NATUREZA CÓSMICA 

Você é o CEO da sua vida? 

CEO significa, em inglês, Chief Executive Officer (Diretor ou Presidente Executivo), ou seja, o cara que manda e faz acontecer na empresa. Ou, no nosso caso, na própria vida. Nesse aspecto, prefiro entender que o CEO da própria vida é o cidadão que, além de definir o que quer nesse mundo, luta pelos seus sonhos, não se deixa levar por percalços e fraquezas e manda no seu destino. Usa a sigla CEO como um mantra para: “Curiosidade, Entusiasmo e Otimismo”.

Todos nós viemos de fábrica com um “aplicativo” instalado no cérebro, que é a curiosidade. A questão é que não atualizamos tal app por conta dos problemas do dia a dia, do trabalho massacrante e das rotinas desgastantes. Caímos no comodismo e deixamos nosso “HD” vazio.

Temos a ilusão de que o mundo digital nos dará todas as respostas de que precisamos. Perdedos a curiosidade da infância. Afinal, não basta “googlar” que a resposta virá? Muita gente acha que o fato de termos as respostas facilmente disponíveis torna desnecessário o saber. Afinal, para que ocupar nosso cérebro se a IA e os buscadores nos contam tudo?

Ler um livro? Dá preguiça, a IA faz um resumo preciso! Ledo engano: se a informação não estiver embarcada na nossa cabeça, o cérebro não formará sinapses e não gerará insights, e o “HD” continuará vazio. Passamos a ser reféns da informação e zumbis do pensamento.

A curiosidade que trazemos desde a infância e está no app desatualizado é que vai nos tornar novamente seres humanos pensantes, entusiastas e otimistas com nosso futuro. Ser curioso é um diferencial no mercado de trabalho. Empresas buscam cérebros capazes de solucionar problemas com ideias e inovações e, só com o app da curiosidade atualizado, isso vai rolar.

A cereja do bolo para quem é o CEO (nos dois sentidos) da própria vida é que um dos segredos da felicidade reside na sua capacidade de seguir sua natureza. Os filósofos gregos afirmavam que todo ser humano nasce em sintonia com o universo cósmico e vem ao mundo com um propósito definido: seguir a própria natureza, identificar seus atributos e virtudes e encontrar seu lugar no mundo. Só quem é dono do seu destino, seu próprio CEO, consegue ir em frente nesse quesito.

Ao não seguir sua natureza, o ser humano não encontra a felicidade, sofre, vive frustrado e contraria o cosmos, o que para os gregos era uma visão desconstrutiva da humanidade. Atualizando esses pensamentos, chegamos ao que hoje chamamos de vocação. As pessoas que conseguem na vida seguir sua habilidade nata, sua vocação, e viver profissionalmente daquilo que gostam e fazem bem, são verdadeiras felizardas.

Os exemplos são muitos. Quantos você conhece? Músicos talentosos, atletas espetaculares, físicos brilhantes, médicos capazes, professores carismáticos, empresários bem-sucedidos e pessoas simples, cidadãos comuns que encontraram nas suas profissões a realização e a felicidade.

Dá gosto ver as pessoas que alcançaram o suprassumo da realização seguindo sua natureza com força e fúria. São os Ayrton Senna, Cristiano Ronaldo, Pelé, Paul McCartney, Steve Jobs, Stephen Hawking e aquele professor que marcou a sua vida.

Todos têm um traço em comum: conseguiram impor seus dons naturais e driblar os contratempos, a falta de conexão entre a vocação e o salário e as adversidades do mercado. Todos foram CEOs da própria vida, nasceram e cresceram com o app curiosidade sempre atualizado com entusiasmo e otimismo.

Por outro lado, como está aquele seu amigo de infância que era um excelente aluno de matemática, ou um exímio imitador, cantor, ou aquele que queria ser advogado? Trabalha aonde e faz o que? Chegou lá? Ou deixou a vida levar…

Marcos Sa é palestrante e consultor de propaganda e marketing,  com especialização na universidade de Stanford, California, EUA.
Artigo anteriorAgentes de trânsito cobram valorização, estrutura e reconhecimento