Em um mundo pré-pandêmico, era bem comum ler artigos que afirmavam que os profissionais do futuro seriam mais habilidosos em demandas tecnológicas ou que exerceriam trabalhos mais analíticos que manuais e por aí vai. O que nenhum de nós imaginaria, porém, é que uma estávamos próximos de viver uma pandemia, que mudaria para sempre a forma como de trabalhar.
Claro que a pandemia não anulou a evolução tecnológica. Muito pelo contrário, uma vez que sem ela seria impossível permanecermos produtivos por tanto tempo. A grande questão, porém, é que os profissionais do futuro sob a ótica atual terão muitas outras habilidades além de ser apenas mais analítico ou de dividir boa parte da sua demanda com máquinas. Com aproximadamente dois anos de pandemia, já é possível vislumbrar outro tipo de profissional: o que aprendeu, dentre tantas experiências, permanecer concentrado, quando o ambiente ao redor pede descontração, no home office.
O home e o office
Se por um lado, 60% da população teve a sua primeira experiência de home office no último ano, por conta do distanciamento social, conforme a pesquisa da EDC Group, por outro, é cada vez mais comum que para os próximos meses a gente nunca mais trabalhe no mesmo formato presencial.
Um levantamento chamado “Esperanças e Temores 2021, da PwC, nos mostra que somente 9% das pessoas que podem trabalhar remotamente desejam voltar a se deslocar para um ambiente de trabalho todos os dias e 72% dos entrevistados que podem trabalhar remotamente afirmaram preferir uma mistura de trabalho presencial e remoto.
Ainda nesse campo, outro levantamento, dessa vez realizado pela consultoria Robert Half, mostra que, se o home office fosse proibido, 40% dos entrevistados prefeririam mudar de emprego. Ou seja, ao que tudo indica, o modelo híbrido de trabalho será prioridade para boa parte dos trabalhadores. Assim, uma das principais características do profissional do futuro é a responsabilidade de equilibrar a vida entre o home do office.
Saúde mental
Outra característica que será frequente nesses profissionais do amanhã será o cuidado com a saúde mental. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% da população brasileira é ansiosa, número equivalente a 18 milhões de pessoas.
Isso nos rende o reconhecimento como o país mais ansioso do mundo. Com a pandemia esse número aumenta ainda mais, uma vez que a atmosfera ameaçadora da doença, somado ao isolamento social e a sensação de incerteza econômica compõe um combo potente contra a saúde mental. Segundo a Organização Pan-Americana da saúde, 53% dos brasileiros afirmaram que seu bem estar mental piorou em 2020.
Nomadismo digital
Se em outros tempos o termo “nômade digital” era direcionado apenas para aquela parcela da população recém-formada que sonhava em trabalhar da praia, hoje, pode-se afirmar que a maioria da de nós já aderimos ao nomadismo – mesmo que de maneira obrigatória. Assim, é possível afirmar, que a preocupação por um escritório físico não será mais latente nos trabalhadores do futuro.
Aprendemos a trabalhar de diferentes maneiras e lugares. Segundo um levantamento do OOND, por exemplo, é possível identificar que até as salas de reunião, que até então eram destinadas a encontros pontuais, se tornaram escritórios por um dia de diferentes empresas. Além disso, é cada vez mais comum observar notícias de profissionais que, graças ao trabalho remoto, puderam se mudar das grandes metrópoles onde estava instalada a sede das empresas. De acordo com uma pesquisa da Ticket, 28% dos participantes já consideravam mudar para outra cidade no final do ano passado.
Ou seja, as tendências apontam que o comportamento dos profissionais do período pós-pandêmico será ainda mais voltado também a sua individualidade. Como assim? Claro que estamos falando de trabalhadores mais conectados com a tecnologia e afins. Mas, a pandemia também trouxe uma visão diferente de acessibilidade, pertencimento, saúde, carreira e gestão,
Será necessário que as empresas tenham grandes sedes, quando a maioria dos colaboradores preferem ficar em casa? Seria então os escritórios compartilhados um novo formato de benefício para além do vale-refeição? Penso que qualquer resposta no momento atual pode ser pouco efetiva, visto que ainda estamos em processo de mudança. Mas, uma coisa é certa: não voltaremos mais ao que era antes.













