“O que você quer ser quando crescer?” — a pergunta ganha novas camadas de complexidade na exposição “O Futuro das Profissões”, que será exibida até 16 de novembro no Espaço de Exposições do Centro Cultural Fiesp, em São Paulo. Gratuita e interativa, a mostra convida o público a imaginar os caminhos possíveis no mundo do trabalho, em constante transformação. A iniciativa é do museu SESI Lab, em Brasília, que chegou a receber 170 mil visitantes durante a temporada na capital federal.
Uma pesquisa recente realizada pelo Institute for the Future aponta que 85% das profissões que existirão em 2030 ainda nem foram criadas. “A velocidade e a sofisticação das inovações tecnológicas são responsáveis por este percentual que desafia o presente a imaginar como será o futuro do trabalho e das profissões. As transformações nas profissões não ocorrem de maneira linear nem homogênea. Alguns marcadores regionais e sociais definem muito do que cada um ‘vai ser quando crescer’”, afirmam André Couto, Maria Carla Corrochano e Paulo Pontes, que assinam a curadoria.
Na exposição, fica claro que as transformações não ocorrem de forma igualitária — gênero, raça, classe, território e escolaridade seguem ditando quem acessa determinadas profissões. Em tempos de avanços tecnológicos e desafios globais como as mudanças climáticas e as pandemias, o trabalho se torna cada vez mais imprevisível — mas também repleto de novas possibilidades.
Acessível e provocativa, a mostra articula passado, presente e futuro, a partir de dados, experiências reais, interações digitais e conteúdos informativos sobre profissões que estão desaparecendo, se reinventando ou nascendo diante de novas tecnologias e modos de vida.

POR DENTRO DA MOSTRA
Organizada em cinco módulos, a exposição conduz os visitantes por uma jornada de reflexão, informação e interação sobre os caminhos do trabalho. Em “Percursos do presente”, o público confere um conjunto de painéis giratórios que revelam a diversidade das trajetórias profissionais.
A proposta é mostrar que essas jornadas não se constroem apenas a partir de escolhas individuais, mas são influenciadas por fatores históricos, condições sociais, relações familiares e desigualdades de gênero, raça, território e classe. O visitante é convidado a refletir sobre como essas variáveis interferem nas possibilidades de acesso, permanência e mobilidade no mundo do trabalho.
No módulo seguinte, “Futuros pretéritos”, há um mergulho nas projeções e utopias do passado que tentaram imaginar o porvir das profissões. Por meio de uma linha do tempo desconstruída, o percurso provoca o visitante a pensar sobre a imprevisibilidade dos cenários futuros, os limites das previsões e a identificar tendências.

“O tempo das coisas” apresenta um grande painel interativo e acessível, que conecta produtos do cotidiano, cadeias produtivas e profissões envolvidas em sua criação. A partir do mapa do trabalho produzido pela Unidade de Estudos e Prospectiva (UNIEPRO), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o visitante compreende como diferentes ocupações se articulam e como as demandas do presente podem antecipar profissões futuras.
Em “Aprender a aprender”, a mostra destaca a importância das múltiplas formas de aprendizado como caminho para o desenvolvimento de habilidades essenciais. Depoimentos de personalidades de diferentes áreas do saber — empírico, científico, filosófico e espiritual — reforçam o valor da educação contínua e da construção coletiva do conhecimento como base para o exercício pleno da cidadania e da atuação profissional.

O módulo “O futuro do presente” propõe uma experiência interativa e divertida. Por meio de um quiz, o visitante descobre qual seria o seu “perfil profissional do futuro”, com base em suas respostas. Ao final da atividade, é possível tirar uma foto e receber uma sugestão de profissão conectada a tendências emergentes. É um convite para imaginar com leveza, mas também com profundidade, os próximos passos no mundo do trabalho.

Segundo Cláudia Ramalho, superintendente de Cultura do Serviço Social da Indústria (SESI), a exposição tem uma dimensão lúdica e apresenta uma reflexão importante. “Fazemos parte do SESI, uma instituição importante que trabalha com educação. Por isso, é importante levar para os visitantes quais competências precisam ser desenvolvidas para esse futuro das profissões. O conhecimento é central, porque, mesmo com a inteligência artificial, se o profissional não souber fazer as perguntas certas, não vai ter as soluções esperadas. A grande mensagem é essa: quais competências precisamos desenvolver para estarmos aptos a exercer essas profissões do futuro”, afirma.
“No SESI-SP, acreditamos na potência da arte como ferramenta de transformação e de escuta ativa. Com a exposição “O Futuro das Profissões” somos convidados a considerar cenários possíveis para o futuro, principalmente o avanço tecnológico. Assim, reiteramos o nosso compromisso em promover um espaço para reflexões. Seguimos firmes no propósito de democratizar o acesso à cultura de qualidade e de promover experiências significativas para todos os públicos, sempre com entrada gratuita e incentivo ao pensamento crítico”, comenta a gerente executiva de Cultura do SESI-SP, Débora Viana.
SERVIÇO:
Exposição “O Futuro das Profissões”
Período: até 16 de novembro
Funcionamento: terça a domingo, 10h às 20h
Local: Espaço de Exposições do Centro Cultural Fiesp – Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação de metrô Trianon-Masp)
Entrada gratuita
Agendamentos de grupos e escolas: ccfagendamentos@sesisp.org.br
Sobre o Centro Cultural Fiesp
A arquitetura moderna do edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, sede da Fiesp, que também abriga o Ciesp, o SENAI-SP, o SESI-SP e o Instituto Roberto Simonsen (IRS), o torna ponto de referência no skyline da cidade e permite a realização de inúmeras atividades que integram o Centro Cultural Fiesp à Avenida Paulista, incluindo a livre circulação em seu interior e o uso de espaços alternativos, como a esplanada e o foyer do Teatro do SESI-SP, para diferentes manifestações artísticas e culturais que surgem em sua ampla e diversificada programação. O Centro Cultural Fiesp é um importante equipamento de acesso à cultura mantido pela indústria paulista e administrado pelo SESI-SP; uma referência de qualidade e patrimônio cultural apreciado dos paulistanos. O SESI-SP é uma instituição que trabalha pela educação, onde a cultura é parte fundamental. Todas as ações e projetos desenvolvidos pela instituição tem como objetivo a formação de novos públicos em artes, a difusão e o acesso à cultura de forma gratuita, além da promoção da economia criativa nacional.
Sobre o SESI Lab
Inaugurado em novembro de 2022, na capital federal, o SESI Lab é um legado da indústria brasileira para todos os brasileiros. Mais de 330 mil visitantes conheceram o museu interativo em formato inédito no Brasil, resultado da iniciativa do SESI e do SENAI.
A exposição de longa duração do museu foi desenvolvida em parceria com o Exploratorium, um dos principais centros interativos do mundo, localizado na Califórnia (EUA), alicerçado na atuação em conexão com a cultura, educação e ciência. O SESI Lab está instalado em um edifício icônico de Oscar Niemeyer, com quase 7,5 mil metros quadrados. A localização está diretamente relacionada com o propósito de ser um polo de difusão democrática de conhecimento para todas as regiões do país.












