Surfando nas ondas da brasilidade, o músico cotiano Gabriel Machado mergulha em composições autorais em Antes das Caravelas. O trabalho reúne suas canções mais recentes, escritas durante a pandemia e que refletem os tempos difíceis em que vivemos. “Algumas falam de experiências pessoais e outras são inspiradas em fatos cotidianos”, revela.

A música-tema, Antes das Caravelas, versa sobre a relação dos povos indígenas com a terra antes da chegada dos portugueses. Já Fim de Semana fala sobre rotina, tempo e tédio. No repertório, tem espaço ainda para a saudade em Eu Vou me Acostumar e também para uma crítica social em Esse Sujeito, música recém-lançada e inspirada nas marchinhas de Carnaval. “Neste ano, não pudemos celebrá-lo e, provavelmente, tampouco São João, já que nosso país vive uma crise sanitária e a população clama pela vida”, explica.

 

Além destas, Gabriel tem composições que fez com em conjunto com a banda da qual é vocalista. O Cajueiro, a primeira composição de sua carreira, é uma adaptação do relato do seu avô sobre a vida no Nordeste; em Verdejar, o músico fala sobre as paisagens e os prenúncios da natureza e Fugere Urbem é bucólica. ”É o desejo pela vida simples”, resume.

#circuito21anos: em janeiro de 2018, divulgamos em nossas páginas o prêmio recebido pelo cotiano

Gabriel Machado, desde criança, gosta de música. “Eu via o meu pai tocar e cantar, acho que isso estimulou minha percepção para a música”, conta. Autodidata, aprendeu a tocar violão aos 12 anos e, aos 16, formou sua primeira banda em Cotia e chegou a tocar em bares da cidade. Em 2013, aos 19 anos, venceu como melhor vocalista o Fipo – Festival Interno Potencial Objetivo, onde fazia cursinho.

Em 2014, ao ser aprovado em Geografia na UNESP, mudou-se para Presidente Prudente e foi em meio a um movimento de greve universitária que a banda Doce Fel nasceu. É a partir daí que Gabriel considera, de fato, o início da sua carreira musical. “Era 2016, quando começamos a fazer experimentações inspiradas por rock progressivo e música brasileira e participamos de festivais”, lembra. No fim de 2017, a banda venceu o Festival Rock Garagem do Centenário, realizado em Prudente, e se tornou sensação por lá.

Hoje, aos 26 anos, ele divide seu tempo entre os bancos da UNESP – onde está concluindo a graduação – e as salas de aula – onde leciona Geografia – com os acordes do violão e da guitarra. Gabriel, agora, é um músico completo: compõe, toca e canta. “Faço tudo ao mesmo tempo e não tenho preferência”, ressalta. Como consegue? “Às vezes, começa como uma brincadeira, eu vou solfejando, cantarolando… mando para amigos, meu pai e eles vão dando sugestões. Chamo para um café e, quando vejo, a música surgiu de forma coletiva”, responde.

Tal como a cultura brasileira, suas influências musicais são ricas em diversidade. Do rock nacional à música de Elomar, Xangai, Rodrigo Amarante e Milton Nascimento, o artista vai ao encontro do soul setentista e de clássicos do rock mundo afora, além de Tame Impala, Mac DeMarco, Boogarins e Tim Bernardes. “Artistas contemporâneos que transformam estes mesmos gêneros criando e recriando músicas incríveis”, observa.

Estas são algumas das referências que Gabriel empresta aos vocais, seja se apresentando em eventos acadêmicos, em casas de espetáculo e bares de Presidente Prudente, em shows no SESC (assista um deles abaixo) e por aqui em Cotia, onde vem com frequência para visitar a família.

Por Juliana Martins Machado

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