O edital do projeto básico da Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo, que deverá ligar Cotia à capital paulista, passando por Osasco, revelou as diretrizes construtivas, operacionais e socioambientais da futura Estação Cotia-Km 26 (EEMB). Localizada em Cotia, entre a Estrada do Embu e a Estrada Velha de Cotia, a parada foi projetada para atuar como a estação terminal da Fase I de operação do novo ramal metroviário.
Desapropriações e respeito à área ambiental
De acordo com o edital do Metrô, a implantação do corpo principal da estação — o chamado Acesso A — e de seu terminal de transporte coletivo exigirá a desapropriação de quatro lotes, que somam 38.866,85 m². Desse total, 9.608,00 m² estão inseridos em uma Área de Preservação Permanente (APP).

O documento aponta que as restrições legais da APP foram determinantes para o desenho arquitetônico da estação, que respeitou os limites ambientais sem prever edificações ou uso operacional na área protegida. O projeto buscou ainda garantir permeabilidade visual por meio de passagens e aberturas, com foco na integração paisagística e na ampliação da cobertura vegetal.
Além disso, um terreno de 1.100,27 m² situado a sudoeste será desapropriado para abrigar o Acesso B. Atualmente, a área do Acesso A abriga galpões, indústrias e um centro de distribuição de autopeças. Já o lote do Acesso B é ocupado por um supermercado.
Impactos no tráfego e integração urbana
O projeto da Estação Cotia-Km 26 foi desenvolvido de forma integrada com as intervenções e alargamentos previstos no projeto Nova Raposo e no Plano de Mobilidade de Cotia, assegurando a compatibilidade geográfica à margem da rodovia Raposo Tavares (SP-270).
Estudos de simulação indicaram que o tráfego gerado pela estação causará impactos pontuais e gerenciáveis nas vias locais do entorno, com retenções e filas concentradas nas estradas Velha de Cotia e do Embu. A fluidez da rodovia principal permanecerá inalterada, segundo as projeções.
Demanda: 78 mil passageiros por dia na primeira fase
Por exercer o papel de estação terminal provisória durante a Fase I, o local absorverá uma demanda significativamente maior do que no cenário futuro da Fase II — quando a linha será estendida até o Terminal Cotia. Diante disso, o Metrô adotou parâmetros específicos e projeta um fluxo expressivo de 78.307 passageiros diários para a estação nesta primeira etapa, com base nas simulações do Cenário 40911 do Plano de Investimentos da companhia.

Infraestrutura planejada
O edital especifica uma série de estruturas de apoio ao usuário que serão implantadas na estação:
- Terminal de ônibus integrado: com 208 metros de extensão de baias, funcionando como o principal sistema alimentador da Fase I;
- Bicicletário: capacidade para 100 vagas, sem previsão de ciclovia integrada devido às limitações do espaço viário local;
- Sistema de “kiss and ride”: composto por 9 vagas distribuídas na Estrada Velha de Cotia e na Rua São Domingos, para embarque e desembarque rápido de passageiros;
- Estacionamento subterrâneo para automóveis: com 81 vagas, implantado no pavimento intermediário da estrutura da estação.
Método construtivo e zoneamento
Conforme as especificações técnicas, a estação será construída pelo método de vala a céu aberto (VCA), com profundidade total de 25 metros a partir do Acesso A até o nível dos trilhos.
Em termos urbanísticos, o Acesso A está situado em Macroárea de Urbanização Consolidada (MUC) e Zona de Uso Misto (ZUM), com Coeficiente de Aproveitamento (CA) máximo permitido de 6,00. Já o Acesso B localiza-se em Zona de Indústria, Comércio e Serviços (ZICS), onde a sobreposição da ZUM também possibilita atingir o mesmo índice de aproveitamento de 6,00.
Fonte: Portal Via Trolebus














