Se você fosse apresentar Denise Fraga para alguém que não a conhecesse, como você a introduziria?
Eu nem sei mais (risos). A maturidade vai modificando a gente. No outro dia me pediram uma minibio e eu disse que era uma pessoa inquieta, que transformava pela arte. A verdade é que tenho fé no meu ofício: uma pessoa acompanhada da arte tem mais preparo para a vida quando está passando pelos seus dramas e pelas adversidades. Tudo fica melhor quando você tem um poema, um quadro para te acompanhar. Os dramas passam de uma forma mais bonita. Quem lê Fernando Pessoa, entre outros, no mínimo vai sofrer mais bonito (risos). A arte nos lembra que a vida não é bolinho para ninguém, porém que a vida é bela. Sou atriz, escrevo umas coisas por aí, falo outras coisas por aí, mas sobretudo sou inquieta e tenho uma grande curiosidade sobre como cada um resolve nossos eternos problemas.

Depois de quatro anos você vai voltar em setembro às telas globais, como uma mulher problemática que não se encontrou profissionalmente, na novela Um Lugar ao Sol, trama de Licia Manzo que substituirá Amor de Mãe na faixa da novela das 9 da Globo. Seu último papel foi uma participação nos primeiros capítulos de A Lei do Amor, de 2016. Qual a expectativa de voltar à telinha?
Já estavam gravando a novela, mas tudo foi cancelado [uma decisão inédita da Rede Globo devido ao Covid-19]. Como eu só entro no capítulo 30, começarei as gravações depois, quando forem retomadas. Somos problemáticas com muito orgulho, porque somos complexas (risos). Meu papel é o de uma cantora que não consegue gravar porque é ex-alcoólatra, tem problemas com a bebida, enfim. O que me encantou é que a novela é da Licia Manzo, a gente se namora há bastante tempo para fazer alguma coisa junto. O Leo Moreira escreve com ela e a direção é do Maurício Farias, que são parceiros de anos. Acho que faria qualquer personagem com esta turma aí. Meu papel é uma cantora. O cantar foi me aproximando de mim. Hoje, sou uma atriz que canta. Em peças eu canto, tenho uma rodinha de samba na qual gosto de soltar a voz…

Você estreou nas novelas em 1987 em Bambolê da TV Globo e alcançou o estrelato três anos depois interpretando a Ritinha em Barriga de Aluguel. Em tempos de Netflix, o que acha que mudou na teledramaturgia brasileira nestes 33 anos?
Vejo pouca tevê. Acho que não sou muito boa para falar isto não, tenho medo de dar tiro na água. O que sinto é que o mundo ficou muito múltiplo, muito rápido. Fiz a primeira novela quando tinha 22 anos, muito cedo. Na questão audiovisual, muito devido à internet, o valor estético das pessoas, o crivo estético, deu uma incrementada. Toda gente hoje sabe o que é uma boa luz de cinema, um bom enquadramento, e isto cativa até quem achava que não entendia disso. O fato é que as pessoas estão vendo coisas mais elaboradas, muito boas. Como o mercado abriu muito com todos estes streamings, até a novela está mudando esteticamente. A Globo sempre fez novelas incríveis, mas há uma nova qualidade estética invadindo aí, ainda mais bonita.

Neste momento que conversamos você está com uma peça em cartaz, Eu de Você. A resenha da Folha de S.Paulo, para citar apenas uma, a define como uma “atriz excepcional”. É um monólogo trabalhado a partir de 25 histórias selecionadas entre as 300 recebidas pelas redes sociais. As boas histórias continuam sendo o ponto comum que conecta todos nós?
Quando a gente se viu com aquela amostra de histórias – foi muita gente escrevendo “Denise, você que vai me dar voz” – aquilo me deu um aperto no coração porque não queria ser leviana. Mas também não queria fazer um espetáculo triste. Nosso desafio foi como falar com leveza do terrível. Como falar da tragédia cotidiana de uma forma leve. É uma trama com pedaços de vida que nos foram confiados. A gente sabe que a vida não é fácil. Vivemos num país desigual. Existe uma injustiça reinante, uma tentativa para que se aproveitem das pessoas, do embotamento dominante. Ver gente na calçada virou normal, vai-se acostumando com algo que não é para se acostumar. Indignação ainda é um combustível. Por isso, ao final da peça, muita gente fica para conversar comigo, eu sempre gosto de receber as pessoas.

Como atriz, você começou nos palcos aos 24 anos, em 1985 com o Grupo Tapa, interpretando Conto de Inverno, de Shakespeare. Sentiu de cara que era sua praia?
Acredito muito nos clássicos, pois eles falam dos nossos eternos problemas – ciúme, filho ingrato, traições, paixões… Shakespeare percorreu todos esses recantos da alma humana. Sim, teatro é algo muito importante para mim. É no teatro que digo o que quero dizer, que escolho palavras de autores para dizer algo que preciso. Quando fico com gana de montar uma peça, digo que parece que quero contar uma fofoca: “Olha o que eu li que você precisa saber!”. “Olha o que este cara escreveu que vai ajudar a viver!”.

