Se viver da arte já é difícil no Brasil, imagine então viver de uma vertente artística pouco comum, como, por exemplo, produzir máscaras. Porém, quando a pessoa nasce com o talento, não tem jeito. Basta ir aprimorando e lapidando esse dom até convertê-lo em profissão.
E essa convicção, Ricardo Mello, artista plástico e morador de Cotia, sempre teve. A Circuito foi até o seu ateliê, nesta terça-feira (28), e fez uma live com ele para conhecê-lo melhor (confira o vídeo abaixo).

Mello disse que tudo começou na infância, fazendo desenhos e já tomando gosto pelos rabiscos. Seus pais, percebendo que o menino tinha talento, o matriculou em uma escola de desenhos e histórias em quadrinhos.
“Aprendi um pouco mais de técnica nessa escola. Fui adquirindo mais conhecimento e quis melhorar. Depois fui para a faculdade, fiz curso de designer gráfico, produção audiovisual e saí da faculdade pensando no que eu ia fazer”, conta.
Antes de descobrir seu talento para produzir máscaras, Ricardo procurou lapidar outro dom: o de dublador. “Eu sempre gostei de imitar os personagens que eu via na tevê. Meu professor me deu umas dicas e tal, mas eu não tinha certeza se era isso que que queria, de fato.”
Após ter visto um making off de um vídeo onde as pessoas faziam máscaras, maquiagens e próteses, a dublagem ficou para segundo plano. “Acho que é isso que eu quero fazer”, disse, na época.
A partir daí, sua vocação para produzir máscaras deixou de ser apenas um dom e materializou até se tornar, hoje, sua profissão.

ARÁBIA SAUDITA
O jovem artista já participou de espetáculos, shows, videoclipes – um deles da banda Megadeath -, mas, o ponto mais alto de sua carreira aconteceu no ano passado, quando levou seu trabalho para a Arábia Saudita, onde ficou por três meses. O convite partiu do diretor do circo da dupla de palhaços Patati e Patatá.
Ricardo conta que, além de produzir alguns materiais que seriam utilizados nos três espetáculos, também participou presencialmente deles. “Em um dos espetáculos eu fiz um pirata que andava no meio de uma caravana. Depois fizemos um espetáculo sobre cinema. No último, eu fui o principal da peça. Fui pego de surpresa.”
Foi reunindo todos os seus talentos já desenvolvidos que Ricardo conseguiu fazer o seu melhor. Ele deu vida a um personagem que teve que criar do zero. “Eu era o Capitão Cinza. Eu tinha que roubar as cores da Ilha das Cores. Depois dessa apresentação, eu andava pelas ruas e as pessoas ficavam admiradas, porque me reconheciam”, relembra, orgulhoso.

No final da entrevista, Ricardo respondeu o que as máscaras significavam para ele. Confira abaixo a íntegra de sua resposta.
“A máscara transforma a sua vida. Você dá vida a um personagem, uma criatura nova. A máscara não é só uma coisa que você coloca na cabeça. Um fantoche também é uma máscara que você usa na mão. Esse personagem não nasce do zero. Quando você começa a criar aquela máscara, você entra naquele espírito do personagem. Não tem nada que se compare com a experiência de vestir uma máscara. É uma coisa única”.
Por José Rossi Neto  

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