Você foi para uma festa sem esperar muito dela com uma decisão de última hora e… Surpresa! A festa foi melhor do que você imaginava. Delícia a gente se surpreender positivamente.
Só que também acontece o contrário. Você esperou tanto por aquele evento e só depois se deu conta de que a espera foi a melhor parte. Nossas expectativas por vezes jogam contra a gente, principalmente nas relações que exigem alinhamento de comunicação, boa vontade mútua e o desejo para que tudo dê certo.
Por isso, falo sem medo de errar: não existe profissional perfeito, do mesmo jeito que não existe mãe perfeita, amigo perfeito… E mais, é pouco produtivo desejar um(a) profissional “que cuide da sua casa como você cuida” ou “que caminhe sozinho(a)”. Cada um cuida da sua casa e da sua vida de acordo com a bagagem de experiências, referências e preferências que acompanharam sua trajetória de vida. Nesse sentido, somos todos diferentes uns dos outros. Por isso, especialmente no início, esse caminhar não pode ser isolado. Essa ideia de que alguém vai ler seus pensamentos é uma fantasia. Ao contratar um funcionário doméstico, você é responsável por deixar claras as expectativas em relação às atitudes do outro.
Nossa experiência mostra que, na maioria das vezes, não basta falar; é necessário dar indicadores, evidências. Exemplo: “quero que hoje você faça uma limpeza profunda no quarto de brinquedos das crianças”. Limpeza profunda pode ter significados práticos e diferentes, concorda? Agora experimente outra abordagem, mais específica e com critérios de acompanhamento: “quero que hoje você limpe o quarto de brinquedo das crianças – você deve retirar o pó dos objetos altos, como quadros, armários e aparelhos de ar-condicionado, e dos móveis, além dos itens de higiene e decoração. Em seguida, passe um pano úmido com álcool nos brinquedos (caso sejam muitos, setorize — hoje nos carrinhos, amanhã nos jogos, semana que vem nas bonecas e bonecos, e assim por diante), passe panos úmidos nos armários e gavetas, por dentro e por fora, limpe rodapés e interruptores de iluminação, aspire sofás e (se houver) tapete; aspire também o chão, arrastando todos os móveis para limpar os cantos escondidos. Por fim, passe um pano umedecido com água e uma pequena dose de desinfetante em todo o chão e no tapete de brincadeiras”.
Ufa! Mas é preciso explicar tudo isso? Sim! Além de falar, você deve encontrar uma maneira de deixar registrado para servir de lembrete — pelo menos algumas vezes, até que se crie o hábito e vire rotina. Esse processo é, sem dúvida, mais demorado e trabalhoso do que apenas ler pensamentos, né?! Mas, acredite: é bem mais eficiente.
Por Thaíse Giacomin, Sócia proprietária da Casa Coach – empresa especializada na seleção e treinamento de colaboradores domésticos

















