Na próxima quinta-feira (12), às 19 horas, acontece a formatura da 3ª turma do Programa de Educação Profissional (PROF) da Apae de Cotia. Serão 14 jovens com deficiência intelectual que ao longo deste ano foram preparados para ingressar no mercado de trabalho. Alguns inclusive já estão contratados por empresas da região como o Supermercado Serrano, a Romanel e Spirax Sarco.
O programa de Educação Profissional, patrocinado pela Blaw Farmacêutica e pela Cirúrgica Fernandes por meio da renúncia fiscal, já formou mais de 50 pessoas com deficiência intelectual nos últimos oito anos. É um trabalho longo e de muita perseverança, tanto da parte dos profissionais envolvidos como dos alunos.
Segundo Rodrigo Lemes, Assistente Social da Apae coordenador do projeto, qualquer jovem com deficiência intelectual maior de 18 anos pode participar do programa após serem avaliados pela equipe da Apae sobre as condições e possibilidades de inclusão no mercado de trabalho.
Para o presidente de Apae, Paulo Generoso, o PROF possui essa finalidade: tirar a pessoa do grupo de assistencialismo e poder oferecer-lhes dignidade. Melhor que manter uma ajuda continua para uma pessoa, é dar a essa pessoa a condição de autossustentabilidade.”
O primeiro passo da formação é a convivência, “aprimorar a socialização dessas pessoas, depende muito da capacidade de cada um, pode durar de seis meses a um ano”, explica Rodrigo.
Após essa fase iniciam as aulas práticas como culinária, informática, visitas às empresas entre outras atividades de socialização. Os encontros acontecem duas vezes por semana. E mesmo após serem contratos por alguma empresa continuam sendo acompanhados pela equipe da Apae. As empresas também recebem treinamento para receber esses jovens. “A aderência é de 99%”, comemora Rodrigo, ou seja, uma vez contrato pela empresa, dificilmente o jovem será demitido.
“Ter a oportunidade de dirigir o Programa de Qualificação Profissional foi umas das melhores experiências da minha vida profissional, pois presenciei no olhar dos alunos/atendidos a esperança do primeiro emprego, que representa o acesso a um direito”, comenta Rodrigo.
“Ao longo desses anos pude observar várias histórias de sucesso e muitas colocações no mercado de trabalho, oportunizando a qualidade de vida desses ilustres jovens e quebrando os paradigmas do preconceito e exclusão. Encerro esse ano com muitas expectativas e acreditando cada vez mais no potencial de cada jovem que passou e passará pela Apae de Cotia. Mas, esse projeto não seria possível sem o apoio de professores, assistentes sociais, psicólogos, diretores executivos, empresas parceiras etc”.
O que diz a lei de cotas para deficientes
Em vigor há 28 anos, a Lei de Cotas para Deficientes prevê que empresas com 100 ou mais funcionários tenham entre 2% e 5% de trabalhadores com deficiência. No entanto, segundo dados da Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, este percentual nunca passou de 1%.
“Infelizmente, o problema não está restrito ao percentual de contratações”, diz a superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Teresa Amaral. Para ela, pessoas com deficiências leves – em geral com membros amputados ou com audição ou visão parcial – são as que têm mais facilidade para preencher essas cotas.
Com isso, as empresas tendem a deixar fora do mercado de trabalho aqueles com deficiências mais graves por, do ponto de vista dessas empresas, apresentarem impedimentos “supostamente” maiores. “Os totalmente cegos, por exemplo, são pouco procurados apesar de terem ótima capacidade para trabalhar com computadores, devido a recursos de vozes”
A situação mais difícil é de pessoas com deficiência intelectual. É o caso, por exemplo, de quem tem autismo e Síndrome de Down. Nesses casos, o preconceito é quase impeditivo para que eles integrem o quadro de funcionários das empresas”, acrescentou.
Segundo a superintendente do IBDD, as empresas deixam de contratar essas pessoas por desconhecerem o bom serviço prestado por pessoas com esse perfil em tarefas simples de limpeza e conservação, montagem de produtos menos complexos ou mesmo em atividades de jardinagem, além de trabalhos em lojas, padarias, lavanderias, entre outros.
Serviço:
Formatura: 3ª Turma de Formandos do Programa de Qualificação Profissional 2019
Quando: 12 de dezembro de 2019, às 19h
Local: Salão da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Rua Ladislau Retti, 71 – Jardim Claudio – Cotia
Mais informações: 4615-5353
Apae de Cotia
Rua Eurícledes Formiga, 50 – Jardim Claudio – Cotia.
Mais informações: 4615-5353
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