Ele já perdeu a conta de quantas conquistas vieram e vidas que conseguiu mudar através do funk. Aos 27 anos de idade, o MC Jorginho PDR já chegou a lugares que muitos artistas não chegam cantando letras inspiradas na realidade do morro do Macaco, local aonde nasceu e cresceu, combinadas com um ritmo envolvente.
O canal do Youtube do artista já alcança mais de 5 mil inscritos, seu último videoclipe “Vai tomar banho tiriça” passou de duzentos milhões de visualizações na plataforma Tik Tok, assim como outros trabalhos do MC que sempre possuem destaque nas redes sociais. “A internet facilitou muito também, né? Você pode jogar um vídeo hoje e já viralizar amanhã. Revolucionou o jeito da gente produzir e divulgar os trabalhos”, disse.
No cenário musical ao qual faz parte, é um dos mais admirados da zona oeste de São Paulo por manter a realidade que vive e histórias que conheceu na periferia como tema de suas composições, o que não impede o artista de trabalhar isso de forma recreativa. MC Jorginho PDR conta que seu último sucesso veio por uma brincadeira que surgiu para incentivar as pessoas a manter a higiene em época de pandemia.
“Essa música que bateu duzentos milhões é da Tiriça (risadas). Como é que eu posso dizer? Veio de uma ideia para ajudar as pessoas incentivando a higiene, como diz o verso da música, ‘agua não machuca e sabonete não belisca, vá tomar banho tiriça”, conta em meio a risadas. “Foi uma brincadeira que começamos sobre higiene que deu certo”.
Fazer parte da comunidade e estar próximo da vida dos outros moradores é uma tarefa que o MC se dedica em manter. Ele defende que quando as pessoas não se esquecem de suas raízes e fazem sua parte ajudando ao próximo, fica mais fácil de todos compartilharem as conquistas sociais.
“Nós fazemos vários projetos sociais, há oito anos seguidos eu canto em festas de crianças que o pessoal organiza para ajudar aqui no morro e teve um projeto com o palhaço Palhareco, que passou até no Balanço Geral da Record. Todos os projetos sociais que me chamam eu me envolvo, porque tem muita gente que tem condições de ajudar e não ajuda, não só no funk. As vezes o que é pouco para nós, é muito para o próximo. Essa aqui foi uma comunidade que sempre me abraçou, porque eu não vou abraçar ela?”, comenta.
Importância do funk na comunidade
Atualmente, o Funk Paulista está deixando de lado aquelas letras que ficaram conhecidas por seu tema de ostentação e sexualização para dar lugar ao “Funk Consciente”, e é bem nesse contexto que os temas dos trabalhos do MC Jorginho se definem. O artista revela que ao compor as letras e o conteúdo de reflexão social apresentado nelas, sua preocupação com o público não é voltada para visualização, mas em como a mensagem irá fazer a diferença na vida das pessoas da periferia.
“Você é um espelho, a imagem que você estiver passando eles vão querer refletir. Não adianta eu cantar mentira, não dá pra cantar que eu estou de carro se eu ando a pé. Eu gosto de cantar a verdade e o meu forte é cantar “Funk Consciente”, é cantar a realidade do que eu vivo. E eu vivo aqui dentro, tá ligado? Todas as minhas letras tem alguma coisa aqui da favela, alguma coisa que eu vi, alguma coisa que eu passei então é tudo real. São histórias de vida”, diz o artista.
Além de encontrar na música, um meio de comunicar assuntos que merecem atenção e reflexão, MC Jorginho PDR vê em sua determinação de buscar uma vida melhor através do sonho de vida, a imagem que quer inspirar as pessoas a não desistir também: “se a comunidade vê que tem um MC aqui dentro que eles podem se espelhar e podem buscar a melhora, eu já estou mudando vidas. Eu mesmo se parasse de cantar, acredito que vários parariam. Eles podem pensar ‘ah, ele não conseguiu então eu também não vou conseguir’, muita gente se espelha na gente, se a gente parar eles vão se espelhar em quem?”
Considerando que produções culturais raramente são levadas aos moradores do morro e que também o problema de acessibilidade ainda é uma condição desfavorável nas periferias, muito do que se consome é produzido ali mesmo por artistas da própria comunidade. “A produção de cultura no morro ainda é escassa porque não tem oportunidade. A cultura aqui dentro infelizmente fica fraca. Não tem um espaço para divulgar e ter reconhecimento, mesmo a gente fazendo cultura”, comenta.
A periferia é um lugar muito rico na produção cultural, porém com pouca visibilidade e oportunidade. Essa é uma realidade que o MC Jorginho e muitos outros moradores do Morro do Macaco tentam mudar através da arte, mas parece que ainda falta atenção da sociedade e programas sociais que deem suporte aos jovens artistas.
“O funk é uma forma de expressão, é voz que a comunidade tem, a gente tem que denunciar o que tem aqui dentro. Favela não é só crime. Favela tem cultura, favela tem lazer. Os melhores artistas, os melhores jogadores de futebol vêm daqui. Aqui tem verdadeiros diamantes, só precisam ser lapidados, ou ajudados”, conclui o MC Jorginho PDR sobre a cultura da periferia.
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Por Eric Ribeiro


















