Arte de Paulo Bruno

Artista visual e designer paulista, nascido em 1987. Todas as escolhas feitas por ele se encaixam dentro de sua ideia e mensagem central, o que me remete à frase de Khalil Gibran: “Todo o trabalho é vazio a não ser que haja amor”.

A arte sempre se fez presente em sua vida. Trocava facilmente a bola de futebol pelo lápis de cor. O grafite foi a primeira expressão artística que teve contato, seguido pelo skate, que o aproximou ainda mais do movimento da Arte Urbana em São Paulo. Terminando o ensino médio, dedicou-se a cursos voltados ao desenho técnico, design e web design. Nessa época, começou a participar de concursos de design de camisetas, vencendo alguns em websites conhecidos, como Threadless, Design by Humans e Camiseteria. Paulo ainda fez parte da equipe de design da VY2 por dois anos, onde focou no desenvolvimento de produtos, rótulos e websites. Após sair da agência, fez cursos de tipografia e lettering com grandes artistas como Marina Chaccur e Filipe Grimaldi. Trabalhou para marcas como Porsche, Ford, MCD, B3 (Bolsa, Brasil, Balcão), Bottero, Colcci, Consul, Art Battle e Arcah. Também teve sua arte decorando programas de TV como De Férias com o Ex, Top Chef, Agora É Que São Elas, entre outros.

Apaixonado pelo desenvolvimento tipográfico e tendo isso como base em tudo o que faz, hoje o artista aplica sua caligrafia em diversos suportes, como telas, muros, roupas, sapatos etc. A caligrafia é uma prática muito antiga da escrita. Diversas culturas, como árabe, chinesa, indiana, islâmica e a japonesa consideravam a arte da escrita parte integrante de sua história e identidade. Compartilhando ferramentas similares e tendo a palavra como eixo de criação, a diversidade de estilos e técnicas é demarcada entre as diferentes culturas de diferentes regiões. Originalmente, o ato de escrever era usado em mosteiros, para copiar textos sagrados e documentos importantes. A escrita não era apenas usada para registrar a história, mas também para registrar anseios sociais, preocupações filosóficas e espirituais profundas das sociedades, tendo um papel fundamental na compreensão do desenvolvimento da raça humana.

Este estilo há décadas saiu dos livros de história e entrou em museus, galerias e nas casas das pessoas por meio de nomes como o do americano RETNA, do tunisiano El Seed, dos franceses L’Atlas e Vincent Abadie Hafez e do inglês Seen. Paulo Bruno segue o caminho de seus predecessores utilizando palavras e imagens por elas criadas para expandir e fundir os limites da pintura e do design, com composições poderosas e lúdicas.

 

VAMOS OBSERVAR
Justaposição
2019
Gravura prolográfica
Papel Hahnemühle
Linha William Turner, matt 300 g/m
50 x 45 cm
Tiragem 20

Justaposição é uma gravura original, feita à mão por meio de um processo de impressão chamado prolografia. O artista escolheu este processo propositalmente por causa dos paralelos que este método possui com o tema da obra: o amor. A prolografia é um método de impressão bem antigo e artesanal, em que várias etapas minuciosas e manuais são necessárias para sua execução. O artista diz que o amor requer o mesmo cuidado e dedicação. A arte sempre teve um papel central na construção da estética. A beleza da arte da caligrafia é vista como uma das fontes mais inspiradoras para vários grafiteiros e artistas urbanos da atualidade. Com essa apropriação, os autores continuam hoje a remodelar a produção artística contemporânea. Esta é uma forma de arte que nos permite ver o espaço entre as letras e o estilo das letras como uma obra de arte que pode evocar profundas emoções e trazer significados diferentes às palavras desenhadas. No caso de Paulo Bruno, a emoção que ele quer evocar é uma só.

À procura de uma definição do que é a beleza, encontramos termos como “qualidade”, “caráter ou virtude do que é belo”, “agradável”. A beleza, teoricamente, como o conceito proposto por Aristóteles na Filosofia Clássica até Roger Scruton na Modernidade, seria como uma virtude, assim como a verdade e a justiça, um hábito de caráter guiado por preceitos do bem, de ordem moral. Até meados do século 20, a arte se movimentava juntamente com o belo, isto é, criando formas estruturalmente complexas, ricas em cores, significados e sequências rítmicas de dimensão a dimensão. Já na modernidade, a finalidade da arte passou de ser de comunicação da beleza para a expressão de originalidade. Não somente a arte foi afetada pelo conceito de autenticidade como objetivo da vida, mas outras áreas de conhecimento sofreram danos crônicos e profundos, prolongando a duração da nova “ética” e suas aplicações. A arte tornou-se desalmada ao assumir a feiura igual à beleza na busca pela autenticidade. O trabalho de Paulo Bruno, apesar de totalmente contemporâneo, tem alma antiga por tentar resgatar o belo e o significado estético. Se observarmos as palavras embaralhadas, podemos ler a palavra amor escrita duas vezes, em azul e em laranja. O artista escolheu cores opostas e complementares para esta obra. Quando sobrepostas, além de se destacarem, formam uma terceira cor – mais uma metáfora sobre amar.

Serviço
As gravuras Justaposição estão disponíveis para venda pelo Instagram do artista: @PauloBBruno


Por Milenna Saraiva, artista plástica e galerista, formada pelo Santa Monica College, em Los Angeles.