Esta é uma constatação dos filósofos atuais. Mas o que é “infoxicação”? É a sobrecarga mental causada pelo consumo excessivo e descontrolado de informações — um neologismo que une os termos informação e intoxicação. O conceito descreve a nossa incapacidade de processar o volume de dados recebidos de redes sociais, notícias e e-mails, o que gera ansiedade, estresse e dispersão.
Diria que vivemos uma pandemia de infoxicação. Cada vez mais somos submetidos a quantidades absurdas de narrativas que misturam verdades e mentiras sem cerimônia, vindas de diversas esferas de poder. A mídia tradicional muitas vezes contribui com recortes ideológicos, enquanto as redes sociais nos bombardeiam com posts que nos fazem sentir que tudo o que comemos, fazemos ou pensamos está errado.
Somam-se a isso os e-mails, spams, mensagens de WhatsApp, tentativas de golpe e ligações de robôs que nos infernizam diariamente. É um tiroteio informativo que nos deixa catatônicos. Perdemos o foco e, para piorar, surge a Inteligência Artificial (IA) como “copiloto” para tudo, aumentando ainda mais o ruído e tornando os ambientes corporativos e sociais mais complexos. Todos parecem ter uma opinião sobre tudo, mas raramente ela vai além da “primeira página”.
Essa parafernália de informações atrofiou uma capacidade vital: a de DIVAGAR. Sim, em letras maiúsculas. Divagar significa ter momentos de abstração. No popular, é o “viajar na maionese” — deixar-se levar por pensamentos despretensiosos, sem censura ou enquadramento. É durante a divagação que o cérebro organiza as informações recebidas e as coloca nos “arquivos” adequados.
Há duas décadas, divagávamos, em média, quatro horas por dia. Lembra? Em uma sala de espera, você observava o ambiente e as pessoas. No ônibus ou no táxi, olhava a paisagem e deixava os pensamentos fluírem, recarregando as sinapses cerebrais. Ao fazer isso, geramos insights que surgem naturalmente, pois o hipocampo — área ligada à memória e ao processamento profundo — trabalha melhor quando a mente está livre.
Hoje, ao pararmos no semáforo, pegamos o celular. No transporte, estamos colados na tela. Caminhando na rua ou em uma mesa de bar com amigos, o olho está na notificação. Reduzimos nosso tempo de divagação de quatro horas para quase zero, e nossa capacidade de ter grandes ideias caiu a níveis alarmantes. Talvez o banho seja o último refúgio da divagação — isso se o seu celular não for à prova d’água.
Domenico De Masi, sociólogo italiano, cunhou a teoria do “Ócio Criativo”, argumentando que momentos de inatividade aparente são essenciais para a inovação. Divagar, permitir-se o ócio e afastar-se da avalanche de dados é o que permite à mente produzir conhecimento e felicidade. Sem divagação, não há inovação.
Dê tempo para seu cérebro se realinhar. Divague e “desinfoxique-se”!
Marcos Sa é palestrante e consultor de propaganda e marketing, com especialização na universidade de Stanford, California, EUA.














