A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou como pandemia a Covid-19, doença causada pelo coronavírus, e isso chacoalhou a vida de todo mundo. Isolamento social, medo e incerteza com o futuro, esses e outros fatores já estão culminando em transtornos de ordem psicológica.
“A nossa rotina externa nos foi usurpada. Todos os subterfúgios de fuga da realidade da nossa mente parecem ter perdido a possibilidade de existir”, comenta Neide Aparecida Piva. Para ela, somos chamados a estarmos presentes na realidade e a vida parece nos “gritar”: O que estamos fazendo de nós mesmos? Estamos vivendo na plenitude do nosso potencial? Como nos sentimos com relação ao rumo das coisas que nossa vida toma? Estamos contentes? Somos fiéis aos nossos sonhos e a nossa essência? Qual o sentido e o valor que damos a vida? Como encarar o fato de que esse vírus desconhecido e cruel, de repente, nos coloca de forma taxativa diante da finitude da nossa vida? “Muitos irão se deparar com uma enorme frustração, que poderá resultar em raiva, em ira e na intolerância. Percebemos então, que a vida é impermanência e que nosso controle é ilusório. Temos que encontrar forças para abrir caminho para as mudanças, que inevitavelmente, irão acontecer”, responde.
Difícil compreender, aceitar e agir diante da pandemia do coronavírus. “O primeiro impulso é negar porque lidar com a realidade dos fatos, dói. Contudo, agir de um modo ou outro é inevitável e importantíssimo para nossa sociedade, amigos, familiares e autocuidado. Em meio a situações como estas há diversas emoções e comportamentos que precisam ser cuidados e observados porque nos levam a altos níveis de estresse que podem afetar nossa saúde mental e, em consequência, nossa saúde física, baixando nossa imunidade”, comenta Regiane Machado.
“Se não cuidarmos adequadamente, os efeitos do isolamento em nossa saúde mental são significativos. Pesquisas indicam que 31% das pessoas tiveram depressão após isolamento, durante a epidemia da SARS, em 2002”, informa a psicóloga Ana Luiza Bortolato. Alguns transtornos que podem ser desencadeados são ansiedade, pânico e depressão, além de elevar o nível de estresse, sentimento de incerteza, de tédio e de solidão. “Com o mal-estar psicológico que pode se instalar, nossa capacidade de adaptação e reação ao estresse do confinamento ficará fragilizada, produzindo respostas fisiológicas e emocionais que podem impactar nosso sistema imunológico e a condição de equilíbrio mental para enfrentamento de situações adversas”, comenta a psicóloga Edna Pereira Torrecilha. Por isso, nos momentos que experimentar maior angústia, procure falar de suas preocupações com pessoas de sua proximidade. “Ao buscarmos as pessoas significativas, renovamos as sensações de confiança e cumplicidade, o que está ligado ao aparecimento dos sentimentos de pertencimento e de proteção, resultando em uma maior percepção de amparo social”, completa Edna.
Existem algumas estratégias para preservarmos a saúde metal durante essa pandemia e a psicóloga Monare Nogueira da Silva enumera: “a primeira delas é filtrar as informações e buscar fontes confiáveis, uma vez que notícias falsas podem aumentar a ansiedade e incertezas sobre o assunto. É importante aceitar que, neste momento, todos nós precisamos mudar nossa rotina. Então, vamos focar em atitudes positivas, aproveitar para organizar a casa, fazer atividades prazerosas, cozinhar em família, conversar sobre as emoções, meditar, cuidar da alimentação, ler e etc. Manter uma rotina de trabalho e estudos em casa também é importante para um bom rendimento e ocupação”.
E Neide completa: “precisamos manter o equilíbrio, o discernimento, cuidar da qualidade e quantidade de informações que nos chegam”. É importante estabelecer uma rotina com horários e tarefas definidas para não perder a produtividade. Criar um ambiente agradável e saudável para realização das tarefas profissionais e pessoais e, assim, preservar o equilíbrio das relações entre o trabalho em home office e o convívio com a família. “Aproveite o tempo disponível para estar mais próximo de quem ama, e de reestabelecer vínculos importantes”, ressalta Roseli Di Mauro. Opinião corroborada por Cintia Baraúna: “Vamos aproveitar agora para aprofundar essas relações. Vamos nos olhar mais, olhar nossa casa, nossa família e pensar em valores reais. Tome sol, caminhe, sorria, pense positivo e aproveite esse momento com você e com sua família”.
Cintia também dá a dica de fazer um vidro de pensamentos positivos. “Escreva e coloque seus pensamentos positivos lá. E quando não estiver bem, escreva também. Tenha um caderno para esses momentos. Crie grupos no WhatsApp de amigos e familiares, onde você pode conversar e assim não se sentirá tão sozinho”, instrui.
Élen Jane Santoro mostra que a respiração também pode ser eficaz nos momentos angustiantes. “Essa pandemia pede mudanças: econômicas, afetivas, relacionais, individuais e coletivas agora. Mas não podemos nos deixar paralisar pelo medo, angústia e ansiedade, é hora de ativar o que há de melhor em nós: a solidariedade, a compaixão, o amor próprio, a esperança, independente de religião, gênero ou orientação sexual. Se a ansiedade e o medo o invadirem, respire – lenta e suavemente, inspire devagar e expire mais lento ainda. No começo será difícil mas persista. Coloque uma música que goste e que o acalma. Pense nas coisas que gosta. Faça planejamentos para quando tudo isso passar que o deixarão feliz”, ensina.
