A arte de protesto e a urgência climática aparecem como um dos temas importantes na 4ª Exposição Escultura ao Alcance de Todos, que ficará aberta e com livre acesso do público até 31 de outubro na Praça das Artes, em Embu das Artes. Ali pode ser vista a escultura “Eu moro naquilo que sou. Eu sou aquilo que faço”, um painel que traz, no próprio material do qual é feito, um conteúdo simbólico de defesa do meio ambiente e, mais precisamente, da Reserva Florestal do Morro Grande.
Os artistas Renato Namura, ativista, agricultor, permacultor; seu irmão Ricardo Namura, também ativista permacultor e bio construtor; e Irael Luziano, professor de artes e de escultura no Memorial Sakai, de Embu das Artes, utilizaram materias fornecidos pela própria natureza para construir o painel.
A matéria prima para a obra inclui sementes de um projeto agroecológico que os artistas realizam na região do Morro Grande, em Cotia, além de argila e uma tinta produzida a partir do próprio solo da região da reserva florestal, complementados por resíduos urbanos coletados no centro do Embu. Tudo para apontar que a obra foi elaborada a partir da própria natureza e do ambiente no qual convivem não só os artistas, mas o próprio cidadão que passeia pela exposição.
“Usamos recursos como casca de eucalipto, bambu, fibra de bananeira, além de técnica ancestrais, como o bambu a pique, utilizada na permacultura. Misturamos arte e agroecologia fazendo um painel todo de terra”, explica Renato. Para ele, o próprio uso do material participa de um protesto que chama a atenção das pessoas para os elementos que estão ao seu entorno. “Nossa região é muito rica, e destacar esses elementos na própria construção da obra é uma forma de demonstrar isso”.
O painel tem dois lados. Um dedicado aos indígenas, aos povos ancestrais, ao povo yanomami e ao xamã e pajé Davi kopenawa. O outro lado dedicado a Xapiri, o espírito guardião da floresta. Eles retratam figuras com caracteristicas humanas “plantadas”, com raizes em um ambiente que representa o solo, mas ao mesmo tempo voltadas para o alto e o entorno. “É uma forma de denunciar a destruição ambiental que acontece no país e também está muito presente na nossa região”, diz Renato.
A 4ª Exposição Escultura ao Alcance de Todos, que acontece desde 12 de agosto, conta com obras de mais de 60 artistas embuenses e de outras cidades, que ficarão expostas até 31/10 para visitação em praça pública, durante 24 horas. Poderão ser vistas obras feitas em diversos materiais como mármore, madeira, metal, bronze, barro, vidro etc. A exposição é uma realização dos artistas embuenses e conta com o apoio das secretarias municipais de Cultura e de Turismo e da Associação Cultural Embu das Artes.
Serviço
4ª Exposição Escultura ao Alcance de Todos
Quando: Até 31/10
Onde: Largo 21 de Abril, s/nº, Centro Histórico, Embu das Artes
Por Fabio Sanchez














