No Natal de 1988, ele ganhou seu primeiro skate. Daquele presente, uma paixão se desdobrava, dando início a uma jornada que já ultrapassou três décadas. O cotiano Fabio Teixeira Lopes tinha apenas 6 anos quando começou a descobrir um novo mundo sobre quatro rodas: “foi na rua de casa, no Jardim dos Ypês, onde a galera mais velha andava, que eu ficava de olho querendo aprender”. Nesses primeiros passos, mergulhou de cabeça nesse universo singular e, logo, sua relação com o esporte foi amadurando.
Em 1996, deu um passo além e começou a participar de campeonatos. “No entanto, ao chegar nos anos 2000, dei uma pausa. As responsabilidades do trabalho começaram e minha presença nas pistas diminuiu. Embora a vida não tenha me conduzido ao status de profissional no skate, participei de diversos circuitos em São Paulo. Até 2008, ainda estava correndo nos campeonatos, mas a partir daí, decidi focar mais no divertimento”, conta. A pista, então, passou a ser um local de encontros descontraídos, cheios de risadas e boas lembranças: “essa transição marcou minha decisão de aposentar a participação ativa em campeonatos, optando por viver o skate de maneira mais leve, desfrutando do prazer genuíno que essa cultura única proporciona”.
Hoje, aos 41 anos, o esporte ainda é parte de sua vida. Agora, como hobby. “Quem mergulha nesse estilo de vida, compreende que é algo singular. Para aquele que está em casa, observando a cena mundial, pode não entender que transcende o simples ato de andar sobre um skate. É uma experiência que vai além. É um lifestyle (do inglês, estilo de vida). Antes de ser tido como um esporte, é uma cultura que abraça diversos elementos, como música, moda e arte. É uma dimensão fascinante e complexa, repleta de histórias que merecem ser contadas”, defende.
Para ele, é curioso notar que, por vezes, o skate parece existir apenas a partir das Olimpíadas de Tóquio, como se toda uma rica história anterior tivesse sido negligenciada. Ele lembra que, quando iniciou sua jornada, era, frequentemente, mal compreendido e estigmatizado: “éramos rotulados como delinquentes e drogados, vistos sob uma lente que associava o skate a estereótipos negativos. No início da década de 90, inclusive, foi proibido de ser praticado”. Diz que é uma pena que a comunidade que desbravou o caminho não tenha recebido a devida valorização – “é como se não houvesse um reconhecimento genuíno para esses pioneiros”, diz.
Segundo ele, é desafiador considerar todo o trajeto do esporte e ponderar sua complexidade enquanto cultura e estilo de vida. Um legado que transcende não apenas as manobras ousadas nas pistas, mas também se manifesta na habilidade de superar estigmas, na construção de uma comunidade apaixonada e na inspiração transmitida de geração em geração.
Mais do que simplesmente um esporte, surge como uma narrativa rica e multifacetada, cujo desfecho continua a ser moldado por cada skatista, incluindo figuras como Fabio, que contribuem para a contínua evolução desse estilo de vida singular.
Por Juliana Martins Machado














