Na manhã desta quarta-feira (06/08), o Senai Cotia recebeu a 13ª edição do Café Ambiental, promovido pelo Grupo de Sustentabilidade (GS) do CIESP-Cotia. Apresentado por Mauro Daffre, coordenador do GS, o evento reuniu cerca de 120 participantes entre autoridades, empresários, empreendedores e representantes da sociedade civil, em uma programação que trouxe como destaque as expectativas para a COP 30, além de temas como saúde mental nas empresas, reforma tributária e imposto verde, protagonismo jovem e a troca de saberes sustentáveis entre gerações.

Mauro Daffre com a Abadessa MiaoYou e um importante visitante taiwanês

O encontro também contou com a presença especial da Abadessa MiaoYou, do Templo ZuLai, anfitriã do 12º Café Ambiental, que agradeceu a participação do público na edição anterior, e do pesquisador taiwanês Chi Wei Hsian, da Academia Sinica, em visita ao Brasil para pesquisas sociológicas no Templo Zu Lai.

Conexão entre grandes empresas e pequenos negócios

A abertura do evento contou com a presença de diversas autoridades locais, como o Secretário Adjunto da Indústria e Comércio, Dr. Ricardo Monteiro, que trouxe um importante anúncio para os empreendedores da cidade. Em sua fala, ele destacou a responsabilidade coletiva em adotar práticas sustentáveis e revelou um novo projeto da Secretaria que visa impulsionar a economia local.

“Desenvolvemos um projeto de um megaevento, que reunirá, no final do ano, as maiores empresas de Cotia, como empresas âncoras. Essas empresas estarão interessadas em captar e contratar serviços de micro e pequenas empresas da cidade”, anunciou Monteiro.
Inspirado no formato dos Feirões de Emprego já realizados na cidade, o projeto busca aproximar os mais de 30 mil micro e pequenos empreendedores dos grandes players do setor industrial e comercial local. A iniciativa deverá ampliar oportunidades de negócios e consolidar uma nova dinâmica de desenvolvimento econômico sustentável.
“A prática ESG não é mais uma opção, é uma exigência. A sustentabilidade precisa começar em cada um de nós e dentro das nossas empresas”, reforçou o secretário.

Emprego, qualificação e inclusão social

O Secretário do Trabalho e Renda, Dr. Michel, também participou da abertura do evento e ressaltou os esforços da gestão do prefeito Welington Formiga em qualificar e preparar os cidadãos de Cotia para o mercado de trabalho. “Cotia é uma cidade que tem vagas de emprego. O nosso desafio não é encontrar vagas, mas qualificar as pessoas para ocupá-las”, afirmou.

Ele anunciou a realização do 4º Feirão do Emprego, que acontecerá no próximo dia 16 de agosto, voltado ao público 18+, especialmente para o primeiro emprego. O secretário também comentou os avanços no projeto de criação de escolas de capacitação profissional e o fortalecimento de iniciativas ligadas à agricultura familiar e à preservação ambiental em Caucaia do Alto.

Os desafios da COP 30

 

Sonaidy Lacerda trouxe informações importantes sobre a COP 30 e aquecimento global.

O grande destaque da manhã foi uma palestra extremamente relevante de Sonaidy Lacerda, gerente de Sustentabilidade nas Américas da Spirax Sarco e coordenadora de planejamento do Café Ambiental. Com linguagem acessível e conteúdo de alto impacto, ela trouxe dados alarmantes e reflexões necessárias sobre a COP 30, que será realizada em novembro deste ano no Brasil, em Belém do Pará.
“Estamos a 1.3°C acima da temperatura média dos níveis pré-industriais. O limite é 1.5°C, e a situação já é crítica”, alertou.

Sonaidy destacou ainda que o Brasil, embora seja um dos países com maior biodiversidade do mundo, ainda explora pouco seu potencial de forma sustentável, e defendeu a bioeconomia como um caminho possível. “O açaí sozinho já movimenta US$ 1 bilhão por ano. Temos margem para fazer muito mais com responsabilidade ambiental.”

Ela também enfatizou que a COP 30 será um divisor de águas para a agenda climática global, tratando de temas como financiamento climático, energias renováveis, adaptação, justiça climática e preservação das florestas. “Precisamos manter a esperança e sermos protagonistas nesta COP 30. A mudança climática é real, mas a nossa capacidade de transformar também é”, concluiu, sob aplausos da plateia.

