O auditório do Senai Ricardo Lerner, em Cotia, recebeu nesta quarta-feira (04/02) o 16º Café Ambiental do GS Ciesp-Cotia, encontro bimestral que, em junho, completará seu terceiro aniversário e segue se firmando como um dos espaços mais consistentes de conexão entre gestão pública, setor produtivo e sociedade civil na agenda socioambiental da região.
Com organização e apresentação de Mauro Daffre, o evento manteve a marca que o consolidou: diversidade de temas, falas objetivas, visão prática e abertura para parcerias — um formato que transforma informação em articulação e ação.

O encontro desta semana contou com a presença de lideranças públicas e institucionais, entre elas: Dra. Raquel Lascane, Secretaria do Meio Ambiente de Cotia e também presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Agropecuária de Cotia; Wagner Neves, secretário adjunto de Meio Ambiente; Ricardo Monteiro, secretário adjunto de Indústria e Comércio; Noemia Gaia, secretária adjunta de Assuntos Institucionais e Lenita Medeiros, vice-presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Agropecuária de Cotia.
Povos indígenas: cultura, políticas públicas e inovação

A pauta de inclusão ganhou densidade com Fernanda Manzoli, vice-presidente da AUPI (Aliança Universidade e os Povos Indígenas), ao apresentar projetos que buscam parceiros para construir soluções com foco em memória, formação, cultura e tecnologia.
“Buscamos parceiros, não só para recursos financeiros, mas para construirmos juntos soluções para os povos indígenas.”
Fernanda Manzoli, vice-presidente da AUPI
Ela destacou a elaboração do Observatório indígena de saberes ancestrais e a dimensão do tema em São Paulo. “O Observatório é um museu virtual, uma plataforma com metaverso, tecnologia de ponta para salvaguardar toda a cultura dos indígenas do Estado de São Paulo, principalmente dos Guaranis.” Ela lembrou que a maioria dos recursos para povos indígenas vão para as etnias do Norte do país, mas que São Paulo é a segunda cidade brasileira com o maior número de indígenas.
Mobilidade e ODS: a bicicleta no centro da conversa

Outro painel interessante foi apresentado pelo cicloativista Manoel Lopes, que elencou as vantagens da bicicleta para alcançar os ODS da ONU, lembrando que mobilidade também é saúde, inclusão e redução de emissões e que o relógio para o cumprimento das metas está correndo com muito atraso.“Faltam apenas 4 anos… cumprimos apenas 17% até agora.”, lembrou Lopes.
“Vocês já pararam para pensar que a solução para os maiores desafios do nosso temp pode estar em algo tão simples como uma bicicleta?”
Manoel Lopes, cicloativista
Ele também trouxe o recorte local, falou do potencial esportivo e turístico de Cotia em relação ao ciclismo, mas destacou a falta de ciclovias e o medo que os ciclistas ainda têm de serem roubados ou atropelados nas vias da região.
Acessibilidade como estratégia de produtividade e cidadania

A arquiteta e urbanista Mel Godoy, especialista em acessibilidade e desenho universal, disse que o tema deve ser abordado com visão de gestão — e não como “adaptação de última hora”. Ela lembrou o tamanho do público impactado no município. Em Cotia nós temos mais de 20 mil pessoas com deficiência, de acordo com dados da Secretaria da Mulher, Neurodiversidade e Inclusão Social.
Na prática, sua defesa foi direta: desenhar ambientes melhores para todos e não apenas apenas para atender às leis de acessibilidade para pessoas com deficiência deve ser um política pública.
“Eu não defendo só a acessibilidade, mas o princípio do desenho universal, projetos que atendam a todas as pessoas.”
Mel Godoy, arquiteta e urbanista
Justiça climática: quando a crise aprofunda desigualdades

Outro tema impactante foi abordado pela advogada Cristiane Marion Barbuglio, da Comissão Especial do Clima da OAB/SP, que trouxe o conceito de justiça climática como eixo que une meio ambiente, direitos e vulnerabilidades. Ela reforçou que os impactos são desiguais e atingem com mais força quem já vive em condição de risco — especialmente mulheres e meninas em contextos de fragilidade social.
“A justiça climática envolve meio ambiente, justiça social e direitos humanos.”
Cristiane Marion Barbuglio, OAB/SP
Eficiência e sustentabilidade
O empresário Amauri Reis, CEO da Endoquímica Tratamento de Águas, apresentou a lógica do uso eficiente da água como alavanca ambiental e operacional, com foco em diagnóstico e soluções sob medida para diferentes processos industriais.

Já o arquiteto e urbanista Fernando Confiança, membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Agropecuária de Cotia e presidente da SOMOS COTIA, conectou biodiversidade e mobilidade à qualidade de vida e ao planejamento urbano — e sintetizou em uma frase, uma ideia que atravessou diversas falas do encontro.
“A cidade não é para os automóveis, é para as pessoas.”
Fernando Confiança, SOMOS COTIA
Ao usar as abelhas nativas como metáfora de organização colaborativa e sustentabilidade, Fernando puxou a discussão para a escala cotidiana: deslocamentos longos, congestionamentos e serviços distantes como sinais de um território sob estresse.
“Pegar quarenta minutos de trânsito para ir ao trabalho ou para levar o filho à escola já é insustentável.”, ressaltou.
Por Mônica Krausz












