Por Eric Ribeiro
O ano de 2020 já começa com muitas mudanças para o ambiente educativo nas escolas municipais e estaduais, por um lado há novidades nos materiais e infraestrutura, tais como a distribuição dos novos uniformes ou a troca e instalação de novos equipamentos de ar condicionado. E por outro lado, temos novidades em relação aos programas de PEI (Programa de ensino integral) e o ETI (Escola de tempo integral).
Já falamos do final do ano passado sobre a expansão do programa, mas agora vamos um pouco além. Acompanhando de perto como o PEI está sendo encaminhado nas escolas públicas da região e descobrir quais as impressões de alunos e funcionários quanto ao período letivo que tem início este mês.
É que nesse ano, outras 247 escolas também foram integradas ao programa de ensino integral só no Estado de São Paulo, de acordo com dados divulgados em seu portal, o Ministério da Educação (MEC) está investindo 82,3 milhões em recursos para viabilizar que o projeto funcione para os jovens que cursarem o ensino médio integral nas escolas públicas. A ideia é que essa ação possa dar suporte não apenas aos alunos, que já contam com um aumento de 41.130 vagas nessa modalidade pelo país, mas aos professores que estão se reinventando e adaptando para as novas demandas. Com esse novo modelo, estes profissionais passam a trabalhar cerca de 40 horas semanais. Mas antes de se adequar as rotinas integrais, o estado estabelece que realizem um curso na EFAP (Escola de Aperfeiçoamento dos Professores) a fim de entenderem o que mudar na didática e como conduzir suas aulas em um período mais extenso.
O diretor da Escola Estadual Fernando Nobre, José Teodoro Filho (foto), explica que em meio a todas as novidades, a adaptação será um processo ao qual alunos e professores percorrerão juntos: “Agora o professor permanece na escola o tempo todo junto com os alunos. Esse ano estamos trabalhando com nove aulas de cinquenta minutos por dia. Os alunos, por sua vez, além das matérias do currículo básico comum, passam a ter uma modalidade diversificada e o Inova. O Inova é outra novidade que corresponde a três categorias, são as Eletivas, Projeto de vida e Tecnologia e Inovação. Daí, também teremos outras três que são as diversificadas ou oficinas, que são as Orientações de estudo, Práticas experimentais e o Protagonismo juvenil. No total, os alunos agora vão contemplar treze matérias. E para o professor entrar no programa e lecionar essas matérias precisa fazer o curso do Inova na EFAP.”

Além de oferecer um aprimoramento na grade curricular, foram implementadas disciplinas que trabalham temas sociais e profissionais, ao mesmo tempo em que procuram despertar o interesse dos alunos, dando-lhes também alternativas de atividades dinâmicas e diversificadas, como a possibilidade deles mesmos criar clubes em que possam desenvolver aulas de dança, clubes de jogos de estratégia, acolhimento de calouros e etc. Tudo de maneira para que o aluno tenha liberdade de organizar sua agenda conforme seus interesses e habilidades.

O diretor conta que a primeira etapa em que estão trabalhando é incentivar o interesse dos alunos para as disciplinas eletivas. “Além dessas matérias novas do programa, os alunos podem ter um nivelamento, que são desenvolvidas como aulas de reforço quanto enfrentarem mais dificuldade em alguma disciplina. Também tem os clubes, que os estudantes são muito incentivados a criar e desenvolver o ‘protagonismo juvenil’. Modalidades em que podem pensar, planejar e então realizar. Como por exemplo clubes de acolhimento, clubes de líderes de turma e grêmio estudantil.”
Os clubes de acolhimento são iniciativas para que veteranos possam dar suporte aos alunos que ingressarem ao colégio. E tanto quanto os demais clubes, será uma oportunidade para os jovens terem liberdade em criar projetos ou propostas que eles achem interessante, e então, com o apoio e orientação dos professores, desenvolvam atividades e no final dos semestres apresentem os resultados.

Mas então, ficar um período mais longo dentro das salas de aula está sendo bom ou ruim? Conversamos com alguns pais e alunos para entender quais as primeiras impressões, já na primeira semana de aula. Para a Luciana Veríssimo dos Santos, mãe da aluna Yasmin, de 13 anos, além de uma forma de tirar muitas crianças das ruas, esse projeto está preparando eles para o mercado de trabalho. “Os alunos estão tendo uma base preparando eles para o futuro. Seja para conseguir um trabalho ou como uma forma dos alunos fazerem planos para ter uma profissão. Além, é claro, que é preferível que os alunos fiquem nas escolas do que nas ruas. Aqui eles podem estar mais tempo não só estudando, mas fazendo essas novas atividades, né?”
Por um lado, é uma forma de manter os jovens envolvidos em atividades educativas e desenvolvendo mais seu potencial. Mas por outro, dedicar mais horas aos estudos dentro do colégio e abrir mão das suas tardes livres, ainda que de forma mais dinâmica, pode trazer desconforto mesmo nos alunos que gostaram da proposta. “Temos mais oportunidades de conhecer outras coisas e fazer atividades diferenciadas que a escola proporciona. A gente adquire mais conhecimento de coisas que pode usar no futuro e tem melhoras também. Mas acaba sendo bem cansativo também”, comenta a aluna Tauane Brito de Souza, 14 anos.
















