O passado do futuro

Marcos Sá escreve como a tecnologia está revolucionando nossa vida.

Nicholas Negroponte, cofundador e diretor do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), já disse que a maioria dos produtos e serviços que utilizaremos nos próximos anos, ainda não foram inventados. Pode parecer exagero, mas a velocidade das mudanças nos ambientes digitais e tecnológicos é tamanha que até os profissionais da área reclamam que não conseguem acompanhar. Imagine os pobres mortais que lutam para sobreviver no emprego e pagar as contas no fim do mês. É a exclusão dos analfabytes, geração de usuários de informática com conhecimento básico e falho. Por mais que o acesso digital se popularize, a maioria dos usuários usa somente o bê-á-bá e se distancia das facilidades que a elite digital usufrui. Sabe aquela Smart TV que você tem e só usa o “on” e o “off ”? Ela tem inúmeros recursos que você nem imagina! Com paciência, você irá desfrutar de recursos espetaculares. E o aparelho de ar-condicionado que te dá um baile sempre que quer usá-lo? Idem. No celular, a maioria não usa 10% dos recursos e aplicativos disponíveis. E a cada dia novos modelos de diversos produtos são lançados com mais e mais recursos. É uma luta. Saímos da zona de conforto e partimos para a dominação dos recursos ou ficamos só no liga e desliga e passamos apuros sempre que precisamos apertar os botões do controle remoto ou dos teclados? Os mais velhos buscam socorro nos manuais, os jovens apostam na intuição e decifram tudo. E os bebês já nascem sabendo. Enquanto dormimos, o mundo se transforma e haja tempo e paciência para acompanhar. Vejam, por exemplo, as mudanças ocorridas nos últimos dez anos: o Spotify faliu a indústria fonográfica. A Netflix faliu as locadoras, ameaça Hollywood, está acabando com a TV paga e junto com o YouTube, pondo em risco as TVs abertas. O Booking dificultou a vida das agências de turismo. A Trivago obrigou os hotéis a serem mais competitivos. O Google e a Wikipédia acabaram com as enciclopédias, os dicionários faliram as companhias de listas telefônicas. O Whatsapp está complicando as operadoras de telefonia e o Skype, as mídias sociais dificultam a vida dos veículos de comunicação e os portais fecharam muitos jornais e revistas impressas. A OLX acabou com os classificados de jornais, as livrarias foram substituídas pela compra on-line, os shoppings e as lojas de departamento apanham do market place, o Uber deu um “chega pra lá” nos taxistas, a Yellow Bike está dificultando para o Uber, os smartphones acabaram com os telefones fixos, a Kodak e os laboratórios de revelação fotográfica. O Zip Car está complicando as locadoras de veículos. O Tesla, Zip Car e Uber estão complicando para as montadoras de veículos, os veículos híbridos já são um problema para as petrolíferas, e os veículos autônomos vão revolucionar toda essa cadeia. O Waze acabou com o GPS, mapas rodoviários e afins, os e-mails estão matando os Correios, os bancos digitais já ameaçam os  tradicionais, as criptomoedas vão revolucionar o mercado financeiro, os cartões de débito e crédito vão engolir o papel-moeda, o pagamento via celular vai complicar para os cartões, o Facebook complicou a vida dos portais de conteúdo, o Tinder mudou a forma de conquista e atrapalhou até as baladas, os prostíbulos foram afetados pelos sites de acompanhantes e os relógios de pulso já eram. E você mudou sua vida? Vai continuar com seu emprego da forma atual por mais quanto tempo? Vamos em frente, não porque atrás vem gente e sim porque tem muita gente na nossa frente!
 


Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas

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