As lembranças que os irmãos Oscar Ramos Filho e Lúcia Ramos Petrone têm de seu pai são dos tempos de guerra. Oscar Ramos, que faleceu no ano de 2000, aos 89 anos, participou da Revolução Constitucionalista de 1932 e do final da 2ª Guerra Mundial, em 1945. Ele morava em Cotia, desde 1963.

Ramos serviu a Marinha e o Exército, mas acabou abandonando as duas corporações. No entanto, enquanto ainda servia o Exército, foi chamado para combater na Revolução de 1932, que ficou conhecida na história como Revolução Constitucionalista.
Para quem não está lembrado, a Revolução Constitucionalista foi uma revolta ocorrida no estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas. As elites paulistas buscavam reconquistar o comando político que haviam perdido com a Revolução de 1930 e pediam a convocação de eleições.
Foram mais de 200 mil voluntários, sendo 60 mil combatentes. Por outro lado, enquanto o movimento ganhava apoio popular, 100 mil soldados do governo Vargas partiram para enfrentar os paulistas.
E Ramos estava entre os paulistas, que esperavam o apoio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, mas sem sucesso. Segundo seu filho, Ramos não chegou a matar ninguém, mas viu um amigo morrer ao seu lado. “Meu pai estava na trincheira com mais dois amigos. Um deles, acabou sendo atingido com dois tiros na cabeça e morreu na hora. Meu pai, neste dia, também levou um tiro de raspão no capacete”, conta.

Durante os combates, foram registradas 934 mortes. Apesar da derrota no campo de batalha, politicamente o movimento atingiu seus objetivos. A luta pela constituição foi fortalecida e, em 1933, as eleições foram realizadas, colocando o civil Armando Sales (1887-1945), como governador do Estado, em 1935. “Ele falava que estava ali não para matar ninguém, mas sim para servir o país”, relembra Oscar.
2ª Guerra Mundial
Já casado e com a filha Lúcia, na época com apenas oito anos, Oscar Ramos se afastou de toda a vida militar. Mas não por muito tempo. Como ele havia abandonado o Exército, foi capturado e preso por mais de um ano. Quando saiu, e já no auge da 2ª Guerra Mundial, Ramos se alistou voluntariamente para servir novamente o país.
O Brasil teve uma participação efetiva na Segunda Guerra (1939-1945) com o envio, para os campos de batalha, de uma força militar conhecida como Força Expedicionária Brasileira (FEB). Este grupo, que no total chegou a reunir cerca de 25 mil homens, participou, junto com os Aliados (Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética), de combates na Itália travados contra países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).
No início, segundo Oscar, o campo de atuação de Ramos e de outros soldados era na fronteira para impedir que inimigos entrassem no país. Mas, posteriormente, foram chamados a irem para a Itália. “Eles já estavam chegando na Itália, quando veio a mensagem que a guerra havia acabado. Se ele tivesse ido, talvez, teria morrido”.
As Baixas Brasileiras na Segunda Guerra Mundial foram proporcionalmente inferiores a de outros exércitos que lutaram em condições semelhantes nas mesmas regiões e em mesmo espaço de tempo. Dos brasileiros, morreram 450 praças, 13 oficiais e 8 pilotos. Foram aproximadamente 12 mil feridos nos combates.
Desvalorizado
Oscar Ramos se aposentou como ex-combatente da Revolução de 1932, com um salário desvalorizado para quem tanto lutou pelo país. Ele ganhava algo em torno de R$720,00 – com os descontos, o valor chegava a R$650,00. Mesmo aposentado, Ramos trabalhou como pedreiro para conseguir se manter.
Apesar de ser desvalorizado e já com uma certa idade, ele participava de todos os desfiles em homenagem aos combatentes da Revolução Constitucionalista, realizados no dia 9 de julho em São Paulo.
Por José Rossi Neto
Filhos de Oscar Ramos relatam momentos do pai em duas guerras
Na última reportagem da série especial do aniversário de Cotia, vamos hoje resgatar a história de um ex-combatente do Exército que viveu em nossa região. Quem nos conta esta história é Lúcia Ramos Petrone e Oscar Ramos Filho, filhos de Oscar Ramos, que participou da Revolução Constitucionalista de 1932 e do final da 2ª Guerra Mundial. Morador de Cotia desde 1963, Ramos se aposentou como ex-combatente, com um salário que não conseguia se manter, mas foi motivo de orgulho para a família e para a cidade