E cuidar, acima de tudo, para que o sistema imunológico fique fortalecido. E isso é possível através de atividades físicas, meditação, leituras interessantes, cursos on-line e uma boa alimentação. “Aproveite para fazer atividades que lhe deem prazer, tais como ouvir música, estudar, assistir a um bom filme com a família, ler livros de assuntos diversos”, enumera Silvia Regina Torrentes.
E não se esqueça de que, como tudo na vida tem um começo, meio e fim, logo tudo isso irá passar. “Relembre, inclusive, de outros momentos difíceis pelos quais já passou e de como os superou. Pense que há muitas pessoas das mais diversas áreas empenhadas em encontrar soluções para o que estamos vivendo. Faça a sua parte em tudo que pode e não responsabilize o outro pelo que é seu. Logo, tudo isso vai passar”, comenta Roseli Di Mauro.
Por fim, seja solidário, pense coletivo. Estas atitudes são benéficas a quem recebe e a quem oferece. Somos tomados pelo senso de pertencimento, responsabilidade e amor ao coletivo”, finaliza Ana.
Dicas das psicólogas para manter a saúde mental em ordem
- Você está em home office e precisa manter a rotina de trabalho, mas não deixe de reservar um tempo salutar para estar, realmente, presente na convivência com seus entes mais próximos, ofereça seu melhor as outras pessoas e a si mesmo. Transforme esses momentos em algo positivo para todos.
- Esse é um momento para curar relações. Relações com os outros, mas principalmente, consigo mesmo.
- Permita-se interiorizar-se! Como esse é um processo, por vezes muito difícil, busque ajuda de um profissional em psicologia.
- Reflita e identifique quais sentimentos estão aflorando diante dessa ameaça. Compartilhe com as pessoas mais próximas os sentimentos que vem vivenciando. Ao falar e criar condições de ouvir o outro, perceberá que não está sozinho, e provavelmente essas pessoas estarão sentindo algo semelhante, e isso pode ser reconfortante.
- Pense que tudo na vida tem começo, meio e fim, e que tudo isso vai passar, relembrando, inclusive, de outros momentos difíceis pelos quais já passou, e de como superou.
- Exercite a ideia de que podemos ter bons aprendizados, mesmo diante da dificuldade e do sofrimento.
- Aproveite o tempo disponível para estar mais próximo de quem ama, e de reestabelecer vínculos importantes;
- Utilize as redes sociais como aliadas, e não como fonte de disseminação do pânico. Informe-se, mas tome cuidado com falsas informações que podem circular, e mais, se atente para a quantidade de tempo e energia que você dispensa acessando e comentando sobre estas informações. Limite-se a ouvir notícias sobre o assunto durante um período de, aproximadamente, uma hora por dia.
- Aproveite o tempo para fazer o que normalmente a rotina comum não permitiria. Pense em novas atividades: meditação, exercícios de respiração, leitura daquele livro que te aguarda há meses, assistir a um filme ou série, se dedicar a algo como um texto, pintura ou, desenho. Enfim, qualquer ocupação que traga prazer e bem-estar.
- Coloque em ordem a casa em que reside, visto que refletimos em nossos lares tudo o que existe em nós. Organize os armários e procure doar tudo que não usa mais. Cuide do jardim.
- A rotina precisará ser repensada e readaptada. Restabelecer uma nova rotina requer compreender o que está motivando as mudanças, persistência e paciência.
- Estabeleça uma rotina para realizar as tarefas do dia a dia, com horários fixos para cada atividade do dia. Não permita que a quarentena inunde seus dias com falta de sentido. Focar nas tarefas do dia a dia mantém nossa atenção no presente, o que ajuda a aliviar sintomas ansiogenos.
- Cozinhe. Faça receitas diferentes.
- Brinque com seus pets.
- Alimente-se bem.
- Lembre se: tudo passa, absolutamente tudo – alegrias e tristezas.
- Pense no que pode aprender e mudar com essa oportunidade.
Busque ajuda, sempre que necessário
A prestação de serviços psicológicos por meio de tecnologias da informação e da comunicação é regulamentada pela Resolução CFP nº 011/2018. Basta agendar a sessão e estar em um lugar sem interferências ou circulação de pessoas para manter o sigilo profissional e o bom andamento da sessão.
Ana Luiza Bortolato – CRP 06/124406
Psicóloga e acupunturista
(11) 99375-8482
Cintia Baraúna – CRP 06/16056
Psicóloga e pedagoga
(11) 99652-4849
Edna Pereira Torrecilha – CRP 06/133023
Psicóloga clínica, psicanalista e jurídica
(11) 9 60601507
Élen Jane Santoro CRP 06/43947
Psicóloga e sexóloga
(11) 9 6418-7447
Monare Nogueira da Silva – CRP 06/117745
Psicóloga
(11) 9 8348-8782
Neide Aparecida Piva – CRP 06/155375
Psicóloga
Tel.: (11) 97621-9252
Regiane Machado – CRP 06/97921
Psicóloga e Neuropsicóloga Clínica
Tel: (11) 972680853
Roseli di Mauro – CRP 06/31865-8
Psicóloga
Tel. (11) 9 9611-9880
Silvia Torrentes – CRP 06/143063
Psicóloga
Tel.: (11) 9 9760-9994
Por Juliana Martins Machado














