Desde a publicação da lista de lotes previstos para desapropriação para atender ao projeto de Mobilidade da Raposo Tavares entre os kms 21 e 30, que moradores da região da Granja Viana não falam em outra coisa.
Além de querer entender o porquê de certos imóveis que em tese não teriam nada a ver com isso, serem desapropriados, os moradores estão preocupados com o futuro do bairro, com futuro dos proprietários dos imóveis, sobretudo do Parque São George, moradores antigos do bairro.
O secretário de Habitação de Cotia, Sérgio Folha, responsável pelo projeto diz que não há motivo para pânicos e que está em “busca de um consenso”. Ele contou à nossa reportagem que aguarda o projeto executivo que irá especificar e detalhar as necessidades, quantificar e definir valores. Com isso, o projeto pode sofrer alterações.
Enquanto o projeto executivo não fica pronto, Folha segue conversando com os proprietários das grandes áreas que demandarão desapropriação. Entre elas estão 22,3 mil metros quadrados pertencentes ao Pequeno Cotolengo e 92 mil metros quadrados do Recanto São Camilo, na avenida São Camilo. “No caso do Cotolengo já houve entendimento”, adiantou Folha.
Ao falar da necessidade das desapropriações de grandes áreas, o Secretário é enfático: “as empresas precisam entender que são parte da cidade e que devem contribuir com as melhorias, com o progresso”.

Já no caso das residências do Parque São George disse que foi procurado por alguns moradores e está conversando, mas que ainda depende do projeto executivo e pode ser que essas desapropriações não sejam necessárias. Mas que se forem vai negociar os valores individualmente com cada proprietário.
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O projeto já foi entregue ao Governo do Estado, que segundo Folha, sinalizou positivamente. O secretário reclama da burocracia mas diz que está trabalhando todos os dias para garantir que as obras sejam iniciadas até o final deste governo. E busca recursos financeiros para custear a parte do bolo que compete à Prefeitura, R$ 54,3 milhões que corresponde a 41% de um total de R$ 132,3 milhões.
Transporte coletivo x bicicletas
Questionado sobre o porquê o projeto de mobilidade ter privilegiado os carros e não as pessoas, uma vez que não apresentou nenhuma proposta de melhorias do transporte coletivo ou o uso de outros modais, como bicicletas, o secretário refuta.
Ele diz que embora não tenha sido apresentado, ciclofaixas e melhorias do transporte coletivo estão previstas. Uma das ciclofaixas está prevista na avenida São Camilo que de acordo com o projeto deve se transformar em mão única. Folha diz ainda que está em estudo uma ligação por duas rodas do São Paulo 2 ao Parque Cemucam. E não descarta outras opções.
Já em relação ao transporte coletivo, sem dar detalhes, o secretário diz que após a conclusão do projeto, “automaticamente deverá ser remodelado”.
Outras ações paralelas
Além de buscar recursos financeiros para viabilizar o projeto, Folha está ciente que ele [o plano de mobilidade entre os kms 21 e 30] não é suficiente para resolver as questões de mobilidade da cidade.
A revisão do Plano Diretor, que como já mencionamos em outras matérias, está parada na Câmara Municipal – e da Lei de Uso e Ocupação do Solo (que trata da verticalização) fazem parte deste pacote, juntamente com a regularização fundiária e políticas de combate a invasões e critérios mais rígidos na aprovação de novos empreendimentos.
“Tudo isso vai fazer a diferença para vivermos numa cidade melhor. Vivemos numa cidade boa, eu gosto da minha cidade mas ela pode ser muito mais próspera”, disse o Secretário que está se inspirando na leitura do livro “Morte e Vida das Grandes Cidades”, de Jane Jacobs que fornece uma base para avaliar a vitalidade das cidades, o que torna as ruas seguras ou inseguras; sobre o que vem a ser um bairro e sua função dentro do complexo organismo que é a cidade; sobre os motivos que fazem um bairro permanecer pobre enquanto outros se revitalizam.
Sonia Marques
Desapropriações na Granja: secretário diz que não há motivo para pânico
Sérgio Folha, Secretário de Habitação de Cotia diz que está trabalhando para o consenso e que cada caso será tratado individualmente e que projeto ainda pode sofrer alterações. Pelo menos duas ciclofaixas podem compor o projeto de mobilidade, uma na São Camilo e outra ligando São Paulo 2 ao Cemucam













