Febre amarela em Cotia

Não há caso de contágio de febre amarela confirmado na cidade. Pontos de vacinação têm grandes filas e incertezas quanto aos estoques .

A febre amarela foi chegando, chegando, e de repente estava praticamente no quintal da casa dos paulistas, o que inclui a cidade de Cotia, já que a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a considerar todo o território de São Paulo como área de risco de febre amarela e recomendou que todos os estrangeiros que fizessem viagens à região estivessem vacinados.

A preocupação com o contágio da doença transmitida pelo mosquito Haemagogus, no ciclo silvestre, e pelo Aedes aegypti (o mesmo da dengue) no meio urbano, levou milhares de pessoas aos postos de vacinação espalhados por todo o Estado.

A equipe da Revista Circuito percorreu três dos 25 postos de vacinação em Cotia para avaliar como estava o atendimento para a imunização da febre amarela. Além de longas e morosas filas causadas pela baixa quantidade de agentes de saúde nos postos, a organização durante a espera também deixa a desejar, provocando atritos entre funcionários das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e usuários.

No Pronto Atendimento do Portão, onde a situação se encontra mais complicada, algumas pessoas haviam chegado às 6h20 para garantir a imunização, e até às 9h30 ainda não haviam sido atendidas.

Outros relatos de usuários nas redes sociais mostravam que a espera na fila chegava a mais de cinco horas.

Para aumentar o número de imunizados no município, a Secretaria de Saúde chegou a enviar enfermeiro à feira noturna de Cotia e 2 mil doses da vacina para ser aplicadas na população.

Além dos muitos boatos que pipocavam nas redes sociais sobre infectados em Cotia, também informação reais, como o resultado da análise das amostras coletadas em primatas encontrados mortos na Reserva do Morro Grande. Quatro macacos tinham o vírus da febre amarela, de acordo com o Instituto Adolf Lutz.

De acordo com a Secretaria de Saúde, até o fechamento desta matéria não havia caso de contágio de febre amarela confirmado na cidade.

A Vigilância Epidemiológica de Cotia declarou que mais de 60% da população de Cotia já foi imunizada contra a doença.

Sobre as grandes filas, Magno Sauter, secretário de Saúde de Cotia, disse que desde que começaram as primeiras confirmações de mortes por febre amarela, praticamente todos os municípios próximos às regiões que em que os casos foram confirmados registraram procura recorde pela vacina.

“Em Cotia não foi diferente e, apesar de estarmos preparados para vacinar a população, disponibilizando a vacina em todas as regiões da cidade, os transtornos da longa espera nas unidades de saúde foram inevitáveis por conta do grande número de pessoas em busca da vacina”, afirmou.

Segundo o secretário, muitas pessoas não moram, não vão viajar e nem passam perto de região de mata, mas embalados pelo temor da doença lotam as unidades de vacinação.

“Cotia, bem como os demais municípios, depende do Governo do Estado para disponibilizar as doses para a população e, de maneira estratégica, tem atendido todas as suas regiões”, disse à Revista Circuito.

 

Serviço

Confira os 26 postos de vacinação em Cotia, clicando aqui

 

Contraindicação

A professora aposentada Mônika Oelkerf, de 76 anos, que residia em Ibiúna, morreu em caso raro de reação vacinal. Ela apresentou sintomas da doença viscerotrópica aguda, que ocorre em 1 a cada 400 mil doses aplicadas.

O laudo da morte da aposentada lista, entre os diagnósticos, hemorragia pulmonar, hepatite aguda, icterícia febril e febre hemorrágica, sintomas da doença viscerotrópica aguda (DVA), uma reação à vacina em que o paciente desenvolve um quadro semelhante ao da doença até dez dias após ser imunizado. Além disso, ela sofria de obesidade, arteriosclerose, diabetes e hipertensão.

A vacina é contraindicada para crianças menores de 6 meses de idade; indivíduos com história de reação alérgica grave relacionada a substâncias presentes na vacina – gelatina bovina, ovo de galinha; pacientes com HIV; pacientes em uso de drogas imunossupressoras; transplantados e imunodeficiência primária. Indivíduos acima 60 anos, gestantes e mulheres amamentando crianças de até 6 meses devem ser avaliados por um médico antes de receber a vacina.

Leia a cartilha sobre Febre Amarela, clicando aqui.

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