Bia Greco – A Mentora das “Babás de Luxo” é Gente Nossa

Moradora da Granja Viana há 16 anos, a psicóloga Bia Greco, de 45 anos, é especialista em Recursos Humanos e fundadora da Bia Greco Baby Care, agência de recrutamento de babás de luxo ou “Gestoras Infantis”, como ela prefere chamá-las

Mãe de três adolescentes, Bia sentiu na pele as dificuldades de encontrar uma boa profissional para o seu primeiro filho, até conhecer uma enfermeira que indicava colegas para o serviço e cobrava por isso. Foi aí que sua longa experiência com RH lhe proporcionou a virada de chave: ela poderia usar seus conhecimentos para recrutar e encaminhar profissionais nesta área específica.

Especializou-se no mercado de alto padrão, atendendo famílias de renda muito alta, que chegam a pagar mais de R$ 20 mil mensais para uma funcionária, dependendo de suas qualificações. Para a edição do mês das mães, ela conversou com a Revista Circuito para mostrar como estas profissionais “salvam vidas” no dia a dia das famílias.

Você é proprietária da Bia Greco Baby Care, uma agência de recrutamento de babás de alto padrão, mas antes de falar da empresa gostaríamos que contasse um pouco sobre você. Bia Greco por Bia Greco.

Bia em sua formatura.

Tenho 45 anos, três filhos – Felipe, Gabriel e Isabela – e duas enteadas do meu segundo casamento com o Robert. Sou formada em Psicologia pela PUC-SP, mas sempre tive o olhar voltado para pessoas, desenvolvimento e carreira. No segundo ano da faculdade, tranquei o curso e fui para a França para estudar francês. Coincidentemente trabalhei na França como babá de duas crianças pequenas que hoje já são adultas e ainda consegui cursar um período de Psicologia na Universidade Católica de Lille. Voltei para o meu curso no Brasil depois de um ano, com francês fluente e essa bagagem internacional.

 

Foi ali que você começou a pensar em ter uma agência de babás um dia?

Crianças que Bia cuidou na França.

Nem nos meus melhores sonhos. Naquela época, eu jamais imaginava que fundaria uma empresa nessa área. A vivência na França foi importante pela bagagem cultural, pelo idioma e pela experiência prática, mas a ideia do negócio só viria anos depois.

Ao se formar, você atuou em clínica?
Não. Eu já sabia que não queria seguir na clínica. Minha vocação sempre esteve em Recursos Humanos. Trabalhei em empresas e consultorias, até entrar como trainee no Grupo Carrefour, onde fiquei por quatro anos, cheguei à gerência de RH e também atuei na área comercial. Foi um aprendizado muito grande!

E como surgiu a ideia de atuar neste ramo de agenciamento de babás de luxo?

Bia e sua equipe do Carrefour.

Nasceu da minha própria maternidade. Quando engravidei do meu primeiro filho, saí do Carrefour por causa da rotina muito pesada, trabalhava das 7 às 23 horas e comecei a atuar como consultora de RH. Depois que ele nasceu, senti na pele a dificuldade de encontrar ajuda qualificada. Uma enfermeira me indicou a profissional que cuidou do meu bebê e me ensinou muito. Ali percebi que eu poderia aplicar meu conhecimento em recrutamento para esse mercado. Assim começou a Bia Greco Baby Care, há 15 anos.

Como você prefere chamar o seu negócio? De agenciamento de “babás de luxo” ou de gestoras infantis?

Bia ministrando treinamento.

Quando falamos do início da nossa história, considero justo usar “agenciamento de babás de luxo”, que foi o nicho em que decidi entrar. Essa nomenclatura cabia bem para o nosso know-how e core business na época. Hoje, falar em “gestora infantil” faz total diferença, tanto para as profissionais quanto para o mercado de trabalho mundial. Não estamos falando de alguém que exerce meramente uma função comum.

Qual é a diferença?
A gestora infantil vai muito além da supervisão básica: participa da rotina, da alimentação, da organização, das atividades educativas, do desenvolvimento emocional e até da interação com a família. É uma profissional mais preparada, mais estratégica e com atuação ampla dentro do universo infantil e da família.

Hoje você coloca profissionais em todo o Brasil?

Imersão em 2026

Sim, em todo o Brasil e, também, no exterior. Já temos profissionais atuando em vários países, no mundo todo. Tenho certeza de que 2026 será o ano da gestora infantil e seremos reconhecidas internacionalmente com essa nomenclatura de cargo.

Quantas profissionais você já inseriu neste mercado?

Hoje temos cerca de 1.200 profissionais cadastradas e já atendemos mais de 4 mil famílias ao longo da nossa trajetória. A taxa de troca é baixa, porque o processo de seleção é muito criterioso.

Quais são os requisitos para ser uma gestora infantil?

O nosso princípio básico é indicar pessoas que fiquem muito tempo na residência, por isso a estabilidade é um critério fundamental. Outros requisitos incluem discrição, postura profissional e, acima de tudo, amor pelas crianças e pelo que faz. Não adianta contratar alguém sem paciência; o dinheiro e o salário são importantes, mas o brilho nos olhos no cuidado infantil vem em primeiro lugar.

Para atuar no mercado de luxo, a profissional precisa saber se comportar e se vestir adequadamente. O cabelo deve estar impecável; costumo comparar a postura de uma gestora à de uma comissária de bordo, que está sempre alinhada. Além disso, é essencial saber se comunicar de forma direta, não agressiva, sem erros de português, e manter um bom relacionamento com os demais funcionários da casa.

Geralmente elas têm experiência anterior ou você também forma profissionais nesta área?

Por enquanto, nosso trabalho de indicação foca em profissionais que já possuem registro em carteira como babás, estabilidade em residências anteriores e forte experiência na função. Ainda não trabalhamos com o primeiro emprego. Recebo muitas meninas com brilho nos olhos querendo uma oportunidade, mas nossas clientes atuais exigem especialistas com grande bagagem.

Mas essas meninas mais novas participam das formações que você realiza, certo?
Sim. As imersões nasceram justamente para orientar e formar novas profissionais. Dou direcionamento para quem quer entrar na área, embora a agência ainda trabalhe principalmente com perfis já experientes.

Qual é a rotina destas gestoras infantis?
Depende muito da família. Há famílias que viajam constantemente, então a rotina acaba sendo aeroporto-hotel-aeroporto. No padrão básico, a profissional chega todos os dias, toma banho, veste o uniforme e apresenta o cronograma para a criança ou família. Ela segue as atividades estabelecidas, sejam artes, cultura, desenvolvimento neuro motor ou exercícios físicos, momentos de descanso e ócio criativo, sempre focada no desenvolvimento infantil.

O que mais faz parte desta rotina?
Outro ponto crucial é a responsabilidade pela nutrição saudável e pela promoção de brincadeiras sustentáveis. Trouxe um grande aprendizado da Norland College, na Inglaterra, famosa por formar babás para a realeza e celebridades. Lá, elas estudam por anos e aprendem sobre direção defensiva, culinária saudável e sustentabilidade. Tudo isso é muito requisitado de uma gestora infantil de alto nível.

É verdade que o salário delas pode passar de R$ 20 mil mensais?

Sim, é verdade. Dependendo da formação, da experiência, da carga horária e das exigências da vaga, os salários podem ultrapassar esse valor. Além disso, muitas famílias oferecem benefícios importantes como plano de saúde, vale alimentação, vale refeição, cesta básica, até casa e carro, em alguns casos.

Esses salários são só no Brasil?

Não. No exterior, em alguns mercados, os valores podem ser ainda mais altos. Eu produzo um vlog chamado “Bia Pelo Mundo”. Uma vez por mês, viajo para um país diferente para divulgar a cultura, a gastronomia e os valores pagos pelas famílias locais. Recentemente estive na Suíça, onde os ganhos podem chegar a R$ 50 mil por mês, e em Abu Dhabi, que também oferece salários exorbitantes. É muito viável, mas a profissional precisa avaliar se tem potencial e preparo para isso. Recebo solicitações de pessoas querendo ganhar R$ 20 mil, mas que não estudam, não cuidam da própria saúde ou da aparência e procrastinam. Quem ganha esses valores estuda todos os dias e mantém uma apresentação impecável.

Algumas famílias exigem disponibilidade internacional — a babá usufrui de hotéis 5 estrelas e viaja em jatinhos. O luxo compensa a responsabilidade?

Pode compensar, desde que a profissional tenha clareza sobre seus limites e objetivos. É um trabalho que oferece experiências incríveis, mas cobra muito emocionalmente. Por isso, sempre digo que é importante ter prazo, planejamento e equilíbrio.

Nesse tipo de cargo é exigido um contrato rigoroso de confidencialidade?

Sim, muitas vezes. Em geral, isso vem dos próprios clientes, que já têm suporte jurídico. Nós também reforçamos nas formações a importância absoluta do sigilo. No mercado de luxo, discrição é indispensável. O mercado de luxo é pequeno e todos se falam; se a profissional se queimar, a carreira dela é destruída.

Como você recruta estas profissionais?

Avaliamos experiência, estabilidade, referências e antecedentes. Fazemos entrevistas comportamentais e uma checagem bastante rigorosa. Muitas candidatas chegam por indicação de outras profissionais da própria rede.

Qual é o perfil procurado para este cargo?

Formação em áreas como Enfermagem, Pedagogia, Psicologia e Educação Física conta muito. Cursos de primeiros socorros são obrigatórios, e conhecimentos em neurodesenvolvimento, nutrição, etiqueta e cuidados com crianças atípicas são diferenciais cada vez mais valorizados.

E qual é o perfil das famílias que buscam por estas profissionais mais qualificadas?

Temos dois perfis principais: famílias muito ricas, “de berço”, mais discretas, e famílias conhecidas do público, como artistas, influenciadores, esportistas e empresários. Em comum, todas buscam segurança, confiança e alto nível de serviço.

É um trabalho exclusivo para mulheres? Ou também há procura de homens para esta função?

Um dos meus objetivos é inserir homens como gestores infantis. Tive o prazer de conhecer um “homem babá” na Inglaterra que faz um trabalho impecável. Na Norland College, em toda a sua história, passou apenas um homem. Sei que enfrentamos preconceitos culturais e medos reais dos pais em relação a um homem cuidando de meninas pequenas, por exemplo. Por isso, vejo a inserção masculina focada em crianças maiores, atuando na parte esportiva e no desenvolvimento físico e emocional, como um educador físico ou psicólogo. Atualmente, indico os rapazes interessados para vagas de monitores infantis, para que ganhem experiência e, no futuro, possam atuar como gestores na nossa agência.

Na prática, como é estipulada a jornada de trabalho delas?

Cada família tem uma demanda personalizada. Pela lei das domésticas, a jornada padrão é de 44 horas semanais, com direito a duas horas extras por dia. No entanto, é difícil enquadrar profissionais que entram na segunda e saem na sexta dentro dessa regra básica. Muitas enfermeiras trabalham no esquema 12×36, ou apenas em turnos noturnos/diurnos. Há também as folguistas, que entram na sexta e saem na segunda. Como atendemos o alto luxo, adaptamos a carga horária e o salário à necessidade da família, elaborando um contrato de trabalho rígido além do registro em carteira.

Elas assumem multitarefas na rotina da criança? O que está dentro e o que fica fora de suas responsabilidades?

As responsabilidades vão muito além das de uma babá comum. Enquanto a babá tradicional cuida apenas da criança e de seus pertences (ficando isenta da limpeza geral da casa ou das roupas dos pais), a gestora infantil precisa estar atenta ao ambiente como um todo. Ela deve manter um bom relacionamento com os pais, avós e demais funcionários, oferecendo suporte físico e emocional.

Não falo apenas de trocar fraldas, dar banho ou organizar o quarto. Falo de maturidade emocional. Ela precisa dar suporte a uma mãe no pós-parto, que está com os hormônios alterados, ou perceber quando o casal precisa de um tempo a sós, liberando a mãe para dar atenção ao marido. A gestora cuida da família inteira, não apenas da criança. Esse é o grande diferencial.

Para a mãe que está lendo esta entrevista agora e sente que precisa de ajuda, mas tem receio de colocar alguém novo dentro de casa: qual é o seu “conselho de ouro” na hora de escolher e entrevistar uma babá?

Meu conselho é: não sinta culpa por precisar de ajuda. Contratar uma boa profissional pode ser libertador para a mulher e muito saudável para a família. Pesquise referências, faça entrevistas cuidadosas, aplique testes práticos, mas permita-se receber apoio.

E para as jovens que querem adentrar nesse mundo como gestoras infantis, quais são as suas recomendações?

Estudem muito. Consumam conteúdo de qualidade, façam cursos, busquem experiência em creches, escolas, casas de família e plantões. Se não têm condições de pagar cursos, consumam conteúdo gratuito sobre aleitamento, introdução alimentar e neurociência. Nossos canais têm mais de 1.200 vídeos e 110 podcasts. O mercado de alto padrão valoriza preparo, repertório e atitude profissional.

Já que estamos no mês das mães, fale um pouco sobre a importância destas profissionais na vida da família como um todo.

A gestora infantil é uma salva-vidas. Ela traz amadurecimento, independência e empatia para a criança, criando memórias afetivas positivas. Ela carrega a responsabilidade de ajudar a formar um adulto com menos traumas e mais inteligência emocional. Além disso, resgata a tranquilidade do casal e libera os avós da obrigação de cuidar, permitindo que eles aproveitem apenas a melhor parte: se divertir com os netos. Elas vieram para somar e ser pontes, não muros.

Você mora na Granja Viana há quanto tempo? Tem clientes por aqui?

Moro na Granja Viana há 16 anos e amo viver aqui. Foi a melhor escolha para criar meus filhos, pela natureza, pela tranquilidade e pela qualidade de vida. Temos, sim, clientes na região, sempre atendidos com muita discrição.

As suas imersões são feitas aqui na Granja Viana?

Sim. Sempre que possível, realizamos as imersões na Granja e buscamos valorizar os negócios locais. Gosto de apoiar o empreendedorismo da região.

BATE-BOLA 

Qual foi a exigência mais inusitada que você já recebeu?
Que a profissional não poderia ser bonita.

O luxo compensa tudo?
Não. Só compensa quando a profissional tem clareza dos próprios valores, limites e objetivos.

Qual o melhor valor já pago para uma babá na sua agência?
R$ 32 mil mensais, para uma enfermeira cuidar de um recém-nascido.

Você já recusou uma proposta? Por quê?
Sim, várias. Já recusei clientes que pagavam muito bem, mas tratavam mal as profissionais ou a equipe da agência. Respeito vem em primeiro lugar.

O que ninguém imagina sobre essa profissão?
Que ainda existem situações de desrespeito extremo, com famílias que esquecem que a profissional também precisa comer, descansar e ter folga.

Quais os famosos que você já atendeu?
Não posso expor nomes, mas atendemos pessoas bastante conhecidas e todos os meses temos um “famosinho” novo para a gente atender.

 

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