Na inauguração do Teatro Municipal Regente Antônio Pio, em novembro, Pedro Peixoto pegou o microfone e surpreendeu o público e o próprio prefeito Welington Formiga ao desejar “merda” ao espetáculo de estreia. Para quem conhece o universo artístico, o gesto foi um sinal claro: ali estava alguém que realmente fala a língua da Cultura. “É um termo usado entre artistas para desejar boa sorte”, explicou com a naturalidade de quem passou a vida nos bastidores de palcos, estúdios e sets de gravação.

Carioca, pouco conhecido inicialmente em Cotia e chamado por alguns de “secretário importado”, Peixoto assumiu a pasta em 1º de janeiro, a convite do prefeito. Em menos de um ano, tornou-se o rosto da gestão que entregou o principal equipamento cultural da cidade, movimentou bibliotecas, descentralizou ações e se esforça para colocar a Cultura no debate público.

Teatro Municipal: entrega, desafio e futuro

O Teatro Municipal Regente Antônio Pio é, sem dúvida, um grande marco para a cidade.  A obra foi iniciada na administração anterior, do ex-prefeito Rogério Franco com a vice Ângela Maluf, e coube a Pedro Peixoto conduzir sua conclusão e inauguração em 2025, na gestão de Welington Formiga.

Junto ao camarim Jair Rodrigues

Aqui no teatro, além do auditório, a gente tem cinco camarins e duas salas administrativas”, conta o secretário, que acompanha de perto cada etapa do funcionamento do espaço. Para ele, a inauguração foi apenas o começo. “O prédio está pronto, mas ainda não está pronto para receber bem”, afirma, ao citar a ausência de itens básicos como cadeiras nos camarins e os altos custos de manutenção previstos.

Peixoto faz um alerta direto: “Se a gente não cuidar bem disso aqui, vira um elefante branco. Muitos teatros pelo Brasil foram abandonados”. Por isso, a gestão optou por retardar a inauguração até ter maior clareza sobre o modelo de funcionamento.

Inaugurado. A solução, segundo ele, agora passa pela contratação de uma Organização Social (OS). “Na Secretaria eu não tenho gente suficiente para tocar o teatro. A OS vai garantir programação, manutenção e previsão de receita”. Enquanto o processo de chamamento público para a OS caminha, a ideia é não deixar o espaço parado. Antes da OS entrar, deseja colocar programação da Cultura. Stand Up, teatro e oficinas no espaço.

Um teatro que também seja galpão cultural

Mais do que um palco tradicional, Peixoto defende um teatro multifuncional. “O prefeito fala em galpão cultural e eu sempre disse que esse teatro pode ser dois em um”, conta.  “Eu quero colocar aqui oficinas de teatro, música, dança e audiovisual também. A Cultura liberta, faz pensar”, resume.

Da TV para a gestão pública

Com mais de 30 anos de carreira no audiovisual, Pedro Peixoto construiu sua trajetória como roteirista, diretor e criador de formatos. Passou por Globo, Record, Band, RedeTV!, SBT, Multishow, SportTV, Fox Sports e Canal Futura.

Eu entrei na Globo como roteirista e depois fui para direção. Nunca fiz produção, eu gosto da gravação, da agitação”, relembra. Entre seus trabalhos estão programas como Vídeo Show, Big Brother, Fama e a criação do Pânico na TV.

sou criativo e muito prático. Já peguei muita produção para apagar incêndio.”

No esporte, também dirigiu projetos no SportTV, Fox Sports e foi diretor de projetos do rei Pelé. “De todas as pessoas com quem trabalhei, o Pelé foi uma das mais queridas. Simples, generoso, uma convivência muito especial.”

Formado em Jornalismo pela PUC-Rio e em Publicidade, Peixoto se define como inquieto.

gosto de mudar de ares, de pegar projetos diferentes.

Política sem vaidade

A política entrou em sua vida quase por acaso, quando dirigiu uma campanha vitoriosa para prefeito em Macapá. A partir daí, passou a atuar em campanhas de diferentes políticos e partidos. “Já trabalhei para direita e esquerda. Estratégia política passa pela comunicação, e disso eu entendo.”

Sua primeira experiência como gestor público foi em Brasília, como Secretário do Audiovisual no Ministério da Cultura. Em Cotia, ele faz questão de se definir como técnico.

não sou político. Estou num cargo político, mas não sou filiado a partido. Isso aqui é trabalho.”

 

Cultura na prática: ações e resultados

Além do teatro, a gestão de Pedro Peixoto acumulou entregas importantes em 2025: uma das principais é a transformação da Biblioteca Batista Cepelos, no centro. “Reformada com recursos do ProAC, a biblioteca virou um polo cultural com shows, palestras, oficinas e cinema.

A parceria com a Educação também rendeu frutos. Destaque para o Cine Itinerante nas escolas e o Cine CAPS, voltado para crianças e adolescentes atendidos pela rede de saúde mental.

Em Caucaia do Alto, o Centro Cultural ganhou novo fôlego e retomou o Baile dos Idosos.

Dirigir é ter responsabilidade, pulso firme e saber para onde você vai.”

Cultura que circula pela cidade

  • Cine itinerante nas escolas
  • Cine CAPS para crianças e jovens
  • Oficinas culturais em parceria com o MIS
  • Retomada do Baile dos Idosos em Caucaia
  • Programação descentralizada em bairros como Caputera

O Circo Chegou

Uma das ações mais emblemáticas do ano foi a vinda do Circo Bremer, que passou por Cotia Centro, Granja Viana e Caucaia do Alto. Instalado por cinco semanas na Praça dos Romeiros, em Caucaia, o projeto enfrentou estranhamento inicial e terminou em sucesso absoluto. O circo ofereceu sessões gratuitas para alunos da rede municipal, idosos e pessoas com deficiência. “Levamos mais de 10 mil alunos”, orgulha-se o Secretário.

Aprendi a delegar e a trabalhar em equipe. Minha sala está sempre aberta.”

Uma cidade, muitos territórios

Peixoto faz questão de circular por Cotia. “Eu não podia ficar só no gabinete. Eu tinha que estar na rua.” Para ele, a cidade tem desafios próprios. “Cotia é complexa: Granja, centro, Caucaia, Caputera… são realidades diferentes.”

“Caucaia do Alto tem muito espaço e potencial. No futuro, vai ser um polo econômico importante.”

Realismo, planejamento e expectativa

Pedro Peixoto evita promessas fáceis. “Eu só trabalho com a realidade”, afirma. O orçamento de 2025 ainda foi “herdado” da gestão anterior, sem previsão para o teatro. “No próximo ano, isso muda.” A expectativa é que, em cerca de três meses, uma OS assuma o teatro. Até lá, a programação começa a ganhar forma com os recursos disponíveis à Cultura. “O ano que vem vai ser muito legal. Estou otimista.”, diz Peixoto.

A Cultura em Cotia parece, enfim, ter entrado em cena com alguém que conhece bem os bastidores  e sabe que, no palco, sorte também se constrói com trabalho, diálogo e planejamento.

Por Mônica Krausz

Artigo anteriorMorte zero nas rodovias: Ecovias Raposo Castello completa 58 dias sem ocorrências fatais
Próximo artigoPrefeitura de Cotia mantém tarifa de ônibus congelada