Você é uma apaixonada pela palavra, certo?
Sim, uma das grandes funções do teatro atual é o ritual da palavra. Um ator pode polir as palavras que estão encarceradas na estante. Hoje em dia a gente lê o dia inteiro, mas de forma superficial, não mergulha. A internet é fascinante, mas sinto que perdemos muito tempo de pisar neste degrau do sublime, neste outro lugar onde a literatura pode te levar. O que nos difere dos animais é a imaginação. E estamos exercitando pouco essa habilidade. A história contada permite criar uma imagem que é só sua. Olho muito para a plateia e hoje percebo reações que não são riso, não são choro… são um muxoxo, como se a pessoa dissesse: “Assim, é isto mesmo, é isto”. De cima do palco, vejo muita gente balançando a cabeça quando o texto diz o que a pessoa gostaria de dizer, mas que não estava encontrando palavras para dizer.

A peça também tem momentos autobiográficos, com uma história sua com seu pai, com sua mãe. Como são seus pais, sua infância. Você é a primeira artista da família? Tem irmãos?
As histórias suscitam outras histórias em cada um de nós. Nos ensaios, também foi assim. Eu ia improvisando sobre estas histórias e fui mesclando-as com minhas histórias. Meu pai trabalhou na Petrobrás por anos como contador, mas ele sempre cantou no chuveiro, em casa, em corais. Agora ele está numa casa de repouso, velhinho, e sempre que vou visitá-lo, ele canta. Minha mãe é professora e foi por muitos anos diretora de escola pública. Ela ama teatro, não passa uma semana sem ir ver uma peça. Vai muito mais que eu (risos). Hoje, mesmo com dificuldade de locomoção, ela sai umas três vezes por semana, está sempre sassaricando por aí em algum evento. Do casamento de minha mãe e meu pai tenho um irmão bancário, que fez contabilidade como meu pai e trabalhou no mesmo banco a vida inteira. E do segundo casamento de meu pai, tenho uma irmã. Tive bastante contato com ela quando era menorzinha, agora estamos menos próximas.

A direção de Eu de Você é de seu marido, Luiz Villaça. Como vocês dividem a vida profissional da pessoal? É possível chegar em casa e pendurar as personagens na porta da entrada?
Somos apaixonados pelo que fazemos.  O trabalho do artista não é uma estiva, é uma condição de existência. Você está o tempo todo bebendo da vida, que é sua matéria-prima. Então, é difícil não falar do que a gente faz. É difícil fazer esta divisão. Falamos da cena na mesa do jantar. Mas tem uma hora que a gente diz: “Vamos parar de falar de trabalho”. Respeitamos espaços. Eu e o Luiz, a gente age melhor a partir um do outro. Ele é meu melhor diretor, não consigo mais enganá-lo – “não vem mais com essa vozinha”, diz ele (risos). E sou a única que pode falar para ele certas coisas. Temos um grande companheirismo, pois a gente sabe que cresce a partir um do outro. Quando não concordamos no set, a gente vai para um canto e discute. A gente sempre consegue achar o caminho do meio: não é minha ideia que prevalece, nem a dele, mas uma terceira que nasce de nossa conversa. O fato é que ele é o diretor, a última palavra é dele, sim, porém não me privo de mostrar minha opinião. É um lugar raro, eu falo para ele. Temos até uma expressão: vamos brigar de mãos dadas. A gente briga, discute, entende as nossas diferenças, e cresce a partir do outro.

Você o conheceu em 1999 quando estreou o filme Por Trás do Pano, onde ele estreou como diretor em longas-metragens?
Não, foi em 1994, quando ele me chamou para fazer o curta Até a Eternidade. Já são 26 anos…

Em tempos de amores líquidos, qual o segredo para um casamento longevo?
Não há uma receita, trata-se de uma construção. É preciso paciência, porque as pessoas estão vivendo num mundo liberal, capitalista, que exige um pragmatismo… É uma sociedade da eficácia o tempo todo. Para você ter algo a longo prazo, você precisa errar, precisa dissolver o erro com paciência, senão você não cresce. E sinto que hoje a diferença separa, não se tenta esse lugar do junto. É quando você vê um filme que não quer ver, mas que o outro quer e no final se surpreende. Quando você quer uma relação robusta, grande, é preciso paciência.

Além de atriz, seu aliás longo verbete na Wikepedia a descreve como produtora e cronista brasileira. Em agosto de 2014, você publicou na então sua coluna no jornal Folha de S.Paulo um texto denominado “Química, para que te quero?”, onde questionava o ensino da disciplina e sugeria que o conteúdo fosse reduzido e/ou trocado por atividades recreativas, como o jogo de xadrez. O artigo levou a Sociedade Brasileira de Química (SBQ) e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) a saírem em defesa da disciplina. Como é ter voz num mundo de informação pulverizada e fake news? O que é essencial para você defender?
Revendo o texto hoje eu o modificaria, porque a primeira frase embaça o resto. Eu questionava o porquê da escola perder tanto tempo com algo que você vai esquecer. Química podia ser destinada a quem quer aprender química. Os químicos devem ter se sentido ofendido. Não foi minha intenção, são ruídos de comunicação. A crônica é sobre o quanto acho que a escola devia se preocupar com o autoconhecimento, não com decorar algo para uma prova.

Neste contexto, o que seria o mais importante?
Hoje, é preciso aprender a escolher, pois há uma torre de babel na internet. A informação está na palma de nossa mão. A avalanche de tecnologia nos jogou numa rapidez absurda, que nos roubou a plenitude. A gente está com a atenção deteriorada. Na medida em que você está com o celular ao seu lado, você pode estar aqui e não estar aqui, estar resolvendo um problema em outro lugar. Te roubaram a possibilidade de estar verdadeiramente aqui. É preciso fazer um exercício contrário.

Você tem feito palestras motivacionais, nas quais leva a audiência a refletir sobre o cotidiano e os valores. Qual sua dica de ouro para viver mais e melhor?
Essa é uma novidade na minha vida. Eu já fazia isto com a escolha de minhas peças. Acho que há uma necessidade do exercício de colocar olho no olho, de exercícios de presença, de se colocar na vida com a intenção do exercício real de alteridade, de viver pelo outro, perceber o que o outro está passando. Estamos num país dividido, é uma tristeza porque isso acaba com nossas conversas. Qualquer coisa que você fale está arriscada a ter inimigos. A gente é muito mais do que dois lados. Precisamos conversar, conviver com o outro. Aumentar o grau de escuta é posição revolucionária. E isto precisa de exercício. Se você deixar só o seu grau atual, ele já está deteriorado.

Os ambientes digitais ajudam este diálogo?
Na internet, há muito discurso para pouco fato. Sem ter a vivência que motivou aquele discurso, ele é vazio. E se vai compartilhando, com palminhas embaixo nos grupos e quando vai ver está se compartilhando retóricas e não conteúdos. A retórica é tão sedutora que pode levá-lo a compartilhar algo que você nem concorda. Há muita opinião e pouca história. Esta pode te levar a chorar com a história do outro. Por empatia, se constrói casas em terrenos movediços. Na hora que alguém conta uma história, não tem para ninguém.

Quando penso em você, me vem inevitavelmente à mente a Olímpia, empregada doméstica da peça Trair e Coçar É Só Começar, que estreou em 1986 e da qual foi protagonista por oito anos – talvez seu maior sucesso no teatro. Como você faz a gestão de sua casa? Tem auxiliares?
Todo mundo faz um pouco de tudo aqui. A gente vive sem novidade essa nova onda feminista, que é um movimento muito bonito. Sinto que meus meninos já estão nisso, afinal não dá para eu fazer tudo sozinha. Não é algo, claro, colocado em lei. A gente tenta se ajudar, somos uma família. No fim de semana, quem vai tirar o lixo, quem vai lavar a louça, a gente vai dividindo. Como qualquer outra casa. Meu maridão cozinha muito bem, sou uma realizada.

Nascida no Rio de Janeiro, porque escolheu se mudar para São Paulo em 1994?
Eu atuava na peça Trair e Coçar no Rio e o elenco vinha para São Paulo, daí o diretor me perguntou se eu não queria vir. Vim por seis meses e acabei ficando. Quando cheguei aqui, disse: “Nossa, é minha cidade”. Tive um caso de amor com São Paulo. É uma cidade de quatro paredes. É um caos. Mas é uma cidade como poucas no mundo.

Você já conhecia a Granja quando veio morar aqui?
A Granja entrou com a vontade de ter um lugar de fim de semana. Tivemos primeiro um sítio, mas como trabalhamos muito uma hora o vendemos e achamos uma casa na Granja. Lá, eu tenho pés de frutas, galinhas – não as matamos, são para ter ovo. Tem uns coelhinhos lá, de quando os meninos eram pequenos, cachorro, tartaruga. A Granja nos supre desta necessidade de estar na natureza.

Com Villaça você tem dois filhos. Como é exercer a maternagem na atualidade? Aliás, você é autora de Travessuras de Mãe (Globo, 2010). O livro é baseado em suas experiências?
Pedro tem 20 anos e está na faculdade de cinema. E o Nino, mais velho, 22, faz administração. Sempre falo que a maternidade é a maior aventura da face da terra. Quando tive filho, comecei a escrever, pois ter filho faz a gente pensar na vida. Escrevo na Revista Crescer há uns 17 anos. A coluna não é sobre fraldas e cueiros, se tira chupeta ou não. É sobre minhas dúvidas, sobre minhas travessuras, meus erros. O que eu não conseguia definir, estas angústias, coloco no papel. Filho te dá em troca questionamentos, você vira uma filósofa de boteco sobre tanto que pensa na vida porque vai orientar alguém. Quem me fez ser um ser escrevente são meus filhos. Não tem receita, é um desafio constante. É um desespero, pois o que você acertou ontem não vira uma receita para acertar hoje. É uma ilusão achar que vai ser superamiga, que vão contar tudo para você. Você não é amiga, é mãe, vai ter coisas que eles não vão contar. E é preciso que eles tenham os espaços deles. Meus filhos ainda moram comigo, mas já cuidam da vida deles. Agora é deixar voar. Fico feliz porque eles têm caminhos, vontades e desejos muitos bonitos à frente.

Você teve de abrir mão de algo pela maternidade?
Fiquei sete anos sem fazer teatro. Na época, eu gravava Teatro Falado [um quadro de sucesso do programa Fantástico, da Rede Globo, em que encenava histórias verídicas enviadas pelos telespectadores] e não dava para falar para os filhos pequenos “agora mamãe vai ao teatro”. Fazer teatro de quinta, sexta, fim de semana, é minha vida. Mas foi planejado. Quando eles cresceram, voltei para o teatro. Não fico sem fazer teatro.

É preciso estar em ótima forma para levar um monólogo até o final. Você faz atividade física? Medita? Segue alimentação natural?
Faço musculação e pilates há bastante tempo. Não sou maratonista, mas a peça exige um quê de atleta. Meditação é algo em que sou eterna aprendiz. Tento meditar há muitos anos. Medito, paro, nunca consegui ser alguém que medita de vez. Alimentação eu cuido há muito tempo. Não sou nenhuma radical, como de tudo, adoro feijoada. Só cuido para não ter uma alimentação descuidada. Não vivo de dieta. Presto atenção. Só isso.

Você está com 55 anos. Como lida com o envelhecer, até porque na sua profissão e na contemporaneidade há um culto à juventude.
Tem uma coisa muito legal de envelhecer, que traz uma maturidade. É uma coisa boa, essa dos anos que passam. Uma sensação de um lugar mais tranquilo, se tem uma percepção maior das coisas, não se exaspera com tanta facilidade. Por outro lado, envelhecer é um saco, a gente sente uma dor no joelho que não sentia, sente o espelho não corresponder ao que queria, sofre quando se tira uma foto desprevenida. Tenho lidado bem com isso. A verdade é que não sinto diferença grande dos anos. Também cuido da minha vitalidade, como coisas boas. Quando eu era jovem, pensava que aos 55 eu seria uma senhora. Fiz 55 e fiquei pensando: eu não sou. O motorista do táxi me chama de senhora e, às vezes, me surpreendo. Não me sinto uma senhora.

A Denise Rodrigues Fraga é de 15 de outubro de 1964. Ter nascido num ano tão marcante teve alguma influência nas suas posições políticas? O que acha da Regina Duarte como secretária especial da Cultura?
A gente precisa se cercar de pessoas que entendam dos assuntos que estão destinados em seus cargos. Conheço pouco a Regina, nunca trabalhamos juntas. Mas estamos todos torcendo para que ela se cerque de pessoas competentes em sua equipe. A Regina é uma pessoa que viveu de cultura a vida inteira, sempre esteve ligada à arte, esperamos que ela lute por nós. Existe uma inimizade deflagrada deste governo com a classe artística em geral. Fala-se mal dos artistas, dos jornalistas. Não se pode cercear a liberdade de expressão. A gente tem de ter cuidado quando vê os próprios dirigentes do país falando em cerceamento. Temos de lembrá-los que a liberdade de expressão é algo a ser cumprido na constituição. E é bom que a gente lembre que qualquer censura na Constituição do nosso país é considerada crime. E a gente tem de entender que essa administração é por quatro anos.

Quais os sonhos da Denise Fraga? O que ela ainda quer fazer? Quais seus projetos futuros?
Estou com uma peça nas mãos que é só o começo. Sinto que ela é outra coisa. Não é apenas uma peça, é um ritual, um evento. É teatro como um ritual de ideais, de reflexão. Sinto que o espetáculo modificou suas vidas. Desde o início o que a gente queria era propor este jogo “eu de você”. Faço grande parte da peça no meio da plateia, colocando a mão nos ombros de quem está chorando comigo. A peça virou um ritual para entender o que nos faz humanos e qual lugar é este do qual a gente não se separa. São histórias simples, mas que levam a pessoa para um lugar que une, não divide.

Por Monica Martinez