Berço do primeiro Starbucks do mundo, Seattle é famosa não só por seus cafés, mas também pelas camisas de flanela e dias cinzentos. Tem como cartão-postal a excêntrica Space Needle, uma torre construída nos anos 1960, quando o estilo futurístico estava na moda e a economia local pegava carona no sucesso dos aviões da Boeing, na época sediada na cidade. Embora não tão alto, esse observatório a 160 metros de altura é uma passagem agradável para entender a geografia particular da maior metrópole do estado de Washington, no noroeste dos Estados Unidos, vendo as balsas que atravessam a Baía Elliott e os picos nevados do Monte Rainier.

Pike Place Market, “cheio” antes da pandemia

Da Space Needle, pega-se o monotrilho – outra herança futurista da década de 60 – para ir ao centro histórico visitar mais um símbolo de Seattle, o Pike Place Market. Inaugurado em 1907, o mercadão é um dos mais antigos do país, com cerca de 200 comerciantes. “É um local sempre cheio de turistas à procura de uma boa foto”, conta Renata Marques Tutuy, que no início de 2019 mudou-se com o marido para lá.

Pike Place Market, durante a pandemia

“O que eu gosto de Seattle é o mix de culturas, muitos parques para se explorar, este mercadão onde você encontra peixes frescos, comidinhas variadas, condimentos, artesanato, mel e muitos produtos handmade. Aqui também tem muito da cultura rock ainda, Seattle foi o lugar de onde saíram muitas das bandas que eu curti na minha adolescência, como Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam. Em Seattle, você acha bons restaurantes de alguns lugares do mundo, até uma Churrascaria Brasileira chamada The Grill From Ipanema, muito boa”, descreve. Infelizmente, neste momento, não se pode desfrutar de nada disso, “pois tudo está fechado”. “É bem difícil passar por esse período e ver lugares que você gosta de comer e visitar fechados e alguns não serão só temporariamente”, comenta a brasileira, com certo ar de tristeza.

Primeiro Starbucks fundado no mundo

A uma quadra e meia do Gum Wall, uma fila podia ser vista de longe para entrar na primeira Starbucks do mundo – a única que ainda leva o logotipo original da sereia de seios de fora. A cafeteria estreou em 1971 num endereço diferente e se mudou cinco anos depois para o local atual (1912, Pike Place). “Em um desses dias, peguei um café em 5 minutos em um lugar que teria uma fila imensa de turistas e que demoraria, no mínimo 40 minutos, para poder chegar até o balcão para fazer um pedido”, conta.

A grande maioria da população está trabalhando de casa, inclusive o marido de Renata. “As ruas estão vazias e lojas fechadas, apenas farmácias e comércios essenciais abertos. O meu local de trabalho – o Target (rede de lojas de varejo) – está aberto. Estamos trabalhando com toda a precaução, usando máscaras e luvas, mantendo uma rotina maior de higiene a loja está sinalizada com mantenha distância de 6 feet”, explica.

Foi em Seattle o primeiro caso confirmado de covid-19 nos Estados Unidos, ainda em janeiro. E também foi uma das primeiras cidades do país a ter um surto da doença, com um conjunto de mortes relacionadas a casas de repouso. Até o início de março, o Estado de Washington, onde está a cidade, era o mais afetado pelo novo coronavírus nos Estados Unidos. Apesar disso, a cidade viu em abril seus parques e calçadas ficarem cheios – algo nada indicado em um cenário de pandemia. Para resolver esse problema, a administração da cidade bloqueou o tráfego em uma série de ruas, com o objetivo de dar às pessoas mais espaço para que elas se exercitassem perto de casa ou caminhassem até o supermercado. Agora, essas mudanças poderão ser permanentes em 32 quilômetros dessas ruas.

“Para driblar o tédio causado pelo confinamento e manter a sanidade mental, temos assistido muitas séries da Netflix, como Ozark, La Casa de Papel e Elite. Quando é possível fazemos uma caminhada no parque mais próximo de casa no fim do dia, mas mantendo a rotina de ficar em casa o maior tempo possível”, revela.

Para ela, quando essa pandemia acabar, teremos que lidar com os estragos que vieram. “Muitas pessoas desempregadas e tudo se reiniciando. Vai ser tão difícil quanto passar dias confinados, mas o mundo estará girando e nós vamos seguir, porque a vida não para. Como diz a música Senhor do Tempo, do Charlie Brown Jr, seguindo em frente com fé e atenção, continuo na missão, continuo por você e por mim. Essa é a minha frase de motivação”, afirma.

Renata finaliza, pedindo para aguentarmos firmes: “vamos ter que aguentar firme e seguir mais essa fase, até tudo passar”. Pois é, tudo é realmente uma questão de tempo: em Seattle, já está sendo está sendo testada uma vacina contra o coronavírus.

Por Juliana Martins Machado

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