Nossa língua pátria, a língua portuguesa é a 8ª língua mais falada no planeta com cerca de 258 milhões de falantes pelo mundo afora. O Inglês lidera esse ranking com 1,5 bilhão em todo mundo. O mandarim é o segundo idioma com 1.12 bilhão.
Dizem os estudiosos e os amantes do belo, que o português e o italiano são as línguas mais sonoras do planeta. Sem bairrismos, a nossa língua é maravilhosa. Tem palavras que só existem por aqui e que não têm tradução para nenhum outro idioma: Saudade é a mais emblemática, no inglês é um chocho “i miss you” que quer dizer “sinto sua falta”.
Chocho, cafuné, chulé, caprichar, xodó, malandro, gambiarra, essas duas ultimas representam bem nossa cultura do famoso “jeitinho”. Se você pedir para um garçom nos EUA “caprichar” no suco em inglês isso significa pedir um extra, vai ser a mais e certamente será cobrado. Friorento/calorento, anteontem, orelha/ouvido (só tem “ear” em inglês) e maracujá entre outras palavras, também não encontram tradução literal no inglês, sendo traduzidas por explicações ou palavras sem sentido na origem e bem distinta da beleza e sonoridade das nossas palavras.
Da área corporativa vêm os anglicismos. Herança da globalização da simplificação e do poder cultural da língua inglesa no mundo dos negócios. Palavras em inglês são aportuguesadas e entram nos sosso vocabulário. Startar, link, streaming, delivery, show, shopping, freelance, wifi, login, backup, coffee break, marketing, fast food, bike, home office, on line, enfim uma quantidade enorme de palavras que usamos como se sempre estivessem no dicionário da língua portuguesa. Não estavam até pouco tempo.
Outras mais virão em breve, fazer parte do nosso cotidiano e já incorporam os emails das empresas tais como: O mais rápido possível, virou “ASAP” que é a abreviação de “as soon as possible”, para sua informação, virou “FYI”, abreviação de ”for your information”. Agora quando o cara sai de férias ele põe no email: “OOO” que quer dizer “out of office”. Ligação, virou “call”. E por aí vai. Tem gente que se acha, mas ao mesmo tempo em que fala “briefing, fala “pobrema”. Coisas do Brasil.
Mas o melhor são as frases sem sentido que usamos no dia a dia e que essas sim, só nós brasileiros entendemos. Nenhum gringo recém aprendiz de português vai entender, mas quando captar a mensagem vai se deliciar. Quem já não usou, usa ou usará essas frases/pérolas que se contradizem, mas nos dizem tudo? Vamos lá: “Tem mas acabou”.“Tô só o pó da rabiola”. “Agora só amanhã”. “Tô com fome de comer alguma coisa, mas não sei o que é”. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. “Me inclua fora dessa”. “Vou esperar o cartão virar”. “O movimento tá meio parado hoje”. ” Fiquei trancado pelo lado de fora”. “Vou esperar o sol esfriar”. “A luz dormiu acesa”. “Eu conheço, mas não sei quem é!”. “Escuta só, pra você ver”. “Não vi nem o cheiro”. “De longe ele é feio, de perto parece que ele tá longe”. “Segue reto toda vida e quebra ali aonde o vento faz a curva”.
Voltando a linguagem mais tradicional, posso dizer que o meu corretor enlouqueceu quando escrevi as frases acima. A língua é viva e está em constante evolução e com a criatividade do nosso povo, haja evolução!
Marcos Sa é palestrante e consultor de propaganda e marketing, com especialização na universidade de Stanford, California, EUA.













