Na próxima vez que você observar uma queimada em uma mata, não pense apenas nos prejuízos ecológicos causados pela irresponsabilidade humana. Pode colocar nessa conta a queima de dinheiro público para iniciar o combate ao fogo (ou Operação Corta-Fogo, nome técnico utilizado pelos soldados do fogo), milhares de litros de combustível de veículos para chegar ao local, mais outros milhares de litros de água para resolver o problema, mais horas e horas de trabalho de uma equipe que, no mínimo, mobiliza três profissionais ou mais, dependendo da proporção do incidente, o risco de novos acidentes pela falta de visibilidade nas estradas e, para finalizar, risco de acidente com os próprios bombeiros que atendem ao chamado.
Quando os incêndios acontecem no período noturno, esses riscos são potencializados, pois, além da ameaça do próprio fogo, animais peçonhentos e poços tornam-se novos fatores para que uma missão se torne um revés na rotina dos combatentes do fogo.
“No ano de 2016, um dos homens de nosso grupamento caiu em um poço enquanto combatia um incêndio em uma mata de nossa região”, declara Rodrigo D’Avilla Silva, primeiro-tenente do Corpo de Bombeiros.
De acordo com o tenente, outro fato que deveria preocupar a população é que, quando acontece algum incidente envolvendo a ação cinzeiro, que é quando o motorista ou o passageiro atira cigarros acesos para fora do veículo, ou a queimada realizada por proprietários de terras para limpar o terreno com a tentativa de controlar o fogo, outras requisições de urgência tornam-se morosas.
“Um chamado nunca deixará de ser realizado, mas o tempo de resposta para atender outros chamados, enquanto a equipe de Cotia combate incêndios em matas, torna-se maior, pois terão de ser atendidos por outros grupamentos próximos, como o de Barueri, Itapecerica da Serra ou Embu das Artes”, afirma D’Avilla.
Além desses fatores e do próprio tempo seco, em épocas de festas juninas há grande incidência de balões e fogueiras, que colocam a vegetação em risco. A negligência está entre as principais causas de incêndio nas florestas.
Entre os dias 12 e 20 de julho ocorreram 15 incêndios em áreas de mata em Cotia, em endereços como as avenidas São Camilo, dos Industriais, Benedito Isac Pires, ruas Eletroquímica e Alexandria, e nas estradas de Caucaia do Alto, Águas Espraiadas e Pau Furado.
Já entre os dias 17 de maio e 21 de julho, 129 ocorrências de queimadas foram atendidas pelo 18º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Cotia, que atende 15 cidades da região a oeste de São Paulo, como Cotia, Osasco, Carapicuíba, Jandira, Itapevi e Barueri, entre outras.
O grave resultado dessas ações irresponsáveis por parte do homem foi a conversão a cinzas de mais de 107 hectares de matas.
Se somarmos todas as ocorrências dos 20 Grupamentos do Estado de São Paulo, entre os dias 17 de maio e 21 de julho, os profissionais do Corpo de Bombeiros atenderam 4.843 ocorrências em áreas de mata, o que resultou na queimada de mais de 6.398 hectares de mata.
Prevenção
Medidas simples podem evitar queimadas na beira das rodovias:
– Não jogar bitucas nem fósforos pela janela.
– Não descartar lixo de maneira irregular ao longo das rodovias. Sofás, móveis, madeiras, sacos plásticos, entre outros, servem de combustível para o fogo e potencializam o risco de incêndio.
Multa milionária
A maior multa por crime ambiental no estado de São Paulo foi aplicada em 2013, na cidade de Orindiúva – região noroeste paulista. O valor: 2 milhões de reais. O caso ocorreu numa associação de fornecedores de cana. O fogo atingiu cerca de 300 hectares (o equivalente a 300 campos de futebol) e destruiu uma área inteira de preservação ambiental.
Tome nota: atear fogo na mata é crime previsto no Artigo 250 do Código Penal e sujeita o infrator à pena de três a seis anos de prisão, além de multa. O acusado também pode ser autuado com base nas leis de proteção do meio ambiente.













