ramiro, que acabei de fazer.

O que te deixa com saudades?
Muitas coisas, principalmente, quando a gente acaba de fazer um trabalho. A gente sempre ganha novos amigos, conhece novas pessoas, atravessa novos desafios, então, o último sempre acaba deixando saudade e depois vira uma saudade grande em relação aos outros. Um saudosismo gostoso, extremamente importante para darmos continuidade: poder olhar o que fizemos, para fazermos melhor daqui para a frente.

Você foi repórter da TV Bandeirantes também. Como de repórter chegou às novelas?
Eu fiz um teste para um programa da Bandeirantes, Brasil Verdade, com direção de Wilton Franco, em 1997. Fiz o programa durante um ano e, depois, comecei a fazer merchan. Exigia muito de mim, uma improvisação e, a partir daí, comecei a fazer cursos de interpretação, workshops, surgindo a partir desse movimento uma oportunidade para fazer um teste na Globo como ator. Tudo começou aí.

Foi quando descobriu vocação para as artes cênicas?
Eu sempre tive vocação. Sempre esteve na minha cabeça, mente e alma, nos meus desejos, a paixão pelas artes cênicas. Sempre fui um noveleiro assíduo, sempre adorei assistir filmes, teatros, dança, enfim, tudo que envolvesse as artes. Eu tinha uma certa aversão a exposição e acabou que logo no meu primeiro trabalho tive que enfrentar isso de frente, então não tive por onde fugir (risos).

Com tantas carreiras sólidas, como modelo, apresentador e ator, qual delas você mais se identifica?
Todas… (para e pensa) uma completa a outra. Sou um cara que gosta de diversificar, de poder ter essa diversidade profissional. Então, uma função acaba alimentando muito a outra, são experiências que se completam.

Você tem uma banda de jazz e durante a pandemia, realizou várias lives, em sua casa. Como descobriu-se músico?
Acho que foi a primeira manifestação artística que tive desde muito pequeno. Desde os 5, 6 anos já cantava muito, ouvia os discos da minha mãe, Roberto Carlos, Elvis Presley e sempre gostei muito de cantar. Ironicamente, foi uma das coisas que me dediquei tardiamente depois de ser ator. O crescimento do teatro musical, no Brasil, me incentivou a me dedicar ao canto. O jazz sempre esteve muito presente na minha vida, mas entrou de vez mesmo depois que eu fiz o musical New York New York, que contava a história de um jazista, que no cinema foi interpretado pelo Robert de Niro. Daí o jazz entrou de vez. E realmente esta oportunidade na pandemia de fazer as lives foi uma experiência maravilhosa.

Você fala da música com muito amor. O que ela representa para você?
Ah, a música representa tudo. Acho que todo mundo tem a trilha sonora de sua vida. Nas várias fases, você vai formando. Seu estado de espírito tem uma trilha. Música é superimportante, a musicalidade também, isso está muito inserido na cultura do brasileiro, é sempre algo muito representativo. As pessoas se expressam muito através da música e ela acaba sendo um elemento fundamental para nossas vidas.

Cantar ou atuar?
Não tem como escolher, um ou outro, as duas coisas são maravilhosas. A sensação de cantar é incrível, a sensação de atuar, seja fazendo teatro, cinema ou TV é sempre maravilhosa.

Teatro, cinema ou televisão? Por quê?
Não tem como escolher também. São trabalhos maravilhosos, processos diferentes e complementares ao mesmo tempo. Então, realmente, não estaria sendo verdadeiro escolhendo um. Eu abraço todos com muito carinho, uma satisfação, um prazer enorme em poder fazer e intercalar na medida do possível o cantar e o atuar no teatro, no cinema e na TV.

Você tem outra paixão também, né? Vinhos….
Sim, tenho uma paixão incrível, algo que me encanta. Não só a bebida, mas tudo que envolve o vinho, a história, a complexidade de cada garrafa, isso sem dúvida é apaixonante, instigante. Quanto mais a gente conhece, mais você quer conhecer.

Como um bom entendedor e amante de vinhos, estreou o um canal no YouTube, o Vinodrops. Como surgiu a ideia?
Eu nem me considero um entendedor (risos) Sou um amante dos vinhos e a ideia de estrear um canal no Youtube é antiga, principalmente, no sentido de desmistificar o vinho. Aqui no Brasil, ele ficou bastante elitizado, uma bebida muito sofisticada, diferente da Europa onde é comum. Vinho lá é como aqui no Brasil seria a cerveja ou a cachaça. Enfim, o vinho é uma bebida do dia a dia também. Então, a minha ideia de fazer este canal era traduzir um pouco a linguagem usada pelos entendedores, fazer com que este entendimento do vinho cheguasse de forma mais simples, para as pessoas que, às vezes, tem vontade e se sentem um pouco intimidadas para entrarem no universo do vinho.

