
Ele não gosta de ser chamado de influenciador porque, segundo explica, influência não é profissão, é consequência de um trabalho. Também não quer ser classificado como youtuber porque não se limita a essa rede. Está também no Instagram, no TikTok, no teatro e onde mais desafios o levarem.
Gusta Stockler nasceu em Osasco, em 1988, foi bancário por 6 anos e, em 2013, resolveu largar o trabalho estável pela aventura do audiovisual na internet. Foi tão autêntico e fiel a si mesmo que deu certo. Construiu uma trajetória que mistura humor, suspense, efeitos especiais, ficção e realidade, atuação, direção e empreendedorismo. A receita deu liga e conquistou milhões. No Instagram, soma 3,3 milhões de seguidores; no YouTube, com o canal NOMEGUSTA, onde começou a transformar ideias em histórias e histórias em conexão com o público, soma 4,5 milhões de inscritos.

Desde o início, criou formatos próprios, participou de Internet – O Filme, esteve no teatro com Manual de Sobrevivência do Jovem, lançou a série Elo, que alcançou 300 mil visualizações no primeiro dia, integrou a série Novelei, parceria da Rede Globo com o YouTube, e viu sua microwebsérie Fica Entre Nós ultrapassar 10 milhões de plays e conquistar 11 prêmios internacionais.
Atualmente, aos 37 anos, o roteiro é outro: talvez o mais transformador de todos. Em um único ano, Gusta se casou com Jani Lopes, viveu a chegada do primeiro filho, Peter, e lançou ao lado da esposa a Ofie, marca de beleza. Morador da Granja Viana há oito anos, ele encontrou na região um equilíbrio raro entre natureza, segurança, criatividade e proximidade com São Paulo.

Nesta entrevista à Revista Circuito, Gusta fala sobre carreira, amor, paternidade, internet, negócios e os novos caminhos que começam dentro de casa, mas continuam mirando longe: o cinema, o streaming e, sonhando alto, quem sabe mais um Oscar para o Brasil.
Você conquistou milhões de seguidores pela sua autenticidade. Em algum momento teve medo de mostrar demais quem realmente é?
A todo momento (risos). Comecei na internet em 2013. Era apenas um canal para mostrar meu trabalho de ator e diretor. Mas ninguém sabia ao certo a proporção que a internet, com os criadores, iria tomar. Então fomos “engolidos” por ela, com toda a exposição. Sempre fui uma pessoa que levou muito em consideração o que os outros pensavam sobre mim, e sofrer hate no início era o pior sentimento. Eu dosava muito o que queria mostrar justamente por medo de julgamentos.

“Amo como a internet cresceu, construiu milhares de nichos e fez com que qualquer pessoa possa ter sua renda e seu público.”

Seus vídeos misturam humor, atuação, direção e storytelling. Como nasce uma ideia que viraliza?
Cada fase é uma base. Eu nunca fui de seguir muito as trends ou os formatos que mais funcionam. Não recomendo (risos). Sempre remei contra a maré na questão de criar conteúdo. Priorizava muito a grande produção audiovisual cinemática. Mas hoje o “segredo” está mais pautado na realidade e identificação das pessoas do que na qualidade da produção em si.
“Minhas ideias hoje nascem da minha vivência, e delas eu crio algo que possa gerar essa conexão com o público.”
Hoje você se divide entre criador de conteúdo, empresário e pai. Qual dessas versões do Gusta mais te surpreende atualmente?

Atualmente, a de pai. Meu sonho sempre foi esse, mas eu não esperava que fosse tão avassalador como está sendo. É uma redescoberta de quem é você e das prioridades da vida em si. Eu amo a arte, amo meu trabalho, mas o Gusta Pai é alguém com quem me surpreendi muito positivamente por todo o empenho que ele tem tido dentro de todos os Gustas que habitam em mim ao mesmo tempo.
“Eu e Jani falamos muito sobre como queremos educá-lo para respeitar as mulheres e entender a importância disso.”
Existe algum momento da sua trajetória na internet que você considera um divisor de águas?

O início foi onde tudo realmente aconteceu. Antes de começar com o NOMEGUSTA, fiquei 6 meses estudando formatos que poderiam funcionar, e sair do formato “vlog” que era tão comum na época. A construção do conceito do canal foi, de fato o momento em que as pessoas olharam e pensaram: “Espera, isso é diferente”. Tanto que muitas pessoas me acompanham até hoje, 13 anos depois, justamente por ter mantido essa essência.
A internet muda o tempo todo. O que você acredita que nunca sai de moda quando o assunto é criação de conteúdo?

Identificação. A internet é 100% pautada em relação. As pessoas buscam perfis e conteúdos hoje com os quais se identificam no cotidiano. Amo como a internet cresceu, construiu milhares de nichos e fez com que qualquer pessoa possa ter sua renda e seu público. E tudo isso aconteceu justamente pela identificação de quem assiste. Seja pela realidade da pessoa, ou pelo “um dia quero ser igual essa pessoa”. Identificação nunca sairá de moda.
Você sente que amadureceu também como homem e profissional depois de formar sua família?

