O Paço das Artes apresenta a exposição de arte sonora “Escuta aqui!”. A mostra selecionou obras e artistas variados, que pensam suas poéticas através de outras linguagens sonoras, para além das visuais.
“Musicalmente, o Brasil já entrou para a história como um importante criador de sonoridades, entre a erudita e a popular, divulgando marchinhas de Carnaval, influenciando o jazz, o novo funk e demais batidas rítmicas”, afirma Renato De Cara, curador da exposição e do Paço das Artes. “Retornando no tempo e relendo a carta do ‘descobrimento’, percebemos que, desde então, o embate entre os povos se dá através de muitas tentativas de trocas linguísticas nas quais os sons e os gestos se propagam, provocando a comunhão.”
Entre traquitanas elaboradas e reagrupadas, a mostra conta com as bugigangas sonoras de Adriano Castelo e as máquinas retrofuturistas de Paulo Nenflidio; a partir do barro, há os embriões sonoros de Corcione e, numa referência entre a mística, o lúdico e o popular, a embarcação de Jerona Ruyce. Com estruturas e recursos mais digitais, pode-se conhecer mais do canto do povo tikuna no vídeo interativo produzido por Daniel Lima e adentrar na ambiência sonora e visual proporcionada por Lucas Rampazzo; Vitor Bossa rearranja e embaralha ironicamente a famosa e importante pesquisa musical de Mário de Andrade, enquanto Sara Lana homenageia os percursos de Guimarães Rosa e as conversas populares do sertão. Por fim, Vivian Caccuri e Cildo Mireles nos embalam com os sons de seus triângulos revisitados e outros penduricalhos.
Ainda (como bonus track, para manter as expressões sonoras) há duas “faixas” extras: um recorte do riquíssimo acervo do Museu das Culturas Brasileiras, com instrumentos populares de época, além de uma cabine que oferece ao visitante a escolha de audição para LPs de artistas que também pesquisaram e brincaram com as sonoridades do mundo em questão: Aguilar e Banda Performática, a banda Cão, Chelpa Ferro, Chiara Banfi, Cildo Meireles, Kauê Garcia, Marcelo Silveira, Raphael Escobar e Vivian Caccuri.
Sobre o festival Novas Frequências
Criado em 2011 no Rio de Janeiro, o Novas Frequências tem como objetivo ressignificar a relação da arte com o espaço urbano e com o ecossistema cultural local. Mais do que um festival tradicional, o evento propõe uma relação 360° com a música, articulando performances, instalações, festas, projetos comissionados, site specifics, palestras, oficinas, cursos, residências artísticas e caminhadas sonoras.
Depois de realizar sua primeira edição em São Paulo em dezembro de 2025, como parte das comemorações de seus 15 anos, o Novas Frequências dá continuidade às suas ações em 2026 e chega ao Paço das Artes.
Serviço:
Exposição “Escuta aqui!”
Período: até 03 de maio.
Horários: terças a sábados, das 11h às 19h;
domingos e feriados, das 12h às 18h.
Endereço: Paço das Artes
Rua Albuquerque Lins, 1345, Higienópolis, SP.
Ingresso: gratuito












