A Polícia de São Paulo continua procurando dois prefeitos eleitos do estado após a Justiça decretar a prisão deles sob acusação de envolvimento em diversos crimes. A informação foi confirmada neste sábado (10) pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Segundo policiais ouvidos pelo portal G1, os dois são considerados foragidos.
Ney Santos (PRB), prefeito eleito de Embu das Artes, é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ser um dos responsáveis por lavar o dinheiro do tráfico de drogas comandado pela facção criminosa PCC.
O MPE também acusa o prefeito eleito de Osasco, Rogério Lins (PTN), mas por outros crimes em outra ação: participar de esquema com funcionários fantasmas e prestação de serviços fraudulentos que desviaram cerca de R$ 21 milhões da Câmara de Vereadores da cidade.
Os mandados de prisões dos prefeitos eleitos foram expedidos durante esta semana pela Justiça.
Embu das Artes
No caso de Ney Santos, ele foi alvo na sexta-feira (9) da Operação Xibalba, que prendeu sete pessoas e procura outras sete.
Ney é atual vereador e presidente da Câmera de Embu das Artes e foi eleito prefeito neste ano nas eleições municipais. A reportagem não conseguiu localizar os advogados do prefeito eleito para comentar o assunto.
Esta não é a primeira vez que o vereador entra na mira da Justiça. Em 2003, Ney Santos foi condenado por roubo a uma empresa de valores em Marília, no interior de São Paulo, mas recorreu e foi absolvido no ano seguinte.
Já em 2010, ele voltou ao noticiário policial quando foi investigado por uma extensa lista de crimes, que incluía lavagem de dinheiro, estelionato, sonegação fiscal, adulteração de combustível e formação de quadrilha. Na época, policiais apreenderam documentos, computadores, máquinas de contar dinheiro e até uma Ferrari, avaliada em R$ 1,5 milhão, em seus imóveis.
Ney Santos também respondeu por compra de votos em 2012, quando foi eleito vereador de Embu das Artes, e chegou a ter a candidatura para prefeito deste ano impugnada pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa. Ele entrou com recurso e conseguiu se eleger com uma expressiva votação de 79,45%.
Segundo policiais ouvidos pela reportagem do G1, Ney Santos está foragido no Brasil.
O jornal SPTV obteve com exclusividade a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPE. Ela mostra que o verdadeiro nome de Ney Santos é Claudinei Alves dos Santos. Segundo o documento, o acusado começou ainda jovem no crime.
Enquanto isso, moradores de Embu das Artes estão em dúvida sobre quem irá assumir a prefeitura. Isso porque o segundo mais votado foi Geraldo Cruz, do PT. Mas, os votos não foram considerados porque ele está com a candidatura impugnada por ter sido enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
Osasco
A Justiça determinou na terça-feira (6) a prisão do prefeito eleito de Osasco, o vereador Rogério Lins. Além dele, foram expedidos mandados de prisão contra outros 13 vereadores da cidade _11 foram presos.
A Câmara Municipal de Osasco tem 21 vereadores, ou seja, dois terços dos parlamentares tiveram pedido de prisão decretada.
O Ministério Público Estadual estima que os vereadores desviaram milhões dos cofres públicos em um esquema de contratação de funcionários fantasmas na Câmara Municipal.
Durante a semana, a assessoria de imprensa do prefeito eleito de Osasco, Rogério Lins, informou, em nota, que ele não tem funcionários fantasmas, que prestou esclarecimentos à Promotoria e que também informou sobre sua viagem ao exterior. Ele não foi localizado na sua residência porque, segundo a polícia, está fora do país.
Segundo promotores, os vereadores contratavam apadrinhados, que não trabalhavam, mas recebiam como funcionários. Em troca, os parlamentares ficavam com parte dos salários dos funcionários fantasmas. A operação foi deflagrada em agosto de 2015 com o objetivo de desestruturar o esquema de captação de dinheiro de parte do salário dos assessores dos vereadores.
