Saúde mental como estratégia empresarial

 

Dr. Augusto Goldoni abordou a NR-1 e a saúde mental nas empresas

Outro destaque da programação foi a palestra do psicólogo, psicanalista e escritor Augusto Goldoni, especialista em saúde emocional nas organizações. Ele abordou a Norma Regulamentadora NR-1, que passou a tratar os riscos psicossociais com o mesmo nível de importância dos riscos econômicos nas empresas.
“Ansiedade, opressão, sobrecarga, burnout… tudo isso são sintomas que têm origem no ambiente de trabalho. Cuidar da saúde mental não é custo, é estratégia, cultura e legado”, afirmou Goldoni.

Segundo o especialista, a NR-1 é obrigatória para todas as empresas a partir de um funcionário e exige que sejam identificados e mapeados os fatores que possam afetar a saúde mental dos colaboradores.

“Nenhuma organização pode buscar excelência se não pensar nas pessoas. O seu trabalho precisa ser fonte de vida, não apenas de renda. Se não for um ambiente saudável, vai gerar adoecimento.”

Goldoni ainda alertou que a saúde mental já é a terceira maior causa de afastamento nas empresas, com aumento de 50% após a pandemia. Ele defendeu que as lideranças olhem para dentro de suas empresas e invistam em ambientes mais saudáveis, o que, segundo ele, resulta em maior engajamento, produtividade, reputação de marca e atração de investimentos.

Reforma Tributária e o Imposto Verde

 

Dra. Nayhara Cardoso, sócia-diretora da RGL Advogados com Mauro Daffre

A pauta fiscal também teve espaço no evento com a palestra da advogada Nayhara Cardoso, sócia-diretora da RGL Advogados, que apresentou o tema: “Reforma Tributária e o Imposto Verde: você sabe o que isso significa?”

Nayhara destacou os principais impactos da nova legislação tributária sobre as empresas, que já passa a valer no ano que vem e deu ênfase ao Imposto Seletivo, também conhecido como Imposto Verde, que deverá incidir sobre produtos ou processos que gerem danos ao meio ambiente.

A advogada também abordou como a nova estrutura tributária pode se tornar uma ferramenta para promover a economia circular e incentivar a adoção de práticas mais sustentáveis no setor produtivo. “Todos os serviços relacionados à área ambiental, de biocombustíveis, produtos sustentáveis, energias renováveis, terão redução de alícotas em 60% para estimular que as empresas produzam estes produtos e que nós compremos estes produtos para que fique melhor o nosso meio ambiente”, explicou.

E fez com que a plateia de empresários questionasse as suas próprias práticas sustentáveis. “Hoje a gente já pode mapear os impactos ambientais e tributários das nossas operações e das nossas cadeias de fornecedores”, disse. “Qual é o impacto ambiental do que eu produzo? Eu tenho práticas sustentáveis na minha empresa? Eu tenho ESG? Eu só tenho no papel? Eu tenho na prática? Tudo isso a gente tem de questionar”, orientou. Segundo ela, a tendência é que nos próximos anos, as empresas que não se adequem a práticas sustentáveis paguem cada vez mais impostos e tenham cada vez menos benefícios fiscais, além de deixar de cuidar da nossa própria casa que é o Planeta Terra.

EcoGeração: Educação e Ação Socioambiental

Gabriela Lima apresentou o projeto EcoGeração: Educação e Ação Socioambiental

Pra encerrar a manhã, a estudante Gabriela Lima, estagiária de Engenharia Ambiental da empresa Geka do Brasil, ainda falou sobre o protagonismo jovem em sustentabilidade com a palestra EcoGeração: Educação e Ação Socioambiental, que apresentou um projeto que conecta diferentes gerações, os mais velhos e os jovens, por meio de oficinas criativas, rodas de conversa sobre sustentabilidade, com objetivos ecológicos. “Essas ações contribuem para formar uma comunidade mais saudável, solidária e inspiradora para outras iniciativas”, explicou.

“A cada oficina, novas ideias surgem, conexões se fortalecem e a vontade de expandir aumenta até porque a sustentabilidade só acontece quando a gente caminha junto.”

O 13º Café Ambiental mostrou, mais uma vez, que Cotia está se consolidando como referência na promoção de uma cultura empresarial sustentável, humana e conectada aos grandes desafios do nosso tempo. Em um mundo que clama por ação, encontros como esse demonstram que é possível unir poder público, setor privado e sociedade civil em torno de soluções reais e transformadoras.

Por Mônica Krausz

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