Numa época em que o cinema no Brasil se resumia às Pornochanchadas, esse sim um gênero e que dominou o cenário cinematográfico local na década de 70, era aceitável ouvir o famoso comentário ainda comum até dados atuais: “Não gosto de filme nacional”.
Em 1986, vimos nossos hermanos argentinos apanharem a cobiçada estatueta do maior prêmio do cinema universal, o Oscar, com o longa-metragem “A História Oficial” que levou às telas as experiências das vítimas da ditadura militar do país (1976-1983).
Verdade indiscutível que a cinematografia brasileira já viveu alguns momentos de notória ascensão (o chamado Boom do cinema tupiniquim) e que pela mesma quantidade de vezes caiu no ostracismo, frustrando assim as expectativas de todos os amantes, profissionais ou não, da área.
Exemplo-mor disso, foram os blockbusters ou como preferirem, os “Arrasa quarteirão”: O Quatrilho (1995), O Que é Isso Companheiro (1997) e Central do Brasil (1998), todos indicados ao Oscar sem sucesso mas que fizeram brilhar os olhos de todos, diante do potencial de a tão sonhada indústria cinematográfica do Brasil.
Ao fim da década de 90 muitos acreditaram que desta vez o boeing havia decolado. Mas após esse breve momento de êxito, o nosso cinema mais uma vez estagnou. E estagnou também a chance de consolidar enfim, aquilo que há muitos anos já se transformou em negócio, em países como a Índia e os Estados Unidos.
Felizmente, agora o cenário é outro. Nos últimos anos temos acompanhado o aumento fantástico das produções nacionais e mais do que isso, o aperfeiçoamento das narrativas e da forma como se faz cinema no país. O termômetro disso são as altas bilheterias que a cada semestre inundam as salas de cinema e que não dificilmente, ora ou outra, acabam desbancando as produções hollywoodianas.
A forma de fazer cinema mudou, o olhar do público brasileiro mudou. Dos velhos enredos que estampavam a problemática do subúrbio, os cineastas entenderam que fazer cinema é, acima de tudo, a arte de entreter.
Grandes campeões de bilheteria como o filme Divã, desafiam o estigma das comédias românticas com a tradicional pobreza de diálogos. Aliás, esse é um gênero que até bem pouco tempo, nós brasileiros ainda não sabíamos fazer. Enfim parece que pegamos o jeito, a exemplo do maravilhoso “Onde Está a Felicidade?”, campeão de crítica e público.
O gênero “policial” que se tornou a cara de Hollywood, enfrenta há alguns anos a decadência de enredos falidos de ideias e tramas esgotadas, onde as histórias parecem se repetir à exaustão. Mudam apenas os efeitos, as explosões cada vez mais fantásticas… Típicos recursos de distrair o expectador.
Com um novo horizonte se abrindo no Brasil veio o Tropa de Elite, ação policial rico de efeitos mas com frescor na trama. Trama local que é completamente nossa, tão nossa. Depois a sequência do longa (Tropa de Elite 2) que lotou mais uma vez todas as sessões, surpreendeu a todos com uma nova história que além de não se repetir, superou a primeira.
Como eu ia dizendo, as coisas melhoraram por aqui. Mas em 2010, vimos pela segunda vez os nossos vizinhos abocanharem mais um Oscar com “O Segredo dos seus Olhos”. Sempre eles… os argentinos! Mas quem sabe. Ah, quem sabe um dia a gente ainda chega lá!
Marana Torrezani é comunicóloga e especialista em audiovisual.
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