
O atleta Juscelino Santos Nascimento, conhecido como Jussa, venceu o 48º Campeonato Brasileiro de Fisiculturismo e Fitness, na categoria Clássico Masculino, no último domingo. Este é o seu quarto título brasileiro. “Na minha categoria, sou o único a ter quatro títulos brasileiros”, comemora.
Sua inspiração e aprendizado vem do especialista da área Juan Garrido, conhecido como Pato, que assim como Jussa, é morador de Cotia. “Eu era franzino e ele, forte. Comecei a treinar e peguei muito gosto pela musculação”, relembra. Adepto da modalidade há mais de vinte anos e motivado por Pato, Jussa começou a competir em 2002, em um campeonato em Jandira, ficando em 5º lugar. Desde então, acumulou títulos regionais, estaduais, nacionais e internacionais de grande expressão. Ao todo, são dois títulos paulistas, quatro brasileiros, um sulamericano e sete regionais (três em Praia Grande, três em Limeira e um em Osasco).

Jussa é portador da doença de chagas e membro da Associação de Doentes de Chagas do Estado de São Paulo (ACHAGRASP). Faz acompanhamento médico no Hospital Dante Pazzanese, com a equipe do Cardio Esporte do Dr. Nabil Ghorayeb e da Nutricionista Dra. Priscila Moreira. Tem a prática esportiva como aliada e afirma ser uma atleta 100% puro. “Não faço uso de ergogênicos, ou seja, anabolizantes. Não é fácil! Tenho que treinar mais que os outros e uma disciplina maior com alimentação e suplementação. Quando a gente encaixa dieta com suplementação e um treino certinho, dá resultado. Acredito muito no esporte e valorizo cada conquista”, explica ressaltando a importância do esporte em sua vida.
Sua preparação física é intensa: pelo menos, uma hora diária de treino, aumentando para duas em época de campeonato. A dieta também é rigorosa. São duas fases: durante a chamada off, o atleta come muito carboidrato; na pré contest, o carboidrato é cortado e consumida mais proteína. “Próximo à data da competição, só proteína, zero sal e quase nada de água”, completa.
Ele, que já competiu em categorias como supino e strongman, diz que é muito exigente consigo mesmo. “Sempre fico me olhando para decidir qual músculo devo trabalhar e faço uma execução de exercícios para aquele determinado fim. É como se eu estivesse lapidando uma estátua”, define.
O Culturismo Clássico Masculino, sua categoria, foi oficialmente reconhecido como uma nova disciplina esportiva pelo Conselho Executivo da IFBB e Congresso da IFBB em novembro de 2005, na China, com a finalidade de atender a crescente demanda mundial para competições para homens que preferem, ao contrário dos culturistas atuais, desenvolver menos massa muscular, com um físico atlético e esteticamente agradável. “Nesta categoria, é avaliado a linha em V. Somos julgados pela quantidade de músculos, pela tonalidade da pele, pela simetria e pela densidade muscular. A pele deve ser fina o suficiente para os músculos ficarem bem aparentes. O físico deve ser não tão grande, mas proporcional”, explica.
O fisiculturista já recebeu o Bolsa Atleta, mas a prefeitura de Cotia cortou o benefício há alguns anos. Hoje, conta apenas com o apoio de NutriFactory e Alternativa Perfeita Suplementos. Ele, que é seu próprio preparador e treina em sua própria casa, onde montou uma academia, busca agora patrocínio para participar do campeonato sulamericano, que acontecerá na Argentina, daqui a dois meses.
E o futuro? “Vou até onde eu aguentar. Não tenho o esporte como meio de sobrevivência. Gosto mesmo é de competir, competir, competir… Quero um dia ter uma equipe para preparar futuros atletas”, finaliza.