 

Em uma de suas entrevistas, você disse que jamais trocaria os seus 55 anos pelos 25.
Sem dúvida. Meus 25 foram maravilhosos, em um momento que eu estava na Europa vivendo a minha profissão de modelo, tudo era amor e novidade e eu como uma esponjinha ia absorvendo o máximo que eu pude. Mas com certeza, estou me sentindo muito privilegiado em poder chegar ao meus 55 com a saúde que tenho, com duas filhas criadas e a oportunidade de ter um relacionamento bem maduro com minha namorada. Perdemos muitas coisas, mas ganhamos muitas outras coisas. A capacidade de realizar hoje em dia é muito maior. Eu não trocaria os meus 55 pelos meus 25.

Em uma de suas entrevistas, você declarou: “acho que consegui atingir um equilíbrio emocional bastante satisfatório sabendo escolher melhor realmente aquilo que me faz feliz”. Pode nos explicar?
Acho que é sempre deixando ouvir a voz do coração, saber ouvir o que seu corpo e sua cabeça te dizem. Podemos acabar nos livrando de muitos coisas ruins, que possam vir acontecer na nossa vida. Mas acho que a gente nunca atinge um equilíbrio emocional, é uma busca constante. Tem que ser trabalhado de forma muito carinhosa, com atenção para que possamos colher bons frutos emocionais.

Como é sua alimentação? Faz exercícios físicos?
A minha alimentação é bem saudável, procuro comer sempre muitos legumes, frutas, alimentos orgânicos… mas, claro, também como fritura, carne, peixe, frango. Acredito que a qualidade é muito importante. Sal e açúcar são coisas que devemos evitar. Sempre importante ponderar na alimentação. Exercício físico é fundamental e também com moderação, até para não se machucar e manter a saúde. Fundamental para mim é manter a qualidade de vida.

Como manter a boa forma e a pinta de galã? Qual o segredo?
Não é segredo (risos). Acho que a genética pode ajudar bastante, mas como já falei alimentação e exercício físico. Ter uma vida saudável acaba refletindo no nosso corpo.

Você mal finalizou uma novela e já se prepara para novos desafios. Você já está escalado para a nova série “Ameaça Invisível”. Fale-nos um pouco mais sobre esse novo papel.
Já temos os textos, mas não uma data certa para começar. Vou fazer um médico endocrinologista que cuida de celebridades, um cara muito vaidoso, que se importa muito com a mídia, marketing, enfim, um papel com um personagem muito interessante. O tema mostrará a pandemia por várias vertentes.

O quê e quem te inspira para viver novos personagens?
A vida. Amo o meu trabalho, amo o que faço e novos desafios, são coisas que me inspiram muito. Sou muito grato a todas as oportunidades que a vida tem me dado e acho que isso é uma questão que me inspira muito, novos desafios.

Há algum papel que gosta de encenar?
São tantas coisas que eu gostaria de fazer e tantos personagens interessantíssimos. Têm muitos personagens, não saberia te dizer um específico que eu gostaria de interpretar, mas com certeza, muita coisa boa está por vir.

Comédia ou drama?
Não tenho preferência. (para e pensa) Comédia eu acho até de certa forma mais difícil de se fazer do que o drama. Sem dúvida nenhuma envolve muito mais complexidade, mais técnicas. O drama é o que vivemos no dia-a-dia, sempre fica muito próximo da gente, mas eu acho que os dois são desafios imensos.

Vilão ou mocinho?
Depende do contexto da história. Às vezes, o mocinho pode ser extremamente interessante na história e um vilão pode ser desinteressante ou vice-versa.

Com 2021, vem a esperança em substituir o Gugu, no reality musical Canta Comigo. Conte-nos mais sobre isso.
É um desejo antigo meu, um programa que eu tenho uma identificação muito grande, um reality show de música que sou apaixonado, que revela novos talentos e isso é maravilhoso. Neste Brasil enorme repleto de talentos. Continuo aqui no meu desejo e na minha torcida que alguém da Record olhe para mim e me dê essa oportunidade, uma chance do Juan apresentar o Cante Comigo. Eu iria ser um cara extremamente feliz e realizado e iria agarrar esta oportunidade com unhas e dentes.

Você está sempre pela Granja Viana, né? Qual sua relação com a região?
Frequento bastante a Granja Viana, tenho um grande amigo fotógrafo que mora em um dos condomínios. Acho um lugar extremamente agradável, ar mais saudável, completamente diferente, apesar de estar perto de São Paulo. O condomínio do meu amigo oferece bastante conforto, então eu acabo ficando na casa dele. Têm lugares muito interessantes, como o Restaurante vegetariano Ser-Afim, na Av. São Camilo; a loja de vinhos Vino & Sapore, na Rua José Félix e a pizzaria João do Grão.

Por Juliana Martins Machado

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