No trabalho, os cientistas descobriram que pacientes infectados pelo novo coronavírus apresentam variações na concentração de seis substâncias (metabólitos) produzidas naturalmente pelo nosso corpo e que são encontradas no sangue: glicerol, acetato, 3-aminoisobutirato, formato, glucuronato e lactato. Durante as análises, os especialistas observaram que, quanto maior era o desequilíbrio na quantidade desses metabólitos no início da infecção, mais graves os quadros de saúde das pessoas se tornaram. “O que vimos em pacientes que evoluíram para casos graves de Covid-19 é que havia uma alteração mais acentuada na concentração desses compostos quando eles procuraram atendimento médico”, explica Banny Correia, pós-doutoranda do IQSC e uma das autoras do trabalho.
De acordo com o professor, o novo coronavírus provoca alterações em diferentes processos metabólicos do corpo humano, em especial nas vias de produção de energia, independentemente de qual seja a variante do Sars-Cov 2. “O vírus da Covid infecta a célula, altera o seu metabolismo e usa as vias energéticas para se replicar. A partir disso, ocorrem variações na quantidade daquelas seis substâncias, sendo que algumas têm sua concentração reduzida e outras aumentada. O grau de desequilíbrio na concentração desses compostos indica o quanto o metabolismo foi afetado, permitindo prever se as condições clínicas do paciente serão agravadas”, relata.
As análises das amostras de sangue foram feitas com o uso de uma técnica chamada Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear de Alto Campo, realizada a partir de um sofisticado equipamento presente em um dos laboratórios do IQSC. “É um aparelho tipicamente de pesquisa que foi utilizado para analisar o efeito da Covid-19 no metabolismo e estudar a severidade da doença no organismo humano. A avaliação, no entanto, também poderá ser feita por meio de exames clínicos simples realizados em laboratórios e hospitais, focando especificamente no painel de metabólitos identificados em nossa pesquisa. O resultado fica pronto rapidamente”, ressalta Banny.
A expectativa dos pesquisadores é de que o novo método se torne um protocolo adotado pelos hospitais no futuro. Para validar a técnica, nos próximos passos da pesquisa os cientistas planejam ampliar o número de amostras de plasma sanguíneo a serem avaliadas e incluir novos grupos no estudo, como o de vacinados que contraem Covid-19, por exemplo. Outra meta é englobar informações sobre gênero e idade nas estatísticas. “Além da Covid-19, esse tipo de análise poderá ajudar a descobrir metabólitos marcadores de predição de severidade em outras infecções virais e auxiliar uma resposta mais rápida em futuras pandemias”, conclui Daniel.
Pelo IQSC, também participaram do estudo o professor Emanuel Carrilho, os pós-doutorandos Mariana Almeida e Vinicius Ferreira e a doutoranda Priscila Piagge. O trabalho, que contou ainda com a colaboração de pesquisadores da Unifesp e da Faculdade de Medicina do ABC, teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP, Processo 17/01189-0), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio da Rede de Pesquisa em Metabolômica e Diagnóstico da Covid-19 (MeDiCo) USP/CAPES.














