Com nove pódios e troféus em menos de um ano no Kartódromo da Granja Viana, JP impressiona pela velocidade, talento e foco. Com cabelos azuis, sua cor preferida, ele é reconhecido nas pistas, até pelos pilotos profissionais mais experientes da casa, não apenas por seu desempenho, mas por ser o único piloto com autismo grau 1 formado pela EBK. Seu hiperfoco no automobilismo transformou-se em combustível para acelerar rumo ao topo.
Uma descoberta que mudou tudo
A entrada de JP no kartismo foi quase por acaso. Aos 8 anos, ele não se interessava por nenhum esporte. A insistência da mãe, Simone Simões, para que ele ao menos experimentasse algo novo, acabou levando a família ao kartódromo. E foi ali, no momento em que JP assumiu o volante de um kart infantil, que tudo mudou.

“Os próprios mecânicos e pilotos ficaram impressionados e o convidaram para entrar para a EBK”, relembra Simone. A EBK, credenciada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), possui tecnologia de telemetria para avaliar cientificamente o desempenho dos pilotos. E o veredito dos dados não deixou dúvidas: JP dominava as técnicas como se já estivesse nas pistas há anos. Seu coach, Beto Nini, foi categórico: “A Telemetria não mente. Ele é bronze. Ele já sabe tudo.”
Hiperfoco: uma vantagem nas pistas
JP é autista de grau 1, condição que muitas vezes é mal compreendida, mas que, em seu caso, tornou-se um diferencial competitivo. O hiperfoco é uma característica comum no espectro autista e se manifesta de maneira poderosa nas pistas, JP tem atenção absoluta, concentração impressionante e memória fotográfica. “Ele enxerga detalhes da pista e oportunidades que muitos pilotos não percebem”, destaca Beto Nini, coach do piloto mirim.
Curiosamente, desde que começou a competir, JP pode deixar de tomar algumas medicações que tomava para ansiedade por prescrição do neurologista. O kart, como sua mãe afirma, tornou-se parte do tratamento: “Se ele passa muito tempo sem ir ao kartódromo, adoece”, conta. É nas pistas que ele se equilibra!

Outro que se encantou com a jovem revelação das pistas foi Walter Travaglini, tricampeão brasileiro, que foi instrutor de Ayrton Senna no Kart e atualmente é técnico de JP na Equipe TR3. Foi ele que incentivou os pais a investirem em um novo Kart, mais potente: um Rotax. Portanto agora, o garoto passa a competir em duas categorias de Kart. “Ele é muito piloto para o kart que tem”, chegou a dizer Waltinho.
Um currículo precoce e impressionante
Em apenas nove meses de competições oficiais, JP já soma 9 troféus, incluindo o vice-campeonato da categoria Mirim na temporada 2024 — feito conquistado com apenas duas corridas disputadas. Em 2025, ele figura entre os três primeiros colocados no ranking geral da Copa São Paulo KGV, com atuações consistentes: duas vitórias, quatro segundos lugares e três terceiros.

No final de junho, mesmo com o kart danificado após um toque na classificação, JP recuperou posições durante as baterias e terminou a etapa no pódio. Uma demonstração de resiliência e técnica, reforçando sua reputação como um dos jovens talentos mais promissores do kartismo brasileiro.
Agora, ele se prepara para um novo desafio: a estreia na categoria Micro Max da Rotax, com um kart importado da Itália. Com velocidades que chegam a 100 km/h, JP dará um passo técnico importante em sua evolução como piloto.
A vida além das pistas

JP vive com os pais, Pedro e Simone Simões, e frequenta o 4º ano do ensino fundamental da Escola Natureza, em Cotia. Filho temporão, também tem duas irmãs já adultas Thalia, de 27 anos e Thalita, de 33. Embora ainda não seja alfabetizado por completo, sua memória visual permite que ele leia algumas palavras de forma integral. Em matemática, ele brilha, conta a mãe.
O custo do sonho
A vida de um piloto mirim é tudo, menos barata. Seu pai, Pedro, que sonhava em ser piloto, vendeu um dos carros da família para comprar o novo Rotax. Os gastos mensais com treinos, equipe, pneus e equipamentos chegam a R$ 13 mil por mês conta a mãe. “Hoje, os patrocinadores somos nós mesmos”, conta Simone. A empresa de transporte escolar da família (Ellegance Transportes) e que cobre a maior parte dos custos. O salão Studio Visage, cuida dos cabelos azuis do garoto e os Postos Ja1000, de amigos próximos, que ajudam como podem. Entre os sonhos da família está a chegada de um patrocinador fixo que permitiria ao garoto chegar cada vez mais longe nesta corrida de sucesso que vem empreendendo.
Curiosidades sobre o kart e o hiperfoco no autismo
Velocidade e segurança: Mesmo na categoria Mirim, os karts podem atingir até 100 km/h. Os equipamentos de segurança (capacete, macacão, luvas, sapatilhas) são específicos e também caríssimos — o capacete de JP, por exemplo, custou R$ 9 mil.
Telemetria de precisão: Como na Fórmula 1, cada movimento de JP é monitorado por sensores. Assim, é possível analisar curva a curva, ponto de frenagem, aceleração e desgaste dos pneus.
Hiperfoco autista: Estudos mostram que pessoas com autismo podem desenvolver um foco intenso em áreas específicas. Esse hiperfoco é um trunfo no automobilismo, onde a atenção a detalhes pode ser decisiva para o sucesso.
O simulador: A família estuda transformar o Kart antigo de JP em um simulador de corridas, ajudando a manter o treino mesmo fora da pista — mais uma ferramenta para desenvolver suas habilidades e treinar decisões estratégicas.
O que vem por aí
No dia 30 de agosto, JP volta às pistas para a sétima etapa da Copa São Paulo KGV. A expectativa é de estreia oficial com o novo kart Rotax, agora correndo em duas categorias no mesmo dia. A corrida da manhã será com o novo equipamento; à tarde, ele volta à sua categoria original, a Mirim.
E quando perguntado a quem dedica suas vitórias, JP responde com a sinceridade que só uma criança de 9 anos pode oferecer:
“A mim mesmo. Fui eu que pilotei.”
Apoie este talento
Empresas que queiram apoiar JP Simões com patrocínio podem entrar em contato com sua família através de sua mãe @simone_simões ou a Ellegance Transportes, que também atua com transporte de crianças especiais na região de Cotia. Patrocinar JP é mais do que investir no esporte: é ajudar a construir uma história de superação, inclusão e velocidade.
Siga o JP nas redes sociais: @jpsimoespiloto
Por Mônica Krausz












