Um novo símbolo para a ACESSIBILIDADE

Representatividade e inclusão além da cadeira de rodas

Está em curso no Brasil uma importante transformação na maneira como representamos a acessibilidade: um novo símbolo, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), pode substituir a tradicional imagem do cadeirante, ampliando a compreensão sobre os diferentes tipos de deficiência.

O novo ícone — uma figura humana com os braços abertos dentro de um círculo — simboliza mais do que mobilidade. Ele representa pessoas com deficiência visual, intelectual, auditiva, psicossocial e outras condições que, até então, não eram reconhecidas visualmente nas sinalizações públicas. A proposta busca incluir, de forma mais justa e abrangente, todos que enfrentam barreiras no acesso à cidadania e aos espaços urbanos.
Lançado pela ONU em 2015, o símbolo passou a tramitar no Congresso Nacional em 2022 como Projeto de Lei (PL 2199/22), por iniciativa do deputado Aureo Ribeiro (SD-RJ). Em abril de 2025, foi aprovado por unanimidade no Senado e, agora, aguarda nova análise da Câmara dos Deputados, com relatoria da deputada Silvia Cristina (PP-RO), na Comissão de Defesa da Pessoa com Deficiência.

Para Glaucia Azevedo, presidente da APAE de Cotia, essa mudança é mais do que simbólica. “Esse símbolo representa muito mais do que uma imagem. Ele expressa inclusão, igualdade e respeito à diversidade das deficiências. É uma representação visual poderosa de que todos devem ter acesso aos mesmos direitos, oportunidades e espaços”, afirma.

O advogado e gestor da APAE Cotia, Paulo Generoso, reforça: “O novo símbolo internacional da pessoa com deficiência não é apenas uma mudança estética, mas sim um poderoso instrumento de transformação social. Ele simboliza uma sociedade que se reconhece diversa, que respeita as diferenças e que entende que a deficiência não é um problema individual, mas um desafio coletivo, que exige remoção de barreiras e construção de oportunidades iguais para todos”.

A implementação do novo ícone exigirá mudanças em placas, sinalizações e projetos urbanos. Para o arquiteto e urbanista Fernando Confiança, os custos envolvidos devem ser vistos como um investimento. “É importante que enxerguemos esses custos não como despesas, mas como investimento estratégico na edificação de uma sociedade mais igualitária. Que este novo símbolo inspire a todos nós a ir muito além do esperado, consolidando, de fato, um Brasil de oportunidades e inovações para cada cidadão.”

Acessibilidade em símbolos — conheça e reconheça

Cadeirante – Mobilidade Física
Indica acessibilidade para pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. Presente em rampas, banheiros e vagas especiais.

Deficiência Visual
Sinaliza espaços e serviços com recursos para pessoas cegas ou com baixa visão, como piso tátil e sinalização em braille.

Cão-Guia
Representa o direito da pessoa com deficiência visual de circular com seu cão-guia em todos os espaços públicos e privados.

Braille
Identifica materiais com escrita tátil em relevo. O sistema Braille é usado por pessoas cegas para leitura e escrita.

Deficiência Auditiva
Sinaliza espaços com acessibilidade para pessoas surdas ou com perda auditiva. Também pode identificar usuários.

Intérprete de Libras
Indica que há intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) disponível para facilitar a comunicação com surdos.

Surdocegueira
Representa a acessibilidade para pessoas com surdocegueira, que requerem formas de comunicação tátil e apoio especializado.

 

Deficiência Intelectual
Sinaliza apoio para pessoas com limitações cognitivas ou adaptativas, como autismo, síndrome de Down e outras condições.

 

 

Pessoa com Nanismo
Representa pessoas com nanismo e sua necessidade de acessibilidade proporcional, como balcões mais baixos e assentos adequados.

A Neurodiversidade
O símbolo do infinito colorido representa a neurodiversidade e a inclusão de pessoas com diferentes formas de autismo.

 

Peça de Quebra-Cabeça (TEA – Autismo)
Representa a complexidade do TEA, ainda usado em algumas campanhas, embora seja criticado por parte da comunidade pois pode passar a ideia de que falta uma peça.

Cordão de Girassol
Identifica pessoas com deficiências ocultas, como TDHA, autismo, epilepsia e condições mentais invisíveis.

 

 

Por Mônica Krausz

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