Nossa cidade, como todas as outras, está em constante transformação. Algumas são tão rápidas que, se não formos atentos, não as percebemos. Outras, porém, são lentas o bastante para acompanharmos gradativamente cada passo das mudanças.
O centro da cidade de Cotia teve essas transformações que o progresso traz, que removem o passado e deixam um futuro impetuoso às memórias e lembranças.
Como a Avenida Nossa Senhora de Fátima, onde, em de fevereiro de 1981, havia algumas árvores, casas residenciais (lado esquerdo), um terreno (lado direito) e, mais adiante, o que parece ser um ponto de ônibus ou de táxi em frente à Escola Estadual Batista Cepelos, bem diferente de hoje, em que há algum verde que tenta, timidamente, compartilhar com os prédios a paisagem.
Uma curiosidade na foto de 1981 é que vemos carros parados dos dois lados da avenida, dando a falsa impressão de que era mais larga, mas já tinha a mesma largura dos dias atuais.
Bons tempos aqueles…
Quando falamos de transformação da cidade, logo nos remetemos a lembranças e memórias do passado, então vem aquela frase: Que bons tempos aqueles!
Para muitos, os “bons tempos” poderiam ser uma rua, uma festa, amigos ou, até mesmo, a possibilidade de poder andar de bicicleta bem no meio da Rodovia Raposo Tavares sem se preocupar com os carros. Foi assim, por exemplo, com o senhor Orlando Tiburcio, que posou para uma foto bem no meio da rodovia. O local é quase em frente à loja Ideal 1,99, do meu amigo Lu Wen Cheng, em frente ao Extra.
Ou talvez os bons tempos eram aqueles em que a feira pública acontecia em pleno centro da cidade. Na foto vemos, no centro, o ponto de ônibus que ficava em frente à loja do Yano, antes havia uma escola no local. Do lado esquerdo, algumas pedras de um terreno que está vazio até os dias atuais. Mais ao fundo da foto, em todo o lado direito, existia um longo muro, no qual ficavam uns cavalos pastando, atualmente fica a Lojas Marabraz. Do outro lado da rua, onde hoje é a loja Caedu, havia o Supermercado Monte Serrate, antes era uma loja de carros e antes, ainda, uma casa com um pomar na frente, onde as crianças, quando passavam em frente, pulavam o muro de 1 metro de altura para pegar goiaba para levar de lanche, isso tudo na década de 1940 e com ruas de terra.
Desfiles…
Sem dúvida, os desfiles no centro da cidade de Cotia foram e serão marcantes para muitas pessoas. Sejam eles em comemoração ao aniversário da cidade (2 de abril), Independência do Brasil (7 de setembro) ou o famoso concurso de fanfarras e bandas.
Foram festas marcantes na cidade, mas, sem dúvida, o mês de abril é especial para Cotia, porque é nesse mês que, em 1856, a freguesia de Acutia foi elevada à condição de Vila.
Naquelas manhãs de desfiles, as pessoas acordavam cedo para achar um bom lugar nas estreitas ruas do centro da cidade (Rua Batista Cepelos e Senador Feijó).
Muitas crianças que desfilavam mal dormiam à noite, esperando logo cedo estarem prontas para o desfile.
Antigamente (por volta dos anos 1930), era apenas uma comemoração com a apresentação da banda da cidade (não existia a fanfarra) e, algumas vezes, o dia festivo se complementava com uma quermesse extra em frente à Igreja da Matriz.
Depois, nos anos 1950, as escolas estaduais começaram a participar e, assim, os desfiles ficaram mais longos e se iniciavam mais cedo também.
Nos anos 1960, quando as indústrias e fábricas chegaram a Cotia, a Prefeitura passou a convidá-las para “apadrinhar” as escolas, que durante os desfiles eram avaliadas por jurados que premiavam as melhores apresentações. E logo, além da ajuda, algumas empresas também passaram a participar dos desfiles, mostrando ao público máquinas, produtos e funcionários. Empresas como a Alcoa, Nogan, Genovesi, CAV, Tabacow, Calfat, CAC, Lewis, Munck, Vastec e Corneta (que tinha uma particularidade: desfilava com carros antigos, tipo calhambeques) já participavam dos desfiles.
Naquela época, a cidade tinha por volta de 50 mil habitantes, sendo 2 mil alunos distribuídos em 10 escolas estaduais.
Em alguns anos da década de 1970, as Forças Armadas também participaram dos desfiles com bandas e, às vezes, carros bélicos, assim como havia a presença da Guarda Mirim e dos Escoteiros.
No começo da década de 1980, no auge dos clubes na cidade, o Arakan Club, Eduardo’s Park e o Santa Cruz também marcavam presença, juntamente com os Romeiros de Caucaia.
Em seguida, aconteciam as tão esperadas apresentações das fanfarras e bandas marciais e, é claro, nossa preciosa Fanfarra Regente Feijó.
No fim do desfile, as pessoas já estavam acostumadas com uma “quase surpresa”, atração de encerramento que normalmente eram carros que faziam acrobacias, derrapadas, saltavam rampas e andavam com duas rodas, aviões da Esquadrilha da Fumaça dando rasantes, Astros do Ringue (luta livre) no Ginásio de Esportes (Suvacão), paraquedistas, helicópteros jogando pétalas de rosas, futebol com veteranos no campo do Cotiano etc.
Tudo sempre no maior clima de festa
Algumas vezes, o desfile começava na Praça Joaquim Nunes (praça de baixo) e subia a rua; em outros anos acontecia na Avenida Professor Manoel José Pedroso (atual Prefeitura) e alguns na Rua Guido Fecchio (atrás do Bradesco).
Para todas as pessoas que viveram esses momentos de “magia” dos desfiles de Cotia restam apenas as recordações e, talvez, algumas fotos… Mas as lembranças daquelas manhãs, com certeza, estarão para sempre na memória de quem participou dos DESFILES de Cotia…
As lembranças de tudo isso, desfiles, feiras, rodovia sem carros, ruas de terra são muito significativas para muitas pessoas, são memórias de um tempo que não volta mais. E é curioso como o mesmo progresso, que chega e consome o passado nostálgico, tem uma vida cada vez menor, pois o ser humano parece nunca se contentar com as mudanças progressistas.
Às vezes, olhando as transformações, temos a impressão de que o progresso vem com tanta força que ofusca a árvore que se chama “lembranças”, e assim o ato se chamará retrocesso.
Por Cesar Tiburcio
Agradecimentos: Rozana Ellwanger e Aparecida Tiburcio
