Muito. Ainda estou na fase de descoberta do novo Gusta. Ele já existe, mas ainda está no casulo, quase virando um “borboleto” (risos). É um processo interessante, mas, de fato, você amadurece mais. Entende melhor algumas responsabilidades que antes podia “empurrar com a barriga” porque a única pessoa com quem precisava se preocupar era com você mesmo. Agora, com esposa e filho, eles são minhas maiores preocupações. Tudo mudou, e para melhor.
Quando olha para tudo que construiu até aqui, qual sentimento mais define essa fase da sua vida?
Orgulho. Mas estou empolgado para as novas fases. Estamos trabalhando muito para que o objetivo lá do início, em 2013, seja alcançado. Que é o cinema, streaming. Focar nas grandes produções e trazer mais um Oscar para o Brasil.
Como você e a Jani se conheceram?
Ela me acompanhava da internet há anos. Vi um comentário dela em um vídeo e quando entrei no perfil para stalkear, percebi na hora que era a mulher da minha vida. Ficamos dias conversando sem parar, até ela vir para São Paulo para um evento. Desde o primeiro segundo, foi a maior certeza da minha vida.
O que mais te chamou atenção nela logo no começo?
Pela internet, foi o carisma. Um sorriso lindo. Mas, pessoalmente, foi absolutamente tudo.
“Ela tem uma pureza, misturada com mulherão que me deixou completamente caído.”
Em que momento vocês perceberam que a relação tinha virado algo realmente sério?
Acho que os dois percebemos que seria sério assim que nos vimos pela primeira vez. Tudo bateu, tudo fluiu. Parecia que já nos conhecíamos havia anos. Tanto que a chamei para passar o Ano-Novo comigo e meus amigos em outro país. Nos conhecemos dia 1º/12 e a viagem era 27/12 (risos). Percebe como eu sempre tive certeza sobre ela?
A Jani é criadora de conteúdo, empresária e muito presente nos seus projetos. Como vocês equilibram relacionamento e vida profissional?

Hoje eu seleciono muito o que quero postar ou dividir com o público. Acho que por ter vivido mais de uma década criando conteúdo, hoje sei o que quero expor. Então tudo fica muito orgânico e equilibrado.
O público acompanha bastante vocês como casal. Qual acredita ser o segredo da conexão entre vocês?
Acho que é a nossa verdade. Compartilhamos de forma muito real. Acho que as pessoas sentem isso. Não somos personagens ou aquele casal que posta vídeo fofo, mas, na realidade, se odeia. Quando não estamos bem, individualmente falando, a gente respeita o outro e não posta nada. Não forçamos o conteúdo.
A Ofie nasceu com uma proposta muito ligada ao autocuidado e à experiência sensorial. Como surgiu a ideia da marca?

Eu e Jani queríamos lançar uma marca paras as pessoas se sentirem cuidadas. E a Ofie nasceu desse momento. Juntamos o conhecimento da Jani em branding e cosméticos ao meu em arte e design e criamos a marca. Queríamos que todos pudessem ter acesso a um produto premium sem precisar gastar rios de dinheiro. Tudo foi pensado e elaborado pela gente. Ficamos um ano desenvolvendo a marca, os aromas, as fórmulas, até tudo ficar perfeito. E acertamos! Os clientes amam a Ofie tanto quanto nós.
Como é empreender em casal e construir uma marca que também carrega a identidade e o lifestyle de vocês?
No começo foi difícil. Duas pessoas com personalidade forte e conhecimento na área querendo ter voz. Mas hoje, depois de 10 meses de existência da marca, já entendemos melhor as divisões e conseguimos trabalhar bem. É uma marca nova ainda, temos muito o que refinar como sócios, mas estamos caminhando muito bem e evoluindo juntos. A Ofie é nossa essência, então é fácil falar sobre ela ou construir algo para ela. A Ofie é nossa primeira filha, afinal. Tem nosso DNA.
A chegada do Peter mudou sua visão sobre sucesso e prioridades?
Mudou. Ao mesmo tempo que me anima a trabalhar mais e dar uma vida incrível para ele, também me freia, por querer passar mais tempo com ele. Ainda estou trabalhando nesse lugar de culpas e cobranças, mas estou evoluindo bem. Hoje, divido melhor o tempo, até porque consigo fazer muito do meu trabalho em casa, o que é ótimo.
Como está sendo viver a paternidade pela primeira vez?
Melhor do que eu imaginava e mais fácil também. Acho que muito disso se deve ao próprio Peter. Ele é um carinha muito fácil de lidar e tranquilo. É cansativo, claro, mas eu e a Jani somos uma dupla muito boa. Fizemos ao máximo para ser algo mais leve, mesmo com todos os problemas que tivemos no caminho. Ela teve uma gravidez de risco, teve que operar e tirar uma trompa, já estando com o Peter no útero. Foi um processo difícil, mas graças a Deus hoje está tudo lindo.
Recentemente vocês mostraram o quartinho do Peter e muitos detalhes da rotina em família. Como é decidir o que compartilhar e o que preservar desse momento tão íntimo?
Evitamos ao máximo compartilhar nossos processos como pai e mãe. As pessoas são cruéis ou acham que o método delas é sempre melhor. Então para evitar isso, compartilhamos pouco sobre os cuidados, técnicas e métodos que usamos com o Pitico. Compartilhamos mais os momentos fofos, sorrisos e caretas dele(risos).
Qual legado você gostaria de deixar para o Peter no futuro?

A integridade do homem. Sei o quanto a internet tem sido perigosa para as crianças. E para os meninos, com a quantidade de informações erradas, grupos de Discord e etc, isso tem sido preocupante. Então, acho que ser um homem íntegro, educado e correto é o que mais quero para ele. Eu e Jani falamos muito sobre como queremos educá-lo para respeitar as mulheres e entender a importância disso.
Você escolheu morar na Granja Viana. O que te conquistou na região?
Amo tudo que envolve a Granja. Amo estar perto da natureza, mas ao mesmo tempo pertinho de São Paulo. Os restaurantes são incríveis, as pessoas, tem um espírito de comunidade que a gente curte muito. Essa energia meio campo, meio cidade. A Granja consegue ter algo único. E amo o fato de ela estar crescendo cada vez mais. Moro aqui há 8 anos e é muito bom ver o quanto ela tem melhorado.















