Mais comentada do que conhecida, e menos estudada do que merece por sua relevância superlativa, a Reserva Florestal do Morro Grande, um fragmento de Mata Atlântica, com quase 11 mil hectares (ou 106 km², equivalente a um terço da cidade de Cotia) importantíssimo para a ecologia da Grande São Paulo por estar conectada a diversas áreas florestais do bioma Mata Atlântica, ganhou finalmente um site para chamar de seu.

A geógrafa Helga Grigorowitschs e o biólogo Rafael Eichemberger Ummus produziram o site Observatório da Reserva Florestal do Morro Grande, com o objetivo de prover de informações não só o cidadão comum interessado na qualidade de vida e na preservação da Mata Atlântica, mas também professores que pratiquem educação ambiental, pesquisadores, jornalistas, ONGs e todos que busquem informações mais precisas e necessárias sobre o local.

Rio Cotia, limpo dentro da Reserva

O site contém mapas detalhados do Alto Curso da Bacia Hidrográfica do Rio Cotia, do qual a Reserva é elemento essencial. Sob gestão da Sabesp, empresa de saneamento que pertence parcialmente ao governo do Estado de São Paulo, a Reserva produz a água mais pura que serve aos mananciais da Grande São Paulo, porque as nascentes que a geram estão dentro da própria área.

Também traz matas dos grandes fragmentos do Estado de São Paulo que se conectam à Reserva, fotos do local, documentos oficiais sobre a área (tal como o decreto de criação da reserva e outros), links para textos acadêmicos, uma biblioteca e uma videoteca.

Recentemente, os movimentos da sociedade civil em defesa da Reserva se mobilizaram para entender que destino a Sabesp pretende dar à área. Isso porque a Fundação Florestal lançou em maio de 2021 três consultas públicas sobre minutas de editais cujo objetivo é transformar áreas do Morro Grande em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). Porém, há ainda muitos detalhes controversos sobre como isso se daria e se essa é a melhor proposta para a preservação da área.

Está agendada para janeiro uma reunião dos movimentos com representantes da SABESP para a busca de mais informações.


Leia abaixo a entrevista exclusiva com os produtores do site, Helga Grigorowitschs e Rafael Eichemberger Ummus

Por que foi necessário fazer um site para o Morro Grande?
A ideia central é divulgar a existência da Reserva do Morro Grande, suas características e importância para a região. Ela é a maior área de Mata Atlântica contínua no oeste da Região Metropolitana de São Paulo, e desempenha importantes funções climáticas, ecológicas e sociais, pois é um sistema produtor de água que abastece milhares de pessoas. Essa água possui os melhores índices de qualidade da região, pelo fato da área estar localizada numa bacia hidrográfica preservada.  Muito conteúdo já foi produzido sobre a Reserva, principalmente a partir de estudos científicos, mas também há vídeos, informações sobre seu histórico etc. Então outro objetivo do site é reunir o material já produzido ou indicar onde ele pode ser acessado, assim como acompanhar as diversas ações em prol da conservação da área.  No site procuramos definir um formato adequado para o público em geral, moradores, alunos e professores nas escolas, privilegiando mapas, figuras e fotos ilustrativas dos assuntos tratados. Mas ainda estamos aprimorando e abertos a sugestões.

Como tem sido o movimento em defesa da Reserva e de criação do Parque?
A Reserva Florestal do Morro Grande tem uma história interessantíssima de mobilização social por sua preservação. Um marco foi a mobilização em reação à proposta de criação de um aeroporto na região, décadas atrás. Mais recentemente, veio o interesse pela pesquisa científica na área. E, nos últimos anos, tem-se formado uma rede dinâmica de pessoas interessadas na sua preservação. Já ocorreram encontros, passeios e reuniões para tratar dessa questão. É uma alegria encontrar na região pessoas com os mesmos propósitos e formar parcerias. Estamos num momento bastante ativo, analisando e conversando sobre mecanismos que garantam a preservação da Reserva como um todo. A criação de um Parque Estadual tem sido considerada como um caminho possível, pois seria uma categoria de Unidade de Conservação de Proteção Integral que prevê usos indiretos como o turismo e educação ambiental e assegura a participação da sociedade em sua gestão, por meio da elaboração do Plano de Manejo e do Conselho da Unidade.

Quais são as atuais preocupações de vocês em relação à Reserva?
Não desejamos que ocorram retrocessos em relação ao status de conservação da área. Qualquer proposta de mudança precisa ser muito bem pensada e ir na direção da proteção integral da Reserva. A forma de ocupação do entorno também é uma preocupação, pois não adianta que a Reserva seja preservada mas se torne uma ilha em meio à mancha urbana em expansão. No entorno, cabe ao poder público municipal planejar o uso e ocupação das terras de forma a intercalar áreas ocupadas e áreas naturais com cobertura vegetal nativa, de forma equilibrada.

SERVIÇO
Site Observatório da Reserva Florestal do Morro Grande

www.observamorrogrande.com.br

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