Médica especialista fala sobre a área da psiquiatria e sua finalidade

Quando se houve a palavra psiquiatria, muitas pessoas acham que sabem do que se trata a área, porém ao serem questionadas, perdem-se na definição e nas necessidades que norteiam os tratamentos psiquiátricos.

Para desmistificar as dúvidas ligadas à psiquiatria, conversamos com Cecília Proença, médica psiquiatra, formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência em Psiquiatria na Escola Paulista de Medicina (Unifesp).

Cecília também é médica colaboradora do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove), no Departamento de Psiquiatria do Hospital São Paulo e tem experiência internacional no Departamento de Psiquiatria – O’Brien Center – St. Vincent’s Hospital, em Sydney,Austrália.

Revista Circuito: Cecília, quando devo procurar um psiquiatra?

Cecília Proença: A psiquiatria procura compreender e tratar alterações do comportamento. Quantas vezes as pessoas não sabem dizer se essasalterações, pensamentos ou sensações, são uma reação “normal” a uma situação ouuma doença a ser tratada? Se tais alterações causam impacto negativo na vida de um indivíduo ou de pessoas ao redor (família, amigos, conhecidos), trazendo preocupações ou sofrimento para qualquer um deles, é chegado o momento de buscar uma conselhamento médico psiquiátrico.

RC: Quais são as doenças que a psiquiatria trata?

Cecília: São inúmeras , dentre elas, algumas merecem destaque a depressão; ansiedade; transtorno do pânico; fobia social e fobias específicas; transtorno obsessivo-compulsivo; transtorno afetivo bipolar; esquizofrenia e outros transtornos psicóticos; transtorno do estresse pós-traumático; alterações do sono; alterações da personalidade; transtornos alimentares; disfunções sexuais e dependência de substâncias psicoativas.

RC: Consultado um psiquiatra, quais as alternativas de tratamento?

Cecília: Nem todos os pacientes com doença psiquiátrica precisam ser tratados com medicação. Em casos leves ou moderados, quando o impacto dos sintomas na vida social e profissional não é significativo, pode não ser indicado o uso de medicamentos. Além disso, quando a angústia do paciente está relacionada a alguma questão pontual de sua vida (como um luto,dificuldade em um relacionamento, estresse no trabalho), outras abordagens,como psicoterapia, podem ser mais apropriadas. É fundamental que os riscos e benefícios de cada tipo de tratamento sejam esclarecidos, para que a decisão possa ser tomada em conjunto com o paciente.

RC: São longos os tratamentos psiquiátricos?

Cecília: Depende de cada caso. Existem situações em que os sintomas aparecem de forma súbita, pela primeira vez, marcando uma mudança no padrão de vida daquele indivíduo. Há casos que são considerados leves e podem estar relacionados a um momento de vida específico, irão beneficiar-se de abordagens mais breves.

Por outro lado, algumas pessoas apresentam sintomas que as acompanham ao longo de anos. Isso pode acontecer, entre outras razões, quando nunca procuraram ajuda, quando o quadro não foi tratado de maneira adequada ou quando não houve adesão ao tratamento conforme a orientação médica. Nesses casos, ou em situações de um quadro recente, porém grave, pode ser necessário um acompanhamento mais longo.

RC: As medicações psiquiátricas causam dependência?

Cecília: Quando uma pessoa fica ”dependente” de um medicamento entendemos que ela “perdeu o controle” do seu uso. A dependência é caracterizada pelo fenômeno da tolerância (perda do efeito devido ao uso repetido, ou aumento da dose para obter-se o mesmo efeito) e pelos sintomas de abstinência.

Para consultas à médica psiquiatra Cecília Proença, ligue 2898-9696 ou acesse o site www.granmedic.com.br

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