Luan Ribeiro Gomes, conhecido como Luan Ribeiróvisk, nasceu em 1995, na cidade de Cotia. Filho de artistas plásticos, cresceu em Embu das Artes, rodeado por tintas, telas e respirando arte. Conta que “toda lembrança da infância tem momentos no ateliê, convivendo com artistas e falando sobre artes”. Este convívio intenso contribuiu para o início precoce nas criações. Com apenas 15 anos, começava a desenvolver seus estudos artísticos para seu próprio objetivo profissional e também para ajudar os pais. Aos 16 anos, já participava de sua primeira exposição coletiva.

Conheceu os movimentos ligados à Street Art, que influenciaram muito sua criação, contribuindo para o desenvolvimento de uma linguagem própria e contemporânea, que o diferencia do estilo artístico predominante em Embu das Artes, mais tradicional e comercial. O trabalho de Luan é uma mistura de várias linguagens artísticas, tendo como eixo principal a técnica e a precisão dos desenhos acadêmicos, as cores da Pop Art, a tipografia das pichações paulistanas, a agilidade do grafite e um vasto acervo de referências dos estilos quem passaram pela sua vida.

Hoje, o trabalho do artista está presente em coleções particulares em mais de dez países, já participou de exposições em três continentes e continua a expor seu trabalho em Embu das Artes.  Além disso, ele pinta murais em grande escala pelo país afora.

VAMOS OBSERVAR
Mural Embu das Artes, 2020
85 m x 3,5 m
Tinta látex e spray 

 

Com 300 metros quadrados de grafite, o mais novo mural de Luan Ribeiróvisk fica localizado na estrada Cândido Mota Filho, no centro de Embu das Artes. O convite para pintar o mesmo veio do proprietário da residência. Logo, os vizinhos ficaram sabendo e estenderam o convite para o artista criar nos muros das suas casas também, totalizando em 85 metros de arte.

Esta obra tem um grande valor sentimental para o artista. Além de ficar muito próximo da casa dos seus pais, onde cresceu e morou por quase 20 anos, os nove dias de pintura lhe proporcionam uma intensa interação com as centenas de pessoas que passam por ali, tanto com pessoas que ele conhece desde sua infância, quanto com os turistas que visitam a cidade. O artista ressalta que o contratante lhe deu liberdade total de criação, o que é essencial para o artista, mas que nem sempre acontece. Luan diz que “foi praticamente um presente fazer uma obra dessa grandeza com total liberdade”.

O mural gigantesco é uma homenagem ao nosso Brasil de verdade. O Brasil do carnaval, dos índios, dos negros, da energia feminina, da floresta amazônica e do pantanal. Em tempos de pandemia, queimadas devastando nossas florestas, racismo, machismo e ataques constantes à nossa cultura, este trabalho é quase um grito de socorro. Vemos um tucano, um tigre, uma arara azul, passarinhos e outros animais representantes da fauna do Brasil, contracenando com rostos de mulheres de diversas etnias, enlaçados por árvores, flores, plantas e elementos gráficos do grafite. Parece bastante, mas neste caso os muitos elementos harmonizam perfeitamente, formando uma onda explosiva de cores, que abraça as casas e as ruas. É impossível não olhar e não apreciar. Seus dez anos de carreira são visíveis quando se observa sua técnica, seu uso das cores, de sombras e de luz.

Neste ano, Luan iria realizar uma exposição individual em sua cidade, mas a pandemia adiou os planos. Este mural acabou virando um marco em sua carreira e a celebração dos seus muitos anos de trabalho em tão pouco tempo de vida.

 


Por Milenna Saraiva, artista plástica e galerista, formada pelo Santa Monica College, em Los Angeles